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sábado, 23 de junho de 2018

DEUS



DEUS

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro,
Dizendo-me Aqui estou!

(Isso é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Como o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo ávores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Lido por Alcino Amado

terça-feira, 19 de junho de 2018

Poesia na Galeria Junho

 Adolfo Castelobranco
 Beatriz Maia
 Carlos Gomes
 Manuel Maia e Paraty
 Manuel Maia
 Dina Magalhães
 Dulce Pinho
 Armando Pereira
 Alice Santos
 Manuela Caldeira
 Irene Costa
Alcino Amado

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

PORTO D’OUTRORA


PORTO D’OUTRORA

No granito duro, cinza,
descendo até ao Douro
ergueu-se a Villa
cercada de barcos obreiros
onde o peixe bulia,
onde os produtos da terra
estendiam as suas cores,
os intensos cheiros
nos açafates empilhados.
Gente de sotaque fechado,
coração cheio,
ajuda a atracar
com mãos de paz,
a proa no cais das saudades.
Nas cabeças os cabazes,
nos pés descalços a ligeireza
de quem precisa ganhar
o pão nosso de cada dia.
Avé Maria, Avé Maria,
dizem os sinos às Trindades,
persignam-se as fressureiras
preparando as miudezas
na Rua do Sol,à tardinha.
Os gordos galos das cercanias
baloiçam na giga de vime
a caminho dos mercados.
Carros de bois chiando
poisam frente a S. Bento,
toros de pinho descarregados
levados pelo trem de ferro
a caminho da Europa.
O Porto era um frenesim,
barulhento, colorido,
agradecendo a Deus
o caldo do fim do dia.

Maria Olinda Sol
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2017”

Lido por Alcino Amado 

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Poesia na Galeria - Janeiro

 António D. Lima
 Jorge Carvalho
 Silvino Figueiredo
 Dina Magalhães
 Mayke
 Alice Branco

 Alice Branco a interpretar os quadros do Luís Pedro Viana
 Alcino Amado
 Adolfo Castelbranco
 Acilda Almeida
 Agostinho Costa
 Luís Pedro Viana
 Aida Duarte