FALO-TE DE ABRIL
Não será ainda a
Primavera
a brisa a
teia
para a seda perfumada de
teus cabelos
Não será esta ainda a
Pátria
que há muito e muito
merecemos
Mas o clamor que nos
atravessa
célula a célula rua
a rua
cidade a cidade
não será em vão que o
soltamos
A brisa
a Primavera
depois de quantas noites
de torva violência
de quanto sangue e
sofrimento
a teia ardente
para a seda perfumada
de teus cabelos
o alqueive
e o estuário a Pátria maternal
que há oitocentos anos
pedra a pedra
neste chão de suor e
amargura
sem descanso edificamos
aí estão companheira
na imensa aurora
que em teu olhar
enfim fulgura
Papiniano Carlos
in “Abril 30 anos trinta poemas”
lido por Céu Guedes
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