quarta-feira, 26 de setembro de 2018

AMIZADE



AMIZADE

Retoma cada amanhecer com alento,
Saboreia devagar cada momento.
Um instante pode ser eterno
Se tecido por fio delicado e terno!

Não esqueças os que imploram
Um simples sorriso teu;
Seca as lágrimas dos que choram
Abraça com alegria o infinito céu!

Abençoa a criança em flor,
A inocência do primeiro amor!
Acaricia cada pétala acetinada

Que a Amizade te ofereça, imaculada!
Amacia com bálsamo cada ferida
E tua alma bendirá cada segundo de vida!

Irene Costa
in “Silencio Branco”

ASSIM OU ... NEM TANTO



ASSIM OU ... NEM TANTO. 152

A ARTE

Riscou no chão a palavra. Soprou o excesso de terra e pediu a todos que a lessem. Alguns, do lado oposto da roda, sentiram que o escrito não se lia, não dizia, falava aleatoriamente de um conceito vago que, nos que ousaram falar, estava baralhado. Ao lado, apurados os olhos, excluídas as crostas da terra que secava, ficavam letras alongadas, tão torcidas que mal se viam, tão determinadas que toda a suavidade que houvesse se perdia no arabesco, no traço que feriu a terra, cortando em ziguezague as letras principais. Todos, no entanto, liam perfeita, de patas para o ar ou de lado, a palavra. Arte é o que fica para resolver ou se resolve numa ideia, disse o que ensinava partindo entre os dedos nodosos o pauzinho que usara para escrever. A Arte, que todos bem conhecem e sabem de cor, é uma ideia tão clara, tão firme, tão leve, tão especial que desaparece na definição de quem a tenta segurar. A palavra que escrevi é só isso, uma palavra de tanto sentido e força que fica como mistério preso nas quatro letras que, em português, a amarram onde quer que se escrevam sem perceber que o que prendem ao conceito se liberta para ser, indizível, o lado mágico das coisas. A arte, acrescentou o mestre, esteve no meu espírito, no vosso, no jeito de andar só com um pé, aos saltinhos por onde pesada, esmagadora e tirana se não deixou definir. Assim é a vida que, à vez, nos prende e liberta, nos arrasta e faz levitar. Alguns de nós viram a palavra vestida de terra, riscada para estar, ser e significar mas nenhum consegue segurar a sua nudez lisa, imponderável como se fosse em si mesma a pele do tempo.

Edgardo Xavier.
Sintra, Setembro de 2018
Lido por Manuela Caldeira

SENTIDOS



SENTIDOS

Vejo a gratidão nos teus olhos
Sarapintados pelo céu atravessado
Na floresta por detrás
Do segredo que escondem
E me confiam.

Cheiro, mas não sinto nada:
Não sinto os odores industrializados,
Que em todos consigo.
És simples como uma folhagem branco,
Deveras opaca.

Ouço uma melodiosa cantilena
De palavras sãs e verdadeiras
Fabricadas no momento
Sem se encruzilharem
Numa rede sem senso

Toco-te, sinto arrepios
Não de frio são inexplicáveis.
É como se fosse a primeira vez
Inoportuna e sem aviso
Que me tocavam.

Saboreio tua companhia
Tão rápida no movimento das horas,
Os sabores do teu coração
Que não precisam de ver, cheirar, tocar, ouvir ou saborear
Para saberem que és um bom amigo.

Raquel Sofia Vaz
in “Poemas Soltos”
lido por Isabel Moura

ESTOU PRESENTE



ESTOU PRESENTE

Se a poesia, me presentear…
já minhas defesas desapareceram,
meu escudo protetor se desfez
e adormeci sem voltar a sonhar!
Se a poesia me der nome...
já não vos posso abraçar, então;
desapareceu o homem, o homem
que ensinou a pensar, ser fiel
e saber amar.
No sofrimento de cada momento
de discórdia e traição; estava a certeza
da minha razão, porque não acreditava
no que me era sedutor!...
Assim, fui... mas estou presente:
(e) em algum coração descontente,
cabe o meu presente... e assim vivo,
vivo na vossa mente.

António P. C. Monteiro
28-29/ Novembro/ 2015

Ó SIBILA



Ó SIBILA

Ó insana profetiza que não soubeste
Pedir à eternidade a juventude
E na ânsia esquartejante não pediste
O frescor e o rubor em plenitude.

Ó insana porque quiseste
O tamanho da vida em grãos de areia
E esqueceste que a grandeza de uma vida
Se erige como teces essa teia.

Ó imprudente devias saber
Não querer essa cobiça esgueirada
Para quê viver tão longamente
Em perpétua velhice enclausurada?

