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terça-feira, 25 de junho de 2019

MEU TALENTO É FRÁGIL



MEU TALENTO É FRÁGIL

É tão frágil o meu talento...
Nele, por vezes, não creio.
É como um ser mimado e mau...
Sei que o Criador, atento,
Bem caro vai cobrar
Se dele eu não cuidar.
No baú dos meus tesouros,
Eu o guardei bem escondido,
Para não perder o brilho.
Mas por falta dos aplausos,
Que o faziam brilhar,
Ficou opaco, sem vida
E, aos poucos, me abandonou.
Agora só guardo a lembrança
Do que foi e jamais será,
Olho e vejo o belo,
Falo e mostro o feio,
Finjo e sinto-me estrela
Da minha falsa estreia.
Cansada de tentar ser
O ser que nem sempre sou,
Já não consigo tecer
O meu ser que já passou.
Não devia ter escondido
O talento que Ele me deu,
Bem caro terei que pagar...
Nem risos, nem sofrimentos,
Fará o tempo voltar.
Procuro-me no passado
E já não encontro guardado
O talento que, escondido,
Morreu inútil, perdido.

Porto, Portugal, 17/03/2010
Constância Nèry

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Poesia na Galeria 15-06-2019

José Oliveira Ribeiro
Guida Dias
Vitor Cordeiro
Artur Barrios
Dina Magalhães
 Angelino Santos Silva
 Arnaldo Teixeira Santos
 Alzira Santos
 Alzira Santos
 Eldad Mario Neto
Vitor Cordeiro e Eldad Mario Neto
 Vitor Cordeiro
 Constância Néry
Ana Paula Dória

sábado, 27 de abril de 2019

MÊS DE MARÇO, MAIS UM GRITO



MÊS DE MARÇO, MAIS UM GRITO

Também sei fazer bolo
de canela, lima e framboesas.
Animo a sala com uma boa fatia
e chá verde muito quente.
A conversa é mole
enquanto na televisão
o Brasil  explode
O povo interage, une a raiva
e grita nas ruas - fora, fora!
A catarse alivia
até que a poeira acalme
e venham mais encher a pança.
O povo esquece,
trabalha para levar o dia a dia,
paga impostos,
pragueja ao entrar na casa húmida,
benze-se,
pede a Santo António
uma mulher nova
e que o ajude a ganhar a lotaria.
Desta vez sirvo chá branco
e pãezinhos de queijo da ilha,
a televisão transmite
mais um reality show,
salta porcaria de todo o lado
é disto que o povo gosta,
é isto que o povo quer
para esquecer a realidade.

Maria Olinda Sol
Lido por Constância Nery

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Poesia na Galeria Abril 2019










 Constância Nèry e Fernanda Cardoso
 Agostinho Costa dá inicio à sessão
 Constância Néry fala da sua pintura, exposta na Galeria Vieira Portuense

 Celso Miranda
 Lourdes Alegria
 Helena Maria Simões Duarte
João Bernardo
 Céu Guedes
 Fernanda Rosas
Maria Teresa Nicho
Constância Nèry

sábado, 25 de agosto de 2018

CANÇÃO DO EXÍLIO



CANÇÃO DO EXÍLIO

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

Gonçalves Dias
De Primeiros cantos (1847)
Lido por Constância Nèry

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Poesia na Galeria - 18 de Agosto

 Ester de Sousa e Sá
 Conceição Oliveira
 Constância Néry
 Dina Magalhães
 Manuel Maia
 Agostinho Costa
 Mário Anselmo
 Manuela Caldeira
 António Monteiro 
 Agostinho Costa com a serigrafia, de Adi Steurbaut, a ser sorteada
 António Gonçalves o sorteado da sessão

Dina Magalhães