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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

EGO(EX)CENTRICOS


EGO(EX)CENTRICOS

este joio de palavras
que o “poeta” nos oferece
no seu pavonear.
pensando que verseja,
vomita pobre rimar,
que ouvir ninguém merece,
em alegre cacarejar.
solta palavreado
sobre o nada
e sobre o tudo,
emdesritmado grasnar,
versinhos sem conteúdo.
une palavras,
mais palavras,
muitas e muitas palavras.
com frases surripiadas
constrói “poemas tântricos”,
que diz ao som
das próprias risadas.
…são assim os poetas
egoEXcêntricos.

Eduardo Roseira

Lido por António D. Lima

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SEXTA-FEIRA À NOITE


SEXTA-FEIRA À NOITE

Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clítoris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro  papéis  documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite
os homens penetram as suas esposas
com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.

Marina Colasanti
in “Rota de Colisão”

Lido por Eduardo Roseira

terça-feira, 20 de outubro de 2015

POESIA NA GALERIA Outubro

 António Gonçalves (toniantonio)

Eduardo Roseira
 Carlos Revez
 Leuna
 Goreti Dias
 António Gonçalves
 Beatriz Maia
 Carlos Gomes
 João Pessanha
 Helena Duarte
João Nunes Carneiro

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

CIDADE


CIDADE

Encontro-te, não sei quem és, pouco me importa,
prostituta ou rainha,
de braço dado caminho contigo sob o resplendor
das lâmpadas, na avenida.

Vinda não sei donde, negra da senzala
ou loira costureirinha da rua de S. Victor,
vamos amar nas águas-furtadas,
possuir, por um momento ao menos,
os peixes, as florestas, os potros ruivos do sol
e as éguas da lua.

Sob o resplendor feérico das lâmpadas em festa,
quem nos pode impedir?, vamos,
nós sós no mundo por um momento,
nós sós por um momento breve.

Sós, puros e impuros, humanos e divinos,
um momento caminhemos nas fantásticas ruas de coral,
por entre as multidões obscuras.
Sós, a caminho das estradas perpetuamente virgens
na paisagem primitiva,
por um instante breve, que importa?, carregando
em nosso sangue a ânsia e a loucura
das águas originais.

Que ninguém nos impeça, que ninguém nos condene,
ah que ninguém nos fale nas chagas e na sífilis!,
nos fetos, nos miseráveis filhos abortados:
que ninguém nos tome o que não nos pode dar.

Sob as escadas, querida,
vamos em busca das estrelas.
Não terás mais que fechar-me os olhos, e teus seios
mesmo murchos, serão aves, serão frutos;
não terás mais que abrir sobre mim as cataratas
de fogo e desespero que no coração guardas
para que, cego e surdo, como um deus, me suponha
gerando em teu ventre estéril
a raça do futuro.

Vamos, querida, o instante é nosso, e tão belo, tão breve!,
vamos à conquista das florestas perdidas
onde nos perdemos,
cavalguemos os potros do sol, as éguas da lua
e, voando no êxtase, na raiva e na doçura, sejamos ainda uma vez
as aves e os peixes de escamas róseas
no verde mar que fomos.

Não sei donde vens, não sei quem és,
não te perguntarei nada:
prostituta ou rainha,
toma a chave, abre tu a corta.

Papiniano Carlos
in "As Florestas e os Ventos"

lido por Eduardo Roseira

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Poesia na Galeria 19 de Setembro

 Helena Duarte
 Alice Branco
 Lourdes dos Anjos
 Dina Magalhães
 Eduardo Roseira
 Acilda Almeida
 Alice Santos
 Helena Duarte, a sorteada, da sessão, com a serigrafia de Ariosto Madureira

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

DESTA VARANDA O MAR


DESTA VARANDA O MAR

Desta varanda, o mar
é apenas um coração
que pulsa. Rouco, na escuridão.

Diante do mar, o infinito
fica ali
ao alcance da mão.

Ao mar ainda
ninguém pediu
o registo de nascimento.

Para vir a terra, o mar
não precisa
de passaporte.

