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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Acilda Almeida

Foi por ti

Foi por ti que erigi os meus castelos
Foi por ti que corri contra o vento
E como Sísifo levei para diante
A pedra que me conduzia ao sofrimento.
Foi por ti que corri a direito
Impelida pelo sonho que acenava
E deixei para trás as minhas pérolas
Que em enlevo secretamente guardava.
Foi por ti que palmilhei o deserto
Em busca da planura procurada
E sem pejo engoli o travo do pó
Seduzida pela harmonia tão buscada!
Foi por ti que encarcerei as marés vivas
Que revoltosas buscavam a lisura
Foi por ti que corri olhando em frente
Esquecendo a verdade que fosse dura!
Por ti corei sem dizer nada
E depus meu véu que me resguardava
Em êxtase deliciei-me com meu novo eu
Que resplandecia e inebriado se encantava….
(Acilda Almeida)


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

QUEM ME QUISER



QUEM ME QUISER

Quem me quiser há-de trazer
Brilho intenso nos olhos do luar
Conchas abrindo em luzidia flor
Marulhos prontos a acalmar...
Quem me quiser há-de trazer
Açucenas floridas no Inverno
Jasmim perfumando o que sou
Tomilho no regaço para me dar...
Sim quem me quiser há-de trazer
O deslumbrado brilho de um só dia
A frescura do orvalho matinal
O cheiro da maçã, da malvasia
O esplendor da terra refrescada
Em carícias de vento sem se ouvir
O cântico da terra que se abre
Florindo em seu pujante devir...

Sim quem me quiser tem de trazer
A doçura da palavra inominda
O cântico de Orfeu na sua voz
Para ouvir em silêncio inebriada
Pois quem me quiser há-de ser sempre
Mago em tudo o que disser
Ou então ficará só ao meu lado
Julgando de mim tudo saber.

Acilda Almeida

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Poesia na Galeria Setembro 2019

 António Monteiro
 Manuel Maia
 Acilda Almeida
 Conceição Oliveira
 Fernanda Cardoso
 Manuela Caldeira
 Dina Magalhães
 Paraty
 Alice Santos
 Vitor Cordeiro
 Serigrafia de Avelino Rocha para sorteio
 Acilda Almeida retira o número sorteado
 Fernanda Santos a sorteada da sessão
 Fátima Ferreira, Manuela Caldeira, Maria Afonso Morais, Helena Duarte, 
Fernanda Santos e Acilda Almeida
Fernanda Cardoso e Maria de Lourdes Ferreira

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A GRALHA VAIDOSA



A GRALHA VAIDOSA

Certo dia o pai dos deuses
Grande nova fez saber
Ia convocar os pássaros
 E um soberano escolher.

Assim marcou uma data
P'ra cada um comparecer
E diante do seu trono
O mais vistoso eleger.

Logo cada uma das aves
Para mais bela se tornar
Se banhou num limpo arroio
E as penas pôs-se alisar.

A gralha também lá estava
Só que já tinha a certeza
Que sendo grande feiura
Não conseguia a proeza.

Vendo que todos se foram
Pôs-se logo a arquitetar
Um plano bem infalível
Que todos fosse lograr.

E com cautela uma a uma
Penas do chão apanhou
E sobre a sua plumagem
Habilmente as colocou.

E logo que assim se viu
Disse então deliciada:
- Pobre desta passarada
Como vai ser enganada!

E antevendo-se rainha
Se pôs a conjeturar
Artimanhas bem urdidas
Usadas p'ra governar.

E chegando então o dia
Feliz em seu desfilar
A gralha perante Júpiter
A exuberância fez notar.

Estava de facto vistosa
Não havia outra ave igual
Pois de todos a plumagem
Tornava a ave irreal.

Não havendo qualquer dúvida
Vencedora foi eleita
Tendo recebido a coroa
Largo discurso deleita.

Conhecendo suas penas
Logo todos se indignavam
E avançando sobre a gralha
Com vigor as arrancavam.

-Estas são de todas nós
Protestavam revoltadas
Querias passar por bela
 Usando penas furtadas!?

A gralha quis defender-se
Daquelas falsas ofensas
Mas não consegue negar
Face a reais evidências.

Logo se viu desnudada
Da sua falsa beleza
Não é só com aparência
Que se chega à realeza.

Acilda Almeida

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Poesia na Galeria 17-08-2019

 Dionísio Dinis
 Dina Magalhães
 Acilda Almeida
 António Monteiro
 Pompeu Dias
 Manuela Caldeira
 Eunice Amorim
 Adolfo Castelbranco e Eunice Amorim
 Eunice Amorim
 Eunice Amorim

Alice Branco a sorteada da sessão

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

SE TE FALO DO MEU CAMINHO



SE TE FALO DO MEU CAMINHO

Se te falo do meu caminho, abres o teu sorriso
E declaras que a geografia e a irregularidade do meu eu
Não se tece nas teias do tempo que me proponho tecer
Que não devo querer manhãs acetinadas e luminosas
Mas um dia alegre, mas levemente sombrio
Abrindo asas na aridez do descampado humano...

Se te falo do meu caminho, com solicita prontidão
Indicas-me as fragas nas quais vou resvalar,
As torres de marfim que vou ter de conquistar
As casas inabitadas onde em recatada surdina
Exausta de tanta procura inútil, de tanto labor
Eu terei finalmente, sem recusa, que me deitar...

Se te falo do meu caminho, tu que me havias jurado
Para sempre meu percurso também trilhar
Mostras-me as rochas inertes em vias de desabar
As perenes montanhas gélidas e sombrias
O tremer da terra no seu eterno devir
Os rios que as montanhas têm de galgar
E o enorme mapa-mundo colorido e intenso
Onde é difícil meu caminho encontrar...
E a conduta de outrem para a minha orientar.

E eu sozinha rasgo meu sorriso ensanguentado...
E não te negando a inutilidade do que me disseste
Procuro na brancura recatada do meu ser
Tudo que sapientemente me havias negado
Sabendo de antemão não querer serena brandura
Nem a planura que me haviam ofertado
Pois sempre soube que mesmo exaurida
Buscarei em êxtase meu longo véu rasgado...

Acilda Almeida

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Poesia na Galeria Julho

 Conceição Oliveira
 Vitor Cordeiro
 Lourdes Alegria
 António Monteiro
 Acilda Almeida
 Manuela Caldeira
 Agostinho Costa
 Serigrafia para o sorteio da sessão
 Helena Maria Simões Duarte, a sorteada do dia
 Alice Santos e Alice Branco


 Alice Santos e Fernanda Cardoso



terça-feira, 25 de junho de 2019

QUANDO PARTIR



QUANDO PARTIR

Quando um dia partir levarei comigo
Nos olhos o esplendor da madrugada
As manhãs acetinadas e de luz intensa
E a claridade etérea e inviolada...

Minhas cinzas dispersas unir-se-ão
À candura do mundo ainda intacto
E vogarei nos espaços surreais
Bebendo a perfeição em sorvo lato.

E do que fui guardarei então em mim
A luz alva e dos aromas a doçura
E murmúrio do mar, sua voz rouca
A frontalidade, a verdade e a lisura...

E com elas traçarei novo caminho
Quando um dia de novo ressurgir
E das ânsias indomáveis guardarei
Sua força que então hei-de seguir...

Acilda Almeida

quarta-feira, 19 de junho de 2019