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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

DOBRADA À MODA DO PORTO


DOBRADA À MODA DO PORTO

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Álvaro de Campos

Lido por José Azevedo

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Poesia na Galeria

 Sorteio de uma gravura de Avelino Rocha

 José Azevedo foi o primeiro sorteado da sessão
 José Oliveira Ribeiro foi o segundo sorteado com o livro de Artur Cardoso
 António Gonçalves e Manuela Caldeira
 Luís Pedro Viana, Irene Silva e Rogério Barbosa 
José Oliveira Ribeiro

Poesia na Galeria 20 de Fevereiro

 Aurora Gaia
 Manuel Maia
 Amílcar Mendes
 Luís Pedro Viana
 Luís Pedro Viana

 Acilda Almeida
 José Azevedo
 Manuela Caldeira
 Irene Silva

Irene Silva