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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

54 ANOS DEPOIS


54 ANOS DEPOIS

  
Fez 54 e quatro anos que parti
Num cruzeiro que me foi oferecido
Eu, contra a minha vontade não o recusei
Porque tal não me era permitido

Na viagem imaginei bons hotéis
E belas salas de jantar
Meses, foram vinte e seis
Com visitas a vários lugares

De tudo vi e, aos poucos
Apreciei muito, tanta beleza
Mas encontrei muitos colonos
Com falta de delicadeza

Sois carne para canhão
Diziam os bons Samaritanos
Eu pensava então
Porque defendemos estes fulanos!?

Vi muito fogo-de-artifício
Que tudo estremecia ao rebentar
Era o fim ou o princípio
Dos que tinham sorte ou azar

Prometi a minha mãe o meu regresso
E fi-lo, mais sábio, e da vida com outra visão
Para mim foi o começo
De reconhecer o mal desta pobre nação

E é nesta imensa revolta que sinto
De os soldados mortos não serem respeitados
Ainda no presente eu grito
Devolvam os combatentes tombados.

Foz do Douro 09 de Fevereiro de 2019
António D. Lima

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Poesia na Galeria Fev 2019

 Maria Augusta da Silva Neves
 Helena Duarte
 António D. Lima
 Maria Adelina Gomes
 Maria Teresa Nicho
 Celso Miranda
 Beatriz Maia
 Carlos Gomes
 Artur Barrios
 João Pessanha
 José Faria
 José Guterres

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

AOS POETAS




AOS POETAS

Somos nós
As humanas cigarras.
Nós,
Desde o tempo de Esopo conhecidos...
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos,
A passar...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras.
Asas que em certas horas
Palpitam.
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
Mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestréis
Duma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia-a-dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

Miguel Torga
lido por António D. Lima

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Poesia na Galeria 15-12-2018

 António D. Lima





 Fernanda Cardoso
Agostinho Costa
 Agostinho Costa

  


 José Oliveira Ribeiro

 José Faria
 Maria Teresa Nicho
 Conceição Lages
António Gonçalves
 Fernanda Pereira
 Maria Afonso Morais
 Fernanda Santos
 António D. Lima
 José Faria
 Adelina Gomes

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O MEU IMPOSSÍVEL



O MEU IMPOSSÍVEL

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!

Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
E nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...

Florbela Espanca
in “Sonetos”
lido por António D. Lima

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Poesia na Galeria Julho 2018

 Maria da Glória
 Maria da Glória
José Oliveira Ribeiro
 António D. Lima
 Maria Teresa Nicho
 Dina Magalhães
 Isabel Moura
 João Pessanha
 Manuel Maia
 Silvino Figueiredo
 Conceição Oliveira
 Conceição Oliveira

 Fernanda Santos