quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

PALAVRAS RIMADAS EM VIDAS SEM RIMA


PALAVRAS RIMADAS
EM VIDAS SEM RIMA

Há quem veja até poesia
na merda de vida vazia,
misto de vómito e apatia,
vivida no seu dia-a-dia.

Há quem se finja preenchido,
e até quiçá ainda iludido,
numa vida já sem sentido
e fazendo o maior alarido.

Há quem de tão ignorante
acredite ser o mais brilhante,
e por tamanho o desplante
se torne até provocante.

Há quem tenha a petulância
e ache em primeira instância,
que até a sua arrogância
é a mais bela fragrância.
Há quem seja tão idiota,
se pense o único sem batota,
e chame de caviar à bolota
pensando que ninguém nota.

Há quem tenha por panaceia
soltar palavras em verborreia,
numa quase autêntica diarreia,
para que um dia alguém leia.

Há quem se deleite a filosofar,
num barato e oco desfiar
de arremessos para o ar,
procurando apenas brilhar.

Há quem se ache polivalente,
mesmo quando engana e mente
e vai bajulando toda a gente,
achando-se mais inteligente.

Que é feito afinal da coerência,
hoje quase uma demência,
se ter duas caras é valência
e deslealdade pura apetência?

Então… e eu?
Será que vivo no breu
e este mundo também é meu
mas acho que vivo no céu?


Lido por Ricardo Santos

SENSUAL… FEMININA…


SENSUAL… FEMININA…

Gosto de ir ao banco
em dia de neblina
corro tanto, tal um ganso
só para ver a menina

Como é bom ver a menina
com figura tão esbelta;
sensual e feminina
inteligente, linda e esperta.

Os seus lábios de carmim
e um corpo bem moldado,
com um cheiro de jasmim
e um rosto bem pintado.

É tão linda e gosto tanto
que me dá excitação: ...
O seu corpo é um encanto
que estremeço de paixão

Veste bem é generosa,
mostra as pernas bem bonitas
como ela é gostosa,
e tem faces femininas

Podes-me achar maluco
isso, não me importo nada
o que sinto é mesmo tudo
sensação, apaixonada.

És um ser maravilhoso,
mulher de muita ventura
doce muito gostoso,
mulher de muita ternura.

Tudo em ti é muito bom.
O teu corpo é um enigma;
tem doce tom
nesse seu ar de menina.

Se disser tudo o que sinto,
tanto tinha para dizer
és um sonho e não minto,
uma fonte de prazer.

Agosto 90

Mayke

O PASSEIO DE SANTO ANTÓNIO


O PASSEIO DE SANTO ANTÓNIO

Saíra Santo António do convento,
a dar o seu passeio costumado
e a decorar, num tom rezado e lento,
um cândido sermão sobre o pecado.

Andando, andando sempre, repetia
o divino sermão piedoso e brando,
e nem notou que a tarde esmorecia,
que vinha a noite plácida baixando...

E andando, andando, viu-se num outeiro,
com árvores e casas espalhadas,
que ficava distante do mosteiro
uma légua das fartas, das puxadas…

Surpreendido por se ver tão longe,
e fraco por haver andado tanto,
sentou-se a descansar o bom do monge,
com a resignação de quem é santo...

O luar, um luar claríssimo nasceu.
Num raio dessa linda claridade,
o Menino Jesus baixou do céu,
pôs-se a brincar com o capuz do frade.

Perto, uma bica de água murmurante
juntava o seu murmúrio ao dos pinhais.
Os rouxinóis ouviam-se distante.
O luar, mais alto, iluminava mais.

De braço dado, para a fonte, vinha
um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha,
ele trazia... o coração no peito.

Sem suspentarem de que alguém os visse,
trocaram beijos ao luar tranquilo.
O Menino, porém, ouviu e disse:
— Ó Frei António, o que foi aquilo?...

O santo, erguendo a manga do burel
para tapar o noivo e a namorada,
mentiu numa voz doce como o mel:
— Não sei que fosse. Eu cá não ouvi nada.

Uma risada límpida, sonora,
vibrou em notas de oiro no caminho.
— Ouviste, Frei António? Ouviste agora?
— Ouvi, Senhor, ouvi. É um passarinho...

— Tu não estás com a cabeça boa...
Um passarinho a cantar assim!...
E o pobre Santo António de Lisboa
calou-se embaraçado, mas, por fim,

corado como as vestes dos cardeais,
achou esta saída redentora:
— Se o Menino Jesus pergunta mais,
Queixo-me à sua mãe, Nossa Senhora!

