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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

OS DOIS HORIZONTES



OS DOIS HORIZONTES
DOIS HORIZONTES FECHAM NOSSA VIDA:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro,—
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
         
Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis
Lido por Lena Lopes

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Poesia na Galeria Novembro 2018

Manuel Fernando
Celso Miranda
 Inês Lima
 José Guterres
 Paraty
 Paraty
 Fernanda Cardoso
 Maria de Lourdes Ferreira

 Lena Lopes
 José Faria
 Dina Magalhães
José Oliveira Ribeiro
 Luís Pedro Viana
Carlos Gomes

sábado, 27 de outubro de 2018

ETERNIDADE



ETERNIDADE

Vejo, num sonho sem fim,
— Sonho de amor e saudade —
Já suspenso sobre mim
O esplendor da eternidade.

Vejo a luz radiosa, etérea,
A luz divina pairando
Por sobre um ser miserando
Que é toda a humana miséria.

E, no sonho que ora vivo,
Passam astros a brilhar;
E, num sorriso furtivo,
Vejo a luz do teu olhar.

Oh meu Amor!, oh Saudade!
Sou luz esparsa nos céus...
— E, sobre a tua humildade,
Descem as bênçãos de Deus... —

Aqui, nos altos espaços,
Não há lembranças, nem dores,
Nem deceções ou cansaços...
— Há só sorrisos e flores!

Mas, ai de mim, não te esqueço!
E, quando surge o luar,
Fecho os olhos, adormeço,
Para contigo sonhar…

in “O livro de Guilherme de Faria I
Saudade Minha
(poesias escolhidas)
Lido por Lena Lopes

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Poesia na Galeria 20-10-2018

 Lena Lopes
 Alice Branco
 Fernanda Cardoso
 Ana Maria Oliveira
 Dina Magalhães
 Celso Miranda
 Fernanda Santos
 Maria de Lourdes Ferreira
 José Oliveira Ribeiro
 Jorge Carvalho