E SEMPRE O OUTONO...
Corre pelo vácuo
o fogo.
E sobe sempre
sempre
sempre
no alinhamento da liberdade
onde se extingue...
Gosto de contemplar
e relaxar
ao som da chama.
É a mesma chama que arde em cada outono
precoce
em cada tronco desnudo
quando as sombras se diluem nuas
paredes acima
alisando fuligem
amaciando espíritos
grudados na chaminé. Impávida...
O fogo impede as palavras
retidas na boca seca
ilumina os rostos
que escutam o crepitar de pinhas incendiadas
a cada suspiro.
O vinho completa o cenário.
As mãos tocam-se.
E as bocas aguardam o erguer de taças.
Conceição Oliveira
in “Palavral de
Cristal - Colectânea de Poesia Volume V”
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