Voltando-lhe a carinha contra a luz
e contra aquele amor, sem casamento,
pegou-lhe ao colo e acrescentou: — Jesus,
são horas...
E abalaram pró convento.

Augusto Gil
in “Luar de Janeiro”

Maria Antónia Ribeiro

VIEIRA PORTUENSE


VIEIRA PORTUENSE

Galeria emblemática
Nesta bonita cidade
Pintura poesia catedrática
Espaço da interagilidade.

Tertúlia exposições
Música escultura magia
Fazem palpitar corações
Declamadores amantes da poesia.

Protocolos internacionais
Constam de sua ementa
Porto vinho doces regionais
A especialidade suculenta

Pilar desta galeria
Agostinho historiador
Tudo o que faz pura magia
Vieira portuense nobre valor.


João Pessanha

O OLHO DO CÚ


O OLHO DO CÚ

"Entrem meninos e meninas
Senhoras e Senhores"
Hoje na Holanda,
só para apreciadores,
exposição de fotografia.
Esta, sim, é que é a arte do nu,
mas peco-lhe não ria
só por se chamar
"Olho do cú"

Vamos, não façam fretes,
não, não vão por aí,
porque por aí, são as retretes.
Aqui no salão,
sim,... é que é a exposição.
Vamos... entrem...vamos
venham ver
só para entreter!
Pela primeira vez, em grandes planos,
metros e metros quadrados ... de ânus!

À entrada,
meninas airosas
servem os aperitivos
e também dão folhetos
que mais parecem livros.
Por todo o lado
bailarinas vistosas
mas sem... tutu,
oferecem chocolates com a forma
de..."Olho do cú"!

Mas eis que chega o presidente
com aquele ar sorridente,
que vai perdendo lentamente.
A mulher corada,
fingindo-se envergonhada,
no meio do sururu
pergunta: Querido!
Isto é mesmo um olho do cú?

O autor, com ar angélico,
a um canto,
dava autógrafos
em rolos de papel higiénico.
A multidão fazia fila
e ele escrevia,
no rabo duma rapariga.
"Um corpo sem tabu
merece um belo... olho do cú!

António Loio
Lido por Jorge Carvalho

NO OLHAR DO NADA...


"INTEGRADO NA COLECTÂNEA GALERIA VIEIRA PORTUENSE 2015".
VOU DECLAMAR O MEU POEMA.
NESTE CONTEXTO "CRIEI UMA PEQUENA INTRODUÇÃO ALUSIVA AO
"ANO NOVO".

Felicito "as personalidades da Direcção da GALERIA VIEIRA
 PORTUENSE", os seus Colaboradores"
e a todos "Vós!" Com Votos de "Feliz Ano Novo 2018!..."

E para "O MUNDO", aqui deixo "o meu desejo de sempre":
no anseio de um "MUNDO DE AMOR!..."


Assim, - eu digo NÃO! - "À Dor do meu IRMÃO..." que apenas, sobrevive...
"NO OLHAR DO NADA..."

“Homem honrado...”
Lutas... para Viver, queres trabalhar,
procuras... e, procuras em vão...
roubam-te a esperança... negam-te o pão...
e, desnorteado... de coração partido...
já, sem direcção... ficas sem chão...
"No Olhar do Nada..."

“Homem honrado...”
Onde está a tua esperança... para Viver?!
Já estás demais sofrido... e desiludido
sentes-te perdido, um sem abrigo...
"No Olhar do Nada..."

“Homem honrado...”
Vives por viver... já desmotivado...
a sobreviver tão desamparado...
na desgraça e dor...
apavorado neste terror...
“No Olhar do Nada...”

"Homem honrado..."
Como é duro e cruel... o teu viver
e, impotente... por tão pouco eu poder fazer...
eu fico em pungente sofrer...
pelo teu "indigno e miserável" sobreviver...
"No Olhar do Nada…”

"Homem honrado..."
O teu Mundo "é duro e cruel..."
porque "os poderosos e insensíveis...
homens do Mundo; o (des)governam..."
e, "desprovidos "de integridade e humanidade..."
com gestos de desamor... "apenas, "dão valor ao “Ter...”
pela ganância do poder… "esquecem "o valor do “Ser...”
e derrogam gestos edificantes...
"de dignidade pela Natureza Humana!"

Sempre serás "HOMEM Honrado..." porém, Tristemente Derrogado...
"NO OLHAR DO NADA..."

Helena Maria Simões Duarte

01.01.2018

A MINHA ESTRELINHA


A MINHA ESTRELINHA

Nasce a mais bonita estrelinha
tão radiosa na minha vida
como o brilho fulgente e sadio,
é o sol jubiloso que me encaminha
faz a minha existência florida
para preencher o meu vazio.

