quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

POETIZOS DA GALERIA


POETIZOS DA GALERIA

Ser poetizo é ter a arte de "clicar"
entender significação do termo "enter''
corrigir no Google múltiplos erros
"clean" o que não tiver sequer sentido,
e no fim exclamar: Sou um "poeta!"

Depois permitir-se (pouco) esperar
o momento de mostrar "o saber",
colocar em verso 'palavra desterros
para rimar mesmo antes de lido,
aguardando ovações com ar "pateta".

Ser poetizo é escrever um poeminha
pouco antes de ir para a caminha
depois de jantar uma canja de galinha.

E é "envejar" o talento dos dotados,
atribuir-lhes o rótulo de coitados,
pompearem-se ao serem fotografados

Cito Loio

20/11/2017

SETE PECADOS CAPITAIS


SETE PECADOS CAPITAIS

Na arte foram tratados
Descritos em tanta escrita
Em ambas são só pecados
Pecados da nossa vida

Foram tantos os sinais
Deixados na nossa vida
São pecados capitais
De uma alma perdida

Para quê enuncia-los
Se foram a perdição
Só temos que abandona-los
Com muito amor no coração


Celso Miranda

MUSA PERDILECTA


MUSA PERDILECTA

Quanto pagais senhor por um broche?
- ele respondeu: _ Subi para o coche
que vos vejo formosa e audaz donzela
e vinde e mostrai dominardes toda 'cela!

Num supremo gesto, fez sinal ao cocheiro
e prosseguiram 'caminho do Mosteiro,
ela insinuante, exalando fresca aragem
pouco se importando com a paisagem
visivelmente muito mais interessada
n'amostragem de dotes de dama prendada.

Que nome tendes hoje linda princesa
vejo pelo porte serdes portuguesa
acaso andais desolada por aí perdida
ou sentis adentro fundo a alma ferida?

Ela olhou fixamente o anel com brasão,
uma coroa d'ouro jorrada pelo chão,
enrolado manto, quase que jurava real,
e de pertença D'el-Rei de Portugal.

Meu nome para vós será apenas Inês
sou filha legítima de quem me fez
e s'acaso senhor mais quiserdes saber
digo-vos que nada tenho pr'oferecer
pois gastei sonhos vendi a virgindade
caminhava ainda pela tenra idade...
...mas senhor descontada 'coscuvilhice
será crime ou para vós palermice
saber esta súbdita qual vosso nome
ou tereis dignificante e nobre cognome?

No íntimo do meu ser direi por resposta
ser dono da terra de nascente à costa
palmilho caminhos de norte para sul
sem certeza q'o mar sempre se verá azul
por tal confio ser a água cristalina
como primaveril me parece a vossa sina

Que receais dizei-me garboso senhor
porventura negará que padece de amor?

Por segurança chamai-me tão só Pedro
de denominação futura rei sem medo
quando prevejo 'salão alagado de sangue
e minha amada prostrada já exangue

Dizeis que tendes algo a ver com reino!
(pausa)
se a resposta for silêncio não teimo...

Finde-se por não ser minh'esta história
nem adulterá-la me traria mera glória,
e séculos depois, também por amor morreu
quem não viu quanto o marido padeceu,
fazendo dela a sua musa predilecta
reconhecendo ser o seu único filho poeta.

Cito Loio

(a minha prenda de aniversário) 28/10/2017
Lido por Adolfo Castelbranco, Alzira Santos e Manuela Caldeira

DOIS POEMAS DO SONHO


DOIS POEMAS DO SONHO

Quando as pálpebras caíram nos diversos
recantos da cidade,
cada vagabundo só se conhecia a si mesmo,
à sua miséria e ao seu desgosto da vida.

Mas o vento fustigou-os indiferentemente
e a chuva ensopou-os a todos da mesma
maneira inóspita e miserável.

E o sonho subiu e juntou-se ao ar.
Cada velha sinfonia se desflorou numa nova
sinfonia.
A chuva secou nos fatos e as lágrimas nos
olhos.

