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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

PENETRAÇÃO...



PENETRAÇÃO...

Depois do tempo que eu te dou guarida
Tu vieste a ser a mais bela do meu harém.
Tu és a mais desejada, a mais querida
Mas como as outras, tu passarás também...

Agarrei-te com as minhas duas mãos.
Tu te debateste, não aceitavas.
Eu não perdi a esperança, isso não
Eu segurei o teu corpo, minha escrava.

Terei remorsos, certo, mas eu te quero comer.
Verei todo o sangue que tu perderás.
Tenho desejos de ti, podes crer.
Depois da penetração, nada sentirás.

Consegui entre minhas pernas te prender.
Não desisti de fazer com que fosses minha.
Preparei a minha ferramenta do dever
E penetrei a faca no pescoço da galinha.

Alberto da Fonseca
Lido por João Bernardo

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Poesia na Galeria Novembro 2019

 Fernanda Santos
 Maria Afonso Morais
 Dina Magalhães
 António Monteiro
 Adolfo Castelbranco
 Pompeu Pais
 Conceição Oliveira
 César Carvalho
 José Lacerda Megre
 Helena Duarte
 João Bernardo

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O FORJADOR

O FORJADOR

Forjador aprumado
Para o ferro bater.
Espera-lhe o cansaço,
No dia a correr.

A ventoinha gira,
A máquina fala,
Presa ao rodado dentado,
Para cantar um triste fado.

Bate que bate,
Mergulha e vê.
Ferro escaldado
Que nem vermelho está,
Bate que bate,
Mas assim não dá.

E então, a fouce é lisa,
Precisa de dentes para comer,
Tive de os dar, para a palha cortar
E o outono a correr.

Mói que mói, pica o rodado,
Bate que bate,
Porque para o picão picar
Tem de ser afiado.

Aperta a tenaz,
Solta a aldrava,
Perdeu a língua,
Não fixa nada.

Puxa que puxa,
Manobra achegadeira,
Aconchega o carvão,
Alimenta a combustão,
Surge a chieira.

A correia está larga,
Chega-lhe água,
Para o couro atesar,
Assim não dá, falta-lhe ar.

Pica a fornalha,
Para o animal correr.
É meio-dia e tal,
Quero comer.

Malha a bater,
O suor a largar
E a mãe a correr,
Para fazer o jantar.

O bracito cansado
E a hora a passar,
Sem ninguém a ver
Mas que triste fado,
Até morrer.

A máquina resmunga,
O cadeado enferrujado,
Chega-lhe óleo,
Amotolia sumiu,
E desta vez: puta que a pariu.

João Bernardo

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Poesia na Galeria Outubro 2019


 César Carvalho







 Agostinho Costa

 Lacerda e Megre
 Lacerda e Megre
 Arnaldo Teixeira Santos
 Conceição Ruivo
 Anselmo Simões
 António Gonçalves
Manuel Maia
 César Carvalho
 João Bernardo
 Goreti Dias
 Dionísio Dinis

sábado, 28 de setembro de 2019

A CANÇÃO DA ROSA BRANCA



A CANÇÃO DA ROSA BRANCA
João de Vasconcellos e Sá / António Pinto Basto
Repertório de António Pinto Basto

Eu penso em ti logo ao nascer d'aurora
E quando o dia vai chegando ao fim
Nunca me esqueces, e dormindo embora
Sonho a ventura de te amar assim

Antes de ver-te, flor do céu caída
Nem me recordo como então vivi
Nem já me atrevo a suportar a vida
Vivendo um dia sem pensar em ti

Ó rosa branca delicada e pura
Que ideal brancura... que mimosa cor
Lembras um astro que do céu tombasse
Que por mim poisasse... na roseira em flor

Se o teu olhar iluminado e casto
Poisa em meus olhos reflectindo o céu
Quanto mais fujo, quanto mais me afasto
Mais perto vejo o teu olhar no meu

Ó rosa branca luminosa e viva
Linda rosa esquiva... meu amor fatal
Só podem anjos fabricar sozinhos
Com montões de arminhos... uma rosa igual

Quando esta vida se apagar, serena
Ao recordar-me quanto amei em vão
Ó desdenhosa, o que me faz mais pena
É ir pensando que te esqueço, então

Ó rosa branca, meu amor primeiro
Tu não tens canteiro... tu não tens jardim
Porque me chamas, porque não respondes
E porque te escondes a chamar por mim

Mas sob a campa, meu amor não finda
Verás senhora, se eu ouvir teus ais
Abrir os olhos para ver-te ainda
Morrer de novo, se te não vir mais

Ó rosa branca porque me chamaste?
Para que roubaste toda a fé que eu tinha?
Serena e fria como a luz da lua
Que brancura a tua, que desgraça a minha

Transcrito por: fados do fado  
Por João Bernardo

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Poesia na Galeria 21-09-2019

Maria Afonso Morais

Fernanda Santos
José Faria
José Oliveira Ribeiro
Fernando Costa
Aida Duarte
Conceição Freitas
Celso Miranda
Pompeu Pais
Celso Miranda
Helena Duarte
Adolfo Castelbranco

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

HOMENAGEM À GALERIA VIEIRA PORTUENSE


HOMENAGEM À GALERIA VIEIRA PORTUENSE

Este poema que vou ler,
Deu-me um pouco que pensar,
Porque coloquei ingredientes,
Como se deve homenagear.

A Galeria Vieira Portuense é anfitriã,
De que me devo ocupar,
Bem há minha maneira,
Fica no largo dos Lóios,
Bem pertinho da Ribeira.

Na galeria, vive-se deliciosa cultura,
Misturada com bolos,
São da maior doçura
Que nos consola a todos.

Nós somos o fermento
Que dá vida, luz e cor,
Qualquer obra que aqui meter,
Terá de a saber ler e compreender,
Ser um fruto do amor.

Nós somos os ovos,
Bem mexidos e requintados.
Aqui, também se canta fados
Que enaltecem a nobreza de valor,
Alegria fica no ar, há namoro e bem-estar.
Porque o Poeta é um sonhador.

Se o poeta assim quiser
Vai trazer sua mulher,
Para adicionar a farinha,
Mas que pobre cabeça a minha,
Não discernir com clareza,
Misturar a arte que é beleza,
Com a doçura de mulher.
Ela se transforma num fruto
Que o homem gosta e quer.

Somos todos irmãos nestas andanças,
Até parecemos crianças
A enfeitar esta galeria,
Ó que alegria e prazer
Misturam-se ovos, farinha e fermento,
Ó meu Deus apaga o meu sofrimento
Que eu não quero mais morrer.

Nesta plenitude de vida,
A Galeria me dá guarida,
Para eu dizer a poesia
Que me enche de satisfação.
Há luz da vontade divina,
Deus ditou a minha sina
E me afaga o coração.

Coração que fica quentinho,
Quando recebe um portinho,
E se afina a garganta ressequida,
A Alma rejuvenesce,
E quem aqui vier nunca esquece,
Porque a Galeria Vieira Portuense
É o fruto de uma vida.

JOÃO BERNARDO…. VIVA A GALERIA VIEIRA PORTUENSE