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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ester de Sousa e Sá


GOSTO

Gosto quando abro a janela do quarto
logo pela manhã, e a brisa do mar me acaricia,
inunda a alma de esperança dando os bons dias.
Gosto do ribeiro de águas mansas em tempo de estio
que, com as fortes chuvadas que molharam a noite,
corre de margens largas e cheias, a transbordar alegria.
Gosto da natureza vibrante e palpitante,
que nos convida a tomar parte na vida!
Gosto de caminhar na floresta verdejante,
e na singileza de cada planta e flor perfumada,
ficar maravilhada por ver acto de amor incontido,
obra do Criador há milhares de anos repercutido!
Gosto de observar em silêncio,
as aves que voam junto ao ribeiro em alegre sinfonia,
fico a pensar como seria bom poder voar mais alto ainda...
poisar no topo do cipreste e assobiar apaixonada melodia,
e quando meu amor a ouvisse, voasse para meus braços,
perdido de paixão em meu colo se aninhasse.
Gosto que me sussurres palavras carinhosas,
me beijes com paixão e ternura por toda a minha vida,
e no calor dum abraço meu amor, sintas
que eu sou tua!

Poema de Ester de Sousa e Sá

(Fevereiro 2020)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

PÁSSARO BRANCO



PÁSSARO BRANCO

Era o meu pássaro branco
sobrevoava o meu chão
tinha penas luzidias
asas leves como o ar.

Era o meu pássaro branco
planava, riscava o céu
não pousava, não queria,
levava dias no ar
largava, na noite fria,
descolava do meu chão.
Tinha vida de andarilho,
ninguém lhe sabia o rasto
ninguém de sabia a cor.

Só eu, calada, sabia
fazê-lo pousar no chão
dar-lhe espaço, sem ser fria,
dar-lhe alento, sem retorno,
deixá-lo ser uma ave
deixá-lo ser andarilho
vê-lo largar do meu chão
onde nada acontecia
que o fizesse pousar
fechar asas, fazer vida
sempre naquele lugar.

Era o meu pássaro branco
que um dia se quis soltar
ele era ave do céu
livre e branca, mas temia
deixar-se um dia amarrar.

Era o meu pássaro branco
de asas leves, a planar
a trazer-me o seu encanto
de ave à solta, sem pousar.

Aida Araújo Duarte
in “Poetas do Reencontro - Irmandade Poética e Artistas Galaico-Lusa”
lido por Ester de Sousa e Sá

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Poesia na Galeria 16 Novembro 2019


  
 José Faria


 Arnaldo Teixeira Santos
 Lourdes Alegria
 António Gonçalves
 Paula Nisa

 Manuel Maia
 Ester de Sousa e Sá
 Goreti  Dias
 Dionísio Dinis
 Conceição Freitas
 Marília Teixeira
Angelino Santos Silva

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

UNIVERSO VIBRANTE

UNIVERSO VIBRANTE

No limiar do portal do Ano Novo,
No adeus deste quase extinto,
Dou graças ao Criador por tudo,
Por todas as emoções sentidas,
Por todo o carinho e amor festejado.

Ergo os olhos para o céu estrelado,
Fico com o olhar prenho de magia,
Sinto no peito desmedida alegria,
Por pertencer a este universo magnético,
Caleidoscópio de cor latejando de energia.

Espaço fecundo de vibrações simultâneas,
Nada é estático, tudo pulsa e vibra,
É uma dádiva divina pertencer a este Cosmo,
Espaço irradiante de fontes de luz,
Campo enigmático de vibrações contínuas.

Oh! Meu Espírito sente o pulsar e ritmo do Mundo!

Ester de Sousa e Sá
in "Coletânea Galeria Vieira Portuense 2019"

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Poesia na Galeria Outubro 2019

Maria de Lourdes Ferreira
 Irene Costa
 Agostinho Costa
 Agostinho Costa
 Anselmo Simões a declamar um poema a Fernanda Cardoso

 Lacerda e Megre

 Serigrafia "Senhora do Ó", de Molina, para o sorteio
 Tabosa da Pena e Fernanda Cardoso
 Alice Santos a sorteada da sessão
 Livro de Goreti Dias, oferecido pela autora, para o sorteio
Ester de Sousa e Sá, Maria Olinda Sol, Manuela Caldeira, Fernanda Santos, 
Helena Duarte e Lacerda e Megre

Poesia na Galeria 19-10-2019

Conceição Freitas
 Manuel Fernando
 Aida Duarte
 José Faria
 José Oliveira Ribeiro
 Céu Guedes
 Fernanda Rosas
 Ester de Sousa e Sá
 Paula Nisa
 Donzília Martins
 Angelino Santos Silva
 Fernanda Cardoso

terça-feira, 25 de junho de 2019

CANÇÃO DE VIANA



CANÇÃO DE VIANA

Eu sou de Viana cidade.
Eu sou de Viana que é vila.
Sou de Viana e sou da aldeia
Sou do monte e sou do mar.
A minha terra é Viana!
Quem diz Viana, diz Cerveira,
Quem diz Cerveira, diz Arga…
— Só dou o nome de terra
Onde o da minha chegar!

Dancei a Gota em Carreço,
O verde Gaio em Afife
(Dancei-o devagarinho
Como a lei manda bailar!)
Dancei em Vile a Tirana
E dancei em todo o Minho
E quem diz Minho, diz Viana…"

Ó minha terra vestida
Da cor da folha da rosa!
Ó brancos saios de Perre
Vermelhinhas na Areosa!
Virei costas à Galiza;
Voltei-me antes para o sul...
Santa Marta! Trajo Verde...
Como o povo era poeta
Àquele trajo (tão verde!)
Deram-lhe o nome de azul...

Virei costas à Galiza...
Voltei-me antes para o mar...
Santa Marta! Saias negras...
Mas como o povo é poeta
Aquelas saias tão negras
Têm vidrilhos de luar!

Virei costas à Galiza...
Pus-me a remar contra o vento...
Santa Marta! Saias rubras...
À Santa Marta, vestida
Da cor do meu pensamento!

A minha terra é Viana,
São estas ruas compridas,
São os navios que partem
E são as pedras que ficam...
É este sol que me abrasa,
Estas sombras que me assustam...
A minha terra é Viana.

Ai! este sol que me abrasa
E estas sombras que me assustam!

Pedro Homem de Mello
in “Manuscritos Inéditos”
lido por Ester de Sousa e Sá

sábado, 22 de junho de 2019

DANÇA COMIGO



DANÇA COMIGO

Dança comigo como se fosse a última vez,
Liberta os sentidos e deixa-te embalar,
Pela melodia tocada pelo vento……
Por o marulhar das ondas
De todas as marés cheias,
Respira fundo e deixa-te saciar,
Por esta sensação profunda de alegria,
Que não se sabe explicar de onde vem,
Escuta o sussurrar das árvores que se agitam,
Num hino à Natureza bendita,
Ouve o cantar da deusa Mater Cibele,
Que o nosso nome pronuncia.

Dança comigo, para lá do tempo
Vem, descobre em ti a magia,
Dança comigo até ao nascer do dia,
Perde-te nos meus braços
Como se teu refugio fosse,
Dança comigo uma vez mais a dança do fogo,
Deixa-me amar-te para toda a eternidade,
Onde o brilho das estrelas para sempre perdura,
Acerta o passo e, dança comigo compassadamente
Este tango de amor erudito,
Que arde no meu coração e me consome,
Para além de todos os meus dias.

Ester de Sousa e Sá
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2018”
lido por Maria Afonso Morais

quarta-feira, 19 de junho de 2019