E quando as pálpebras se ergueram nos
diversos recantos da cidade;
todos os vagabundos se conheciam
e sorriam uns para os outros.
Mário Dionísio

Lido por José Carlos Costa

POEMA A UM HOMEM SÓ


POEMA A UM HOMEM SÓ

Triste, melancólico abandonado
Não pretende que dele tenham dó
Prefere a mente e o corpo torturado
Sem pena ou mágoa de ser um homem só
Escolheu esta vida levar
Por um seu grande amor perdido
Não por este o deixar
Mas por nunca o ter vivido
No seu peito sofre seu coração
Por tanto tempo perdido
Com uma falsa paixão
Que no tempo jaz esquecido
Que de si não haja dó
E nunca lhe traga a sorte
Prefere viver triste e só
Que inerte no sono da morte...


Celso Miranda

O MEU NATAL DE ANTIGAMENTE

Quando era menina não havia Pai Natal nem Árvore de Natal.
Armava-se o presépio com chão de musgo
rochas de cortiça virgem ervas a valer pedrinhas de verdade
e searinhas que se semeavam em pires e latas vazias
no dia 8 de Dezembro
e eram o pequeno milagre o primeiro
a despontar dos grãos de trigo e a crescer todos os dias.
As criaturas do presépio eram de compra
mas também moldei algumas em barro fresco.
Uma vez urna das minhas tias fez casas e igreijinhas de papel
e acendemos velas lá dentro.
Foi um deslumbramento a luz a sair pelas janelinhas!
Mas ardeu tudo de repente.
Desde então só a lamparina de azeite continuou a alumiar
esse parco mundo pobre.

No meu Natal de antigamente havia menos presentes.
Os meninos não exigiam esses brinquedos extrabíblicos:
computadores, jogos de computadores, cêdêroms, sei lá.
Nem o Menino Jesus podia com tanto peso!
Sim, porque no meu Natal de antigamente era o Menino Jesus
quem dava as prendas.
Púnhamos, na véspera, o sapatinho na chaminé
mas tínhamos que ir para a cama esperar pela manhã
porque Ele só descia pela calada da noite
se ninguém estivesse à espreita
(hoje o Pai Natal não tem esses pudores).
Eu imaginava-o a saltar das palhinhas nuzinho em pêlo
e a Nossa Senhora a agasalha-Lo logo com a sua capa.
E lá ia Ele como um menino pobre/enrolado no casaco do pai
a contentar todas as crianças do mundo.
O Pai Natal, esse, foi encarregado (não sei por quem)
de dar presentes a pequenos e grandes.
Com o Menino Jesus tudo ficava entre meninos.
E se a prenda não agradava
a gente fazia-lhe uma careta
e até, à socapa, chamava-lhe um nome feio.
O Pai Natal é um palhaço cheio de postiços:
barba bigode cabeleira
até a barriga é uma almofadinha.                                                                                    .
E vai à televisão convencer-nos a comprar coisas.
Agora o Natal antecipa o Carnaval.
O Menino Jesus, esse não! nunca ia à televisão
(que para dizer a verdade não existia ainda.)

Mas que menino de hoje trocaria o seu Pai Natal
(gerente de um supermercado de prendas)
pelo meu Menino Jesus a tiritar nas palhas?

Teresa Rita Lopes

Lido por Alzira Santos

EGO(EX)CENTRICOS


EGO(EX)CENTRICOS

este joio de palavras
que o “poeta” nos oferece
no seu pavonear.
pensando que verseja,
vomita pobre rimar,
que ouvir ninguém merece,
em alegre cacarejar.
solta palavreado
sobre o nada
e sobre o tudo,
emdesritmado grasnar,
versinhos sem conteúdo.
une palavras,
mais palavras,
muitas e muitas palavras.
com frases surripiadas
constrói “poemas tântricos”,
que diz ao som
das próprias risadas.
…são assim os poetas
egoEXcêntricos.

Eduardo Roseira

Lido por António D. Lima

NATAL DA MINHA INFÂNCIA EM CABECEIRAS DE BASTO


NATAL DA MINHA INFÂNCIA EM CABECEIRAS DE BASTO

Quando eu era pequenina
Como era o meu Natal?
Era tão bonito em 1940 e tal,
Há mais de 70 anos
Nunca mais vi outro igual.

Eu e as minhas 5 irmãs
Não pensava-mos em mais nada,
Ansiosas que chega-se
A noite da consoada.