Esta manhã, ao levantar-se, o mar
esqueceu-se
de se pentear.

Preciso de uma chave que ara
o cofre onde o mar
guarda os seus segredos.

Para ler nas estrelas, o mar,
de noite, pede emprestados
os olhos aos navios.

Velozes, as ondas
procuram a praia: regressam
a casa?

Os barcos são aves
que perderam as asas.
Raso é o seu voo.

A saudade do cais não é de pedra,
é de água. Que o digam os olhos
dos que partem, dos que ficam.

Diz o vento
ao mar: sem mim
não podes voar.

Devolvi ao mar os búzios,
as conchas e os corais. Os filhos
são património dos pais.

As esculturas que a água
esculpe na rocha pertencem
ao museu do mar.

Para ser mastro de navio
precisas, primeiro,
de ser árvore.

O mar está
enfurecido: pediu açúcar
e deram-lhe sal.

Pergunta ao mar se ainda
se lembra
que já foi rio.

O mar invade às vezes
a terra: procura os peixes servidos
à mesa dos homens.

Vitorioso, o mar abraçou
a terra, vestiu-se de azul e encomendou
uma faixa branca – um colar de espuma.

Se eu fosse um coral, pedia
ao mar
que me trouxesse ao peito.

Disse a terra
ao mar: cala-te,
quero dormir.

Albano Martins

Lido por Eduardo Roseira e Alzira Santos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

POESIA NA GALERIA Fevereiro

 Eduardo Roseira e Alzira Santos
 Manuela Caldeira
 Manuela Caldeira com o chapéu oferecido por Luís Pedro Viana
Amândio Vasconcelos
Maria de Lourdes
 Irene Silva
 Irene Silva

 Alzira Santos foi a sorteada da sessão com uma serigrafia de Ariosto Madureira

sábado, 6 de setembro de 2014

ORAÇÕES



ORAÇÕES

Há tanto tempo,
Que perdi o jeito de rezar
As orações tradicionais,
Aprendidas com minha mãe,
Ou decoradas, do catecismo,
Com a mesma doutrina,
Todos os dias, a horas certas,
À mesa, depois da ceia,
Ou à roda da lareira,
Como quem dá um recado,
De que bem pouco se entende,
Monocórdico e apressado,
O corpo lasso, em abandono,
De trabalho ou de lazer,
E os olhos, como «pirilampos»,
A cair de sono!
Há tanto tempo,
Que senti necessidade,
E aprendi de novo a rezar,
A qualquer hora,
Em todos os lugares,
Com palavras vivas, palpitantes,
Sentidas e inventadas,
Em cada instante,
Arrancadas da alma
E do coração,
Em risos, e músicas, e poemas, e canções,
E gritos, e apelos lancinantes,
E lágrimas, e pragas
- Dizendo segredos,
Dando recados,
Pedindo conselhos:
A falar comigo próprio,
Com Deus
… e com a minha mãe!

Moreira da Silva (Sandim)
in “Claro-Escuro”, 1985
lido por Eduardo Roseira

sábado, 30 de agosto de 2014

PERFUME DE AMOR



PERFUME DE AMOR

… ele, de repente
deu-lhe uma flor.

            ela, de feliz,
                           sorriu…
                               … cedeu!

foi amor
que surgiu!
            aconteceu
                num rompante!

… uma hora depois,
            sozinha,
            ela viu que era apenas…
                                   desodorizante!!!

Eduardo Roseira
in “Palavras Vivas”
lido por Tiago

terça-feira, 19 de agosto de 2014

POESIA NA GALERIA 16 de Agosto

 Manuela Caldeira
 Acilda Almeida
 Manuel Maia
 Sofia Santos
 Irene Silva
 Irene Silva
 Irene Silva

 Irene Silva



 Onofre Varela é sorteado com uma colectânea de poesia oferecida pelo Eduardo Roseira
 Luís Pedro Viana e Irene Costa



Ester de Sousa e Sá, Manuela Caldeira, Dionísio Dinis, 
Doroteia Vasconcellos e Helena Duarte