Divina seja no meu estrelato
bendito o nascer de sua hora
gerada pela natureza,
é como água pura dum regato
que em minha alma aflora
com o brilho da sua beleza.

Brilham estrelas no firmamento
tal como tu brilhas em mim
és brilho imaculado e divinal,
és luz do meu encantamento
estrelinha que brilha assim
espairece todo o meu mal.

De novo eu também renasci
para nunca a deixar apagar
dentro do meu coração,
nasce formosa dentro de mim
a mais bonita estrela a brilhar
o amor da minha paixão.

Artur Cardoso
in “Mares da Alma”

lido por Fátima Cardoso

Nunca te foram ao cú


Nunca te foram ao cú
Nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
Lavadinho, todo nu, gosto!

Sem ter pentelho nenhum
com certeza, não desgosto,
Até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos.

Vou-lhes ao cu
Dou-lhes conselhos,
Enfim... gosto.

António Botto

Lido por António D. Lima 

PENSEI


PENSEI

Pensei fazer um poema
que falasse só de flores
lua cheia sol dourado
paixão beijos e amores,
poente terra molhada
brisa afagando o meu rosto;
mas foi crescendo aos poucos
a tristeza em mim guardada
feita de dor e de pena
que comigo já nasceu
e segue serenamente
os mesmos trilhos que eu
então já não escrevi nada.

Pensei dizer um poema
escrito há um tempo atrás
falava de amor e paz
de esperança e de bondade
mas tomou-me a nostalgia
então perdi a vontade;
fiquei queda e calada
aquele grito abafado
que existe dentro nós
misto de alegria e mágoa
encheu meus olhos de água
afogou a minha voz
e então não disse nada!

Alice Queiroz
in Jardim de Afectos

lido por Isabel Moura

O PODER DO AMOR


O PODER DO AMOR

O poder do amor é grande, capaz
De vencer tudo, é de acreditar
Porque tudo se resume em amar
Sendo assim, totalmente satisfaz.

Seja um homem, uma mulher, rapaz,
Poder do amor poderá lá estar
Chega para isso se queira tentar
Depois se verá que muito apraz.

Sim, amor vence todas as barreiras
Move montanhas, rios, até mares
Pois o terás não fazendo asneiras

Há tempo p’ra tudo, é só quereres
Muita vontade para o tentares
Basta se amem homens e mulheres.

Arnaldo Teixeira Santos

in “Colectânea Amantes da Poesia”, volume II (Maio, 2017)

“SER PORTUGUÊS….”


“SER PORTUGUÊS….”

Não sei se é orgulho ou vaidade
o que sinto em ser humilde e cortês
não importa ser do monte ou da cidade
o mais importante é ser português.

É ter o discernimento bem aferido
dentro do coração com amor e vaidade
ter na alma a graça de ter nascido
e ter modéstia sem alarde.

Ser português é saber ser de Portugal
que importa ser de aldeia, vila ou cidade
é saber distinguir o bem do mal
é ter carácter e dignidade.

Mas ser transmontano ou algarvio
ser regionalista ou popular
é saber viver sem usar de escárnio
é ter brio num país espectacular.

Ser português é ajudar o semelhante
respeitar o amigo ou o desconhecido
é ter o privilégio de indulto brilhante
é legitimo dever e direito concebido.

Um português algures no Universo
é como a mais bonita nota musical
o mais brilhante enaltecedor verso
orgulho nato e vaidade de Portugal.

ArtCar (Artur Cardoso)

in “Marés da Alma”

A DEMOCRACIA QUE TEMOS


A DEMOCRACIA QUE TEMOS

A rua deserta.
Apenas um bêbado
deitado no meio do caminho.
Um bêbado meio adormecido
na noite fria de Outono,
tresandando a álcool e a solidão
Passou uma vendedeira
a caminho da Ribeira,
ourada e sorridente,
jamais esquecerá a ligeireza
com que a polícia
o varreu da rua,
livrando-se do empecilha,
acantonado agora
entre muros  do albergue
da rua da Liberdade.