Depois á volta da fogueira
Na companhia de nossos Pais
Estava-mos todas animadas,
A comer as couves com bacalhau
Aletria e as rabanadas.

No fim punha-mos os sapatinhos
Ou as soquinhas na lareira,
E depois do terço rezar,
Pedia-mos a bênção aos Pais
E íamos nos deitar.

Mas nem dormia-mos
A meio da noite Levantava-mos
Muito devagarinho, vínhamos
Cá a baixo e acendia-mos a luz,
E já lá estavam as prendinhas,
Quem as trouxe?
Foi o Menino Jesus!...

Ficávamos tão felizes
Contentava-mos com pouquinho,
Para nós já era muito,
Uns figos, uns rebuçados,
Umas meias ou um lencinho.

Agora que temos quase tudo
O valor não é igual,
Já não é o Menino Jesus que dá
Dizem que é o Pai Natal!

Mas para mim continua a ser o
Menino Jesus e não peço presentes
Apenas dois favorzinhos, que ajude
Todos os meus Amigos,
Meus Filhos e meus Netinhos.

Dina Magalhães

15/12/2017

PEDROGÃO 2017


PEDROGÃO  2017

Ardeu tudo,
o fogão,
o cadeirão herdado,
o gato Pitusca
de pelo emaranhado,
o cobertor pardo
comprado na feira da vila,
As roupas, os sapatos,
as fotografias ilustrativas
das festas, das viagens,
das etapas mais significativas
das suas vidas.
As compotas,
o leite das cabras
ordenhado de manhãzinha,
os livros da primária
guardados como troféu.
O terço, o relicário
ofertado pela avó.
As galinhas, os ovos frescos,
o pão cheirando a forno centenário.
Os bombeiros não chegaram,
o INEM não apareceu,
a GNR passou ao lado,
neste abandono conjugado
a alma morreu também.
O corpo ficou,
o vazio em cada mão,
rodando o saco negro
oferecido pela caridade
queimando mais uma vez
ao limpar sem pejo
as grandes falhas do Estado.

Maria Olinda Sol

Lido por Agostinho Costa

RIO DOURO


RIO DOURO

Rio Douro que nasce em Espanha
Terminando na cidade do Porto
Província com seu nome a banha
Ao vê-lo eu fico muito absorto.

No passado tinha barcos Rabelos
Agora tem turísticos cruzeiros
Uns e outros sempre dá gosto vê-los
Num Portugal de grandes marinheiros.

Uns, antigamente vinho traziam
Agora outros levam os turistas
Que ficam encantados no que viam

Socalcos e vinhas que dão nas vistas
E dizem ao mundo o que sentiam
Património de nossas conquistas. 

Arnaldo Teixeira Santos

in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2017” (edição de Novembro) 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Foto de Grupo Dezembro de 2017




Poesia na Galeria 16 Dezembro 2017

 José Oliveira Ribeiro
 Luís Pedro Viana
 Kim Berlusa

 Vitor Cordeiro
Irene Costa
 José Guterres
 Dina Magalhães
 Alzira Santos
 Manuela Caldeira

 Alice Santos
Paraty
Luís Pedro viana
 Agostinho Costa faz o sorteio da gravura de Avelino Rocha
 Goreti Dias foi a sorteada da sessão

Manuela Caldeira, Helena Duarte, Maria Olinda Sol, Acilda Almeida e Alzira Santos

Poesia 16 de dezembro

Goreti Dias
 Celso Miranda
 Silvino Figueiredo

 Alzira Santos
 Helena Duarte
 José Carlos Costa

 Angelino Santos Silva
 Acilda Almeida
 Lúcia Martins
 Agostinho Costa

 Maria Teresa Nicho
 Adolfo Castelbranco
 Adolfo Castelbranco e Alzira Santos
 Adolfo Castelbranco, Alzira Santos e Manuela Caldeira

Poesia na Galeria Dez 2017






 Agostinho Costa

 Arnaldo Teixeira Santos
 Guilherme Andrade
 António Gonçalves
 José Guterres
 João Bernardo
 António D. Lima
 Aurora Gaia
 Graça Silva
 Artur Cardoso

Manuel Maia