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sábado, 3 de janeiro de 2015

POEMA DA MORTE NA ESTRADA



POEMA DA MORTE NA ESTRADA

Na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
estão quinhentos mortos com os olhos abertos.
A morte, num sopro, colheu-os aos molhos.
Nem tiveram tempo para fechar os olhos.
Eles bem sabiam dos bancos da escola
como os homens dignos sucumbem na guerra.
Lá saber, sabiam.
A mão firme empunhando a espada ou a pistola,
morrendo sem ceder nem um palmo de terra.
Pois é.
Mas veio de lá a bomba, fulgurante como mil sóis,
não lhes deu tempo para serem heróis.
Eles bem sabiam que o último pensamento
devia estar reservado para a pátria amada.
Lá saber, sabiam.
Mas veio de lá a bomba e destruiu tudo num só momento.
Não lhes deu tempo para pensar em nada.
Agora,
na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
são quinhentos mortos com os olhos abertos.

António Gedeão
Lido por Gabriela Sá

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

POESIA NA GALERIA - Dezembro de 2014

 Manuela Caldeira
 Acilda Almeida
 Alice Branco
 Luís Pedro Viana
 Gabriela Sá
 Cristina Maya Caetano
 Aires Barros


  Agostinho Costa sorteia a obra de Adi Adi Steurbaut