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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O CABO DE AÇO



O CABO DE AÇO

Ao cabo de aço o que lhe faço?
Do Oriente partiram caravelas
Carregadas de metal.
Do Brasil igual.
Níquel, prata, ouro.
Luz fria o branco, prata,
Quentes os amarelos, valor sem igual.
Cobres e latões
Fruto de transformações.
Vida de ferro; Valor.
Origens de fogo; amor.
Metais, metais só música.
Outros que tais
- longos ou curtos-
negros de cor, até dobrados,
Deitados ou erguidos
Na cidade de betão perdidos.
Ao Cabo de aço o que lhes faço?
Ao cabo faço as linhas
do teu coração, ou fios de ouro
Para o teu pescoço.
Fios finos entrançados
Belos!
Brancos ou dourados.

Luís Pedro Viana
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2019”
lido por Ângela Loureiro

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

NÃO HÁ COMIDA



NÃO HÁ COMIDA

Não há comida sem sal
Não há horizonte sem sol
Não há!
Não há!
Estrelas sem céu,
Pedro sem pedra,
Nem igreja sem santo.
Ou há!
Há aquilo que vemos
Por acreditar que temos?
Não há imagem no meu espelho velho.
Não há morte sem dor.
Não há vida sem amor.
Há aquilo que vemos
Por acreditar que temos?
Há.
Há.
Mas quanto mais há
Menos temos.

Luís Pedro Viana
in “A Janela Aberta”
lido por Maria Camps

PRINCESA OU RAINHA



PRINCESA OU RAINHA

Da encosta de Santa Luzia
Pedras ou pérolas rolaram
Castelos assim construía.
Viana a ti te chamaram.

Viver no sopé do monte
A vida que eu invejo
Doirados os olhos na fonte
Do Rio que eu já vejo.

É festa, foguetes no ar
Estrelas que já não via
Todos marcam lugar
Na Senhora da Agonia.

Tomei-a nos braços, bailei.
Outros pares se juntaram.
Perdido na roda fiquei
Contigo todos dançaram.

A alma vem-lhe do mar
Fomos à praia do bico
Toda a gente a cantar
As canções que te dedico.

Fidalguia e nobreza
O povo a sabe amar.
Cabe em ti a beleza
Do Monte, Rio e Mar.

Viana a ti te chamaram,
Princesa bordada no linho.
À fama te elevaram,
Rainha do Alto Minho.

Luís Pedro Viana
In “A Janela Aberta”
Lido por Ângela Loureiro

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O NEGÓCIO BANCÁRIO



O NEGÓCIO BANCÁRIO
(Relatório de Contas)

Dando cumprimentos as disposições legais do Relatório lia-se no introito:
O cenário apresenta condições para o crescimento sustentado.
Primeiro alvo:
Assim, na procura de um tolo, a tendência verificada
Nos contratos concedidos na aquisição da tua casa
É já manifestada pela revogação do Decreto-lei
Anterior, entretanto em vigor de imediato nova lei para a prática abusiva
No comércio imobiliário.
Na vertente do crédito concedido as redes de mediadores
A actividade não foi condicionada.
Os milhões do ano anterior, não comparáveis com os de hoje,
Passarão para nossos bolsos que encherão os cofres.
Segundo alvo:
Destaca-se a qualidade do serviço no enfoque estratégico
O negócio da contratação com os particulares incautos.
Para isso contamos com 2006 colaboradores que
Nas 24 horas, produzem informação e documentos on-line, e tudo
Encaminham para a central, mercê das novas tecnologias
Para depois os dispensarmos.
Mesmo assim contamos com os mais servis escriturários
Que depositam nas caixas os cheques as livranças e o dinheiro.
Podemos afirmar que a qualidade do serviço é obtida
Por mão de obra estranha a nossa instituição que, por via
Do computador que tens em casa, comprado a crédito
Concedido pelo banco ao teu pai, à tua tia, ao teu avalista
A todos garante os movimentos necessários.
Terceiro alvo:
Assim, em data próxima, no âmbito do processo de
Fusão/cisão voltaremos a rodar a nossa politica se esta
Se verificar desajustada da realidade.
Morreram os restantes colaboradores que restavam no terminal do computador central
O Balanço e Contas desse ano apresenta um enorme saldo que transita
Para o próximo onde terá plena justificarão.
Calculadas as provisões impostas pela lei, os impostos a pagar, não é necessário
Contar com as provisões para a remuneração do pessoal.
Foram creditadas em conta as verbas extraordinárias
Para pagamento das missas e orações
De modo a salvarmos as almas dos nossos antigos colaboradores.
A realidade esta ajustada.
Observação.
Não vai assinado nem reconhecido. Não contém agradecimentos ao Conselho de
Administração por este ser virtual e ter já mais que recebido os valores competentes.
Não foi votado nem aprovado em Assembleia Geral,
Por não ter quórum e a convocatória não conter pontos de discussão.

