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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

PÁSSARO BRANCO



PÁSSARO BRANCO

Era o meu pássaro branco
sobrevoava o meu chão
tinha penas luzidias
asas leves como o ar.

Era o meu pássaro branco
planava, riscava o céu
não pousava, não queria,
levava dias no ar
largava, na noite fria,
descolava do meu chão.
Tinha vida de andarilho,
ninguém lhe sabia o rasto
ninguém de sabia a cor.

Só eu, calada, sabia
fazê-lo pousar no chão
dar-lhe espaço, sem ser fria,
dar-lhe alento, sem retorno,
deixá-lo ser uma ave
deixá-lo ser andarilho
vê-lo largar do meu chão
onde nada acontecia
que o fizesse pousar
fechar asas, fazer vida
sempre naquele lugar.

Era o meu pássaro branco
que um dia se quis soltar
ele era ave do céu
livre e branca, mas temia
deixar-se um dia amarrar.

Era o meu pássaro branco
de asas leves, a planar
a trazer-me o seu encanto
de ave à solta, sem pousar.

Aida Araújo Duarte
in “Poetas do Reencontro - Irmandade Poética e Artistas Galaico-Lusa”
lido por Ester de Sousa e Sá

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

VOLÚPIA

VOLÚPIA

Vou deixar-te a ternura de um sorriso
Guardar dentro de mim o teu olhar
Largar em melodia o chão que piso
Entregar-me em volúpia sem falar.

Desnudar a brancura do meu peito
Soltar todo este ardor que tenho em mim
Aqui mesmo - o lugar onde me deito
Entre aromas macios de alecrim.

E se souberes ouvir este meu canto
No largo esvoaçar de uma gaivota
Na ternura contida por enquanto

Saberemos traçar a nossa rota
E na hora do abraço o teu encanto
Fará pousar em mim essa gaivota.

Aida Duarte
in "Coletânea Galeria Vieira Portuense 2019"

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Poesia na Galeria 19-10-2019

Conceição Freitas
 Manuel Fernando
 Aida Duarte
 José Faria
 José Oliveira Ribeiro
 Céu Guedes
 Fernanda Rosas
 Ester de Sousa e Sá
 Paula Nisa
 Donzília Martins
 Angelino Santos Silva
 Fernanda Cardoso

sábado, 28 de setembro de 2019

MAS PORQUÊ?



MAS PORQUÊ?

Estenderam sobre ti um pano preto
E enlutaram com sangue a tua luz
Torre viúva dos amantes em noivado
Escorraçados pelo gelo do terror ignóbil
Amedrontados pelo estertor das bombas
Pelo furor cego desses homens suicidas.

Imolaram as crianças como cordeiros sagrados
Em nome de um deus que mata
Não deixam viver a paz.

E as crianças num grito rouco coletivo
A balbuciar palavras pai mãe que é isto?
Temos medo de morrer foge pai foge mãe
E o terror a avançar em onda gigante.
Orfandade é triste viuvez pior sangue resolve
Matam-se então todos crianças também
Ninguém fica para contar ninguém viu
Esta história não se escreve só se vive.

A imprensa vai também cadáver identificado
Tem crachá de jornalista e olhos de delator
Não interessa ficar vivo e não dá jeito que fale
Muito menos que publique, que escreva, que denuncie.

Quem sabe a história morreu sobrevivam os heróis
Assassinos desgraçados uma escória mundial
Que grassa por toda a parte e não poupa a torre Eiffel
Que rasga aquele estandarte da LIBERDADE dourada
Da IGUALDADE entre os homens subjugados é que não
Da bela FRATERNIDADE que agoniza nos destroços
Valores da Revolução pertença só dos franceses
Que agora arquivam os sonhos salvam a vida a morrer
Tinta de sangue resolve: matam-se todos
E as crianças também.

Aida Duarte
in “Ventos do Norte”
Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa - Antologia Poetica II

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Poesia na Galeria 21-09-2019

Maria Afonso Morais

Fernanda Santos
José Faria
José Oliveira Ribeiro
Fernando Costa
Aida Duarte
Conceição Freitas
Celso Miranda
Pompeu Pais
Celso Miranda
Helena Duarte
Adolfo Castelbranco

terça-feira, 13 de agosto de 2019

NEM AVE



NEM AVE

Nem ave, nem nuvem
Aragem que seja
Atravessam este meu céu
Macio
Desanuviado
Repleto
Só de mim.

Há no ar um abraço
De madrugada fresca
Lavada e doce
De rapariga.

Há em ti
Uma ternura sem tempo
Mas com rosto
Despida
Solta.

Deixa-me ouvir
Da tua boca
As palavras que calas
E me dizes
Num abraço cingido na cintura
Devagar
Forte
Tranquilo
E calado.

Será festim adiado
O calor com que me abraças
Pelo lado de cá
Da minha festa vazia
Da minha história acabada.

E tu caminhas
Do lado de lá de mim
Tranquilo
Seguro
Sem o rubro das manhãs
Sem passado nem agora
Sem o frio desta noite.

Sabes bem
Que me trazes ao colo
No calor com que me abraças
Do lado de cá
Onde o frio se desfez.

Aida Duarte
in “Limpidez Ausente”

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Poesia na Galeria 20-07-2019


Dionísio Dinis e Goreti Dias
João Bernardo
José Oliveira Ribeiro
Aida Duarte 
 João Pessanha
 Alice Branco dedica um poema ao João Pessanha, o aniversariante do dia
 João Pessanha atento à declamação de Alice Branco
  Alice Branco dedica um poema ao João Pessanha, o aniversariante do dia

 Celso Miranda
Conceição Freitas
 Dina Magalhães
 Maria Teresa Nicho
 Goreti Dias
Dionísio Dinis

quinta-feira, 23 de maio de 2019

VEM EMBALAR



VEM EMBALAR

Vem embalar-me o sorriso
E deixa-me adormecer
Não trouxe a noite comigo
Ali vem a madrugada
Só ela me sabe ler.

Vem secar estes meus olhos
Devagar, assim, está bem.
Não destapes o meu peito
Tem agruras e pecados
Que eu quero adormecer.

Vem de manso, tenho pressa
Mas não de te ter aqui
São outros os meus sorrisos
São outros estes meus olhos
Não te espantes: sou assim...

Vem então, mas não me toques
Embala-me só, assim
No sorriso que me resta
Podes ver que a tua festa
Está mesmo a chegar ao fim.

Aida Araújo Duarte
in “Limpidez Ausente”

terça-feira, 21 de maio de 2019

Poesia na Galeria 18-05-2019








 Fernanda Cardoso

 Agostinho Costa
 Concha Rousia
 Agostinho Costa
 Fernanda Cardoso

Fernanda Rosas
 Paula Nisa
 Conceição Ruivo
 Anselmo Simões

 Aida Duarte
 Arnaldo Teixeira Santos

 João Bernardo
António Gonçalves