quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

DEZ LEIS PARA SER FELIZ


DEZ LEIS PARA SER FELIZ

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pêlo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Augusto Cury
Lido por António D. Lima

SER


SER

Entre ser e não ser
há a sorte e o azar,
o jogo, a roleta,
a missa e o missal,
o saltinho de pardal
pronto a elevar a moral.
O ir e voltar,
o lago dos cisnes
na rua dos Clérigos,
o violoncelo e a espada,
o riso que se solta,
a alma que dói.
O mar, a largueza,
os dias que duram, duram.
Os deuses, as ilhas,
as promessas prometidas,
as falhadas, as perdidas,
o segundo que falta
o ânimo indo
no bico da águia velha.

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

GALERIA VIEIRA PORTUENSE


GALERIA VIEIRA PORTUENSE

Galeria Vieira Portuense
Largo dos Lóios, cidade do Porto
Há tertúlia mensal, não dá torto
Honrando Poesia, sempre vence.

No terceiro sábado lá estamos
E convivendo, lendo é Cultura
Aos presentes sempre grande ventura
União poética, estimamos.

Cerca de três dezenas de amantes
Há foto de família no final
Interesse é sempre como dantes

Não falta Vinho do Porto, bestial
Bolinho para todos semelhantes
Tertúlia assim não há igual!

Arnaldo Teixeira dos Santos
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2017”

CANTO DA PRISIONEIRA GRÁVIDA


CANTO DA PRISIONEIRA GRÁVIDA

É toda cheia de tonturas esta mágoa.
Hoje, dentro de mim, ouvi o meu filho chorar,
não por fome de pão, nem por sede de água,
- Por fome e sede da «Sonata ao Luar».

Isto das grades é decerto um pesadelo...
Filho, meu filho, nós iremos passear
pelo campo florido... E hei-de soltar o cabelo,
hei-de soltá-lo na «Sonata ao Luar».

Aqui, julgam que ter um filho é chamar a parteira...
Mas o chão às vezes começa a dançar,
e eu tenho medo, e sinto náuseas e canseira,
e fome e sede da «Sonata ao Luar».

Pesa-me o corpo. Não quero ver as grades...
Quero passar as mãos por veludos macios,
suaves como lembranças de saudades...
Mas na prisão só há sombras, calafrios,
lábios mordidos porque não querem gritar...
Os minutos de calma são raros, tão raros...

Dêem-me... dêem-me a «Sonata ao Luar»,
para que o meu filho tenha os olhos claros.

Sidónio Muralha
in “Poemas”
Lido por Beatriz Maia

NATAL


NATAL

Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

- Mas quando será de todos?

Sidónio Muralha
in “Obras Completas do Poeta”
Lisboa, Universitária Editora, 2002
Lido por Carlos Gomes

VINICIUS DE MORAES


VINICIUS DE MORAES

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o património de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

PROCURA-SE UM AMIGO

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Lido por José Carlos Costa

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Poesia na Galeria Nov 2017

 Agostinho Costa e José Martins Pereira
 Agostinho Costa
 Conceição Oliveira
 Eunice Amorim
 José Martins Pereira e Luís Pedro Viana
 Agostinho Costa com a serigrafia para o sorteio


 José Carlos Costa foi o sorteado da sessão
Fátima Cardoso, Helena Duarte, Acilda Almeida, Manuela Caldeira, Fátima Ferreira, Maria Teresa Nicho, Maria Olinda Sol, Isabel Moura, Irene Costa

Poesia Nov 2017

 Artur Cardoso
 Fátima Cardoso
 Dina Magalhães
 Alice Branco
 José Lacerda Megre
 Luís Pedro Viana

 Irene Costa
 Manuela Caldeira
 Acilda Almeida
 Maria Teresa Nicho

Poesia na Galeria Vieira Portuense Nov 2017

 Adelina Gomes
 Maria Graço Melo
 Adolfo Castelbranco
 Agostinho Costa
 César Carvalho
 Nelson Neves
 Alzira Santos
 Helena Duarte
 Helena Duarte e José Lacerda Megre
 António D. Lima
 João Bernardo
 Bi Rodrigues

Poesia na Galeria Nov 2017

 Ângela Carvalho
 José Carlos Costa
 Aurora Gaia
 Vieirinha Vieira
 Mayke
 Celso MIranda
 João Pessanha
 José Martins Pereira
 Jacinta Quelhas
 Filomena Fonseca
 Angelino Santos Silva
 Marília Teixeira
Alice Santos