Maria Olinda Sol

Lido por Agostinho Costa

PORTO D’OUTRORA


PORTO D’OUTRORA

No granito duro, cinza,
descendo até ao Douro
ergueu-se a Villa
cercada de barcos obreiros
onde o peixe bulia,
onde os produtos da terra
estendiam as suas cores,
os intensos cheiros
nos açafates empilhados.
Gente de sotaque fechado,
coração cheio,
ajuda a atracar
com mãos de paz,
a proa no cais das saudades.
Nas cabeças os cabazes,
nos pés descalços a ligeireza
de quem precisa ganhar
o pão nosso de cada dia.
Avé Maria, Avé Maria,
dizem os sinos às Trindades,
persignam-se as fressureiras
preparando as miudezas
na Rua do Sol,à tardinha.
Os gordos galos das cercanias
baloiçam na giga de vime
a caminho dos mercados.
Carros de bois chiando
poisam frente a S. Bento,
toros de pinho descarregados
levados pelo trem de ferro
a caminho da Europa.
O Porto era um frenesim,
barulhento, colorido,
agradecendo a Deus
o caldo do fim do dia.

Maria Olinda Sol
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2017”

Lido por Alcino Amado 

VENTANIA


VENTANIA

A invernosa ventania bate, com fúria
No toldo do café e verga os corpos
No passeio pescando abrigo
Ao som das velas enfunadas
Pela raivosa natureza que tolhe as carnes frias.
Avança o tempo, tempo da madrugada...
Mas só fica a melancolia da rajada
Que nos leva sem vida para a cova fria.
Que me trás o vento no toldo da esplanada
Se curioso fico quando se esvazia?...
O tlim, tlim dos cabos nos brandais,
Som húmido que acompanha as velas e os estais
Que levam "navegautas" a portos derradeiros
Para escapar à invernosa ventania.
Agora ia não contemplo as profecias,
Vivi este presente num passado já distante
Em águas azuis, douradas ao poente sol e
Nos vermelhos para lá do horizonte.
Assim encanta-me o viver neste monte de idade,
Esquecendo a fúria do vendaval.
Ao procurar no leme a roda da alegria,
Por não ser já participante em causas nobres,
Ao som das vagas no costado, as velas
Levaram-me já para abrigo sem destino
Onde procuro ser menino...
Tu, irmão, faz uso da fúria e da ventania
Porque na melancólica rajada terás o fim daqueles
Que te querem pequenino...
O toldo da esplanada amainou.
Não sinto o som, não oiço nada da invernosa ventania.
Por ser verdade que há outros mares planetários.
Outras vidas, outros ais, releva-me o direito
De tudo não ter feito...
Será que me aceitais?

Luís Pedro Viana
19 Janeiro de 2013

lido por Lourdes Alegria

PORTO CIDADE


PORTO CIDADE

Limitado pela estrada
Pelo rio demarcado
Os seus pés pelo mar beijado
Ruas estreitas, Velho casario
Que nos levam até ao rio
Um Porto religioso
Com igrejas e capelas, tão formoso…
Tantas que estas são;
Clérigos, Trindade,
Senhora da Conceição
Foz velha, Lordelo
Todas de traço belo
Carmo e Carmelitas
Irmanadas na oração
Santo Ildefonso, Congregados
Lapa e a velha Sé,
Um Porto cheio de Fé
Casa da Musica, Serralves
Soares dos Reis e Palácio de Cristal
Avenidas alteradas
Ficaram feias por sinal
Cinco Pontes, algo separam
Mas dão beleza ao rio
Navegam barcos em desafio
Sua beleza de primeira
Mostra a Praça da Ribeira
Que da alegria ao rio
Do Porto que eu vi outrora
Já muito pouco resta
Só Turismo há agora
Porque o velho não presta.


Celso Miranda

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

POESIA NA GALERIA - Janeiro 2018



Poesia na Galeria 20 de Janeiro

 Irene Costa
 Joaquina Pinto
 Alice Santos
 Eunice Amorim
 Agostinho Costa encerra a sessão
 Serigrafia de Sérgio Sá para o sorteio da sessão
 Eunice Amorim tira o número do sorteado
 Fátima Cardoso a sorteada da sessão




Poesia na Galeria - Janeiro

 António D. Lima
 Jorge Carvalho
 Silvino Figueiredo
 Dina Magalhães
 Mayke
 Alice Branco

 Alice Branco a interpretar os quadros do Luís Pedro Viana
 Alcino Amado
 Adolfo Castelbranco
 Acilda Almeida
 Agostinho Costa
 Luís Pedro Viana
 Aida Duarte

Poesia na Galeria 20-01-2018

 Ricardo Santos
 Beatriz Maia
 Carlos Gomes
 João Pessanha
 Isabel Moura e Luís Pedro Viana
 Isabel Moura
 Rosário Lemos
 José Faria
 José Oliveira Ribeiro
 Maria Antónia Ribeiro
 Helena Duarte
 Artur Cardoso
 Fátima Cardoso
 Artur Cardoso e Fátima Cardoso
 Guilherme Andrade