Luís Pedro Viana
Porto; 7 de Abril de 2001

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Poesia na Galeria 15-12-2018

 Dina Magalhães
 Ana Maria Oliveira
 Helena Duarte
 Maria Teresa Lopes
 Luís Pedro Viana
 Ferreira da Costa
 Irene Costa
Luís Pedro Viana
 Maria Afonso Morais a primeira sorteada da sessão, com a serigrafia de António-Lino


José Faria o segundo sorteado, com o livro do Silvino Figueiredo

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

SOMBRA!



SOMBRA!

Não me largas sombra…
Páras, quando paro, caprichosamente
Aceito a união.
Não me largas: fosse eu um devasso atrevido sedutor e
Seria o algoz da arca da insatisfação.
Não me largas: o corpo e alma com as amarras
Feitas de laços da sedução… cadeados eternos!
Não me largas: o medo que atravessa
O caminho passado.
Não me largas: o dinheiro vem sempre depois
E não alcanço primeiro.
Não me largas: entre Sombra!
Não me largas sombra…
Páras, quando paro, caprichosamente
Aceito a união.
Não me largas: fosse eu um devasso atrevido sedutor e
Seria o algoz da arca da insatisfação.
Não me largas: o corpo e alma com as amarras
Feitas de laços da sedução… cadeados eternos!
Não me largas: o medo que atravessa
O caminho passado.
Não me largas: o dinheiro vem sempre depois
E não alcanço primeiro.
Não me largas: entre a dúvida e o passado.
Não me largas: ser de outrem e aqui servir hoje.
Não me largas: enquanto escapas e a sombra
Não for sentida / perdida/.
Não me largas: satisfeita a espera, sombra negra
Que se apaga com a noite,
Noite infinita…
Sombra…

Luís Pedro Viana
Condado de Moreira
Setembro 2018

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Poesia na Galeria Novembro 2018

Manuel Fernando
Celso Miranda
 Inês Lima
 José Guterres
 Paraty
 Paraty
 Fernanda Cardoso
 Maria de Lourdes Ferreira

 Lena Lopes
 José Faria
 Dina Magalhães
José Oliveira Ribeiro
 Luís Pedro Viana
Carlos Gomes

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Ilustração: Luís Pedro Viana


É lançada hoje, 15 de setembro de 2018, a Coletânea de Poesia da Galeria Vieira Portuense, contendo cerca de 70 poetas, com, sensivelmente, 200 páginas. 
Esta Coletânea exprime e corresponde à sensibilidade dos participantes, dos leitores, dos diseurs e dos autores, num total de, aproximadamente, 50 militantes mensais que enchem de orgulho e de satisfação as reuniões do terceiro sábado de cada mês, pelas 16:00h. 
Este ano, a Coletânea de Poesia sai de portas e vai até Guimarães, dia 22 de setembro, onde será feita uma apresentação mais distendida com almoço à lamanière, apropriado em leituras poéticas que tratam do palato e da alma. 
A Galeria Vieira Portuense está de parabéns por mais esta edição e os seus participantes merecem todo o reconhecimento por darem corpo a este encontro cultural que dignifica o Porto e o Norte.
Se esta manifestação cultural está já enraizada numa matriz temporal, a qualidade também se encontra patente em cada edição. O conteúdo poético é fruto do empenho dos autores que, seguindo a sua formação, se esmeram em trabalhos de tema, de palavra e de som.
Com efeito, começamos mais cedo, no mês de setembro, mês das colheitas, contrariamente ao usual portuguesismo da última hora.
Parabéns e que seja um futuro promissor em leituras e poesia.

Luís Pedro Viana
Condado de Moreira
Porto 15 de setembro de 2018

terça-feira, 19 de junho de 2018

Poesia na Galeria 16 de Junho


 Acilda Almeida
 Luís Pedro Viana
 Alberto Silva
 José Oliveira Ribeiro
 Agostinho Costa
 Maria Adelina Gomes
 Arnaldo Teixeira Gomes
 João Bernardo

 Amândio Vasconcelos, o sorteado da sessão
 Agostinho Costa e Dionósio Dinis