Acilda Almeida
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2018”

E ASSIM SE FEZ MULHER



E ASSIM SE FEZ MULHER

E o pranto se fez em vinho
Seiva da mais pura videira
E eu bebi o vinho
Provei o mel
Comi os frutos rosáceos
Saboreei a carne
E nada, nada me soube a fel.
Era fruto de tenra idade

Por entre dedos
Espremi cerejas
Torci-me em prazer
Gargarejei o leite
Leite que não era azedo
Carne que não tinha medo
_ Era pão sem fermento
Aflição sem tormento.

Faminto "matei" a fome
Gritei por mim
Chamei-me homem
Bebi o vinho
Não reclamei

E o veludo escorregadio
Senti-o
Nos doces lábios
Por onde a língua passeava
_ E não me fartava

E o fruto ingénuo
Doce e perpétuo
Desfez-se em sumo
Tornou-se húmido
Sem lamentos sem gemidos
E foi comido – depois

Amadureceu
Tornou-se adulto
Ficou maduro
Transformou-se em Eu
E para um qualquer
Tomou-se mulher

18/10/1974
Adolfo Castelbranco
in “Gindungo”

INFINITAMENTE APAIXONADOS



INFINITAMENTE APAIXONADOS

Tu és a vida, meu amor, perfume vindo, bella flor
Estamos infinitamente, apaixonados
Olhos brilhantes, a reluzir, o seu sorriso a me seguir
Estamos infinitamente, apaixonados

Corações fartos de paixão, com essa paz da sedução
Estamos infinitamente, apaixonados
O vento leve a soprar, com a sensação de levitar
Estamos infinitamente, apaixonados

E vamos juntos celebrar, o tempo e a vida, vão passar

Vivamos INFINITAMENTE, APAIXONADOS

O criador da criação, ele é amor e compaixão
Que me brindou, tendo você, sempre ao meu lado

Corações fartos de paixão, com essa paz da sedução
Estamos infinitamente, apaixonados

O VENTO LEVE A SOPRAR, COM A SENSAÇÃO DE LEVITAR
Estamos infinitamente, apaixonados

E nesse abraço, com calor, entrego todo meu amor
Estamos infinitamente, apaixonados
Vamos vivendo, eternamente, apaixonados
Infinitamente. Apaixonados.

José mariano
lido por Maria Teresa Lopes

MAR NOSSO DE CADA DIA



MAR NOSSO DE CADA DIA

Neste mar tumultuoso, o mundo
Onde não há respeito e valores
Tornando este planeta imundo
Só nos criando grandes dissabores!
           
Um mar imenso de muita desgraça
Onde o poderoso nos explora
Querendo que trabalhemos de graça
Situação que muito se deplora.

Tem sido mar nosso de cada dia
Explorando maioria do Povo
Enquanto este finge não via

Terá de começar tudo de novo
Para verdadeira democracia
Acabar com este grande estorvo!

Arnaldo Teixeira Santos
in “Antologia Poetas d’Hoje – Volume V (Maio 2018)

A UMA POETA...



A UMA POETA... (que partiu por estes dias)

Entre o sono e o sonho
o dia amanheceu cinzento
como o mar - névoa perpétua.

Desconheço verbos
adjetivos, palavras outras
capazes de te soletrar a esperança.

Das horas possíveis
engolidas em surdina
o desalento acomodado.

Implode a garganta
e a língua muda
as angústias minam teu corpo.

Ausência de portas abrindo
caminhos anoitecidos
a escuridão vomitou as dores.

Não vacilas porque te dói o charco
o corpo, o chão
vida madrasta.

Caminhaste sem esperar
a devolução da imagem
espelho baço.

Dentro de ti já não há barcos
nem velas
todo o branco enegreceu.

A cauda de um cometa atingiu-te o peito
os estilhaços são poemas
Ressuscitados.

Para sempre, a tua doçura, lembrança certa.

Conceição Oliveira

Violência Doméstica



Violência Doméstica, este ano 27 mulheres mortas e 33 feridas?
E as que morrem aos poucos com Violência Psicológica não
Conta? E eu pergunto mais uma vez, quantas vezes 27+33?
Mulheres e Homens cuidado com a violência
Não deixeis que a coisa vá além.
Não escondeis, Denunciai
Calar não é solução para ninguém.

Antigamente era assim
A mulher sofria muito na vida,
E quando tinha muitos Filhinhos
Aguentava tudo não tinha outra saída.

Cuidado mulheres pensai bem
Tudo isto tem uma lógica,
Pior do que a porrada,
É a violência Psicológica.

Maridos fazei vossas esposas Felizes
Estimai-as como estimais vossa Mãe,
Lembrai-vos que se elas forem Felizes
Vós e vossos Filhos sereis também.

Sabeis que a nossa Casa, é a Escola dos Filhos
E Eles estão sempre aprender.
Se houver Amor Paz e Alegria
Eles nunca irão esquecer.

Por muito ignorantes que sejamos.
Bons exemplos lhes devemos dar,
Para um dia Eles ensinar aos Filhos
O que de nós puderam herdar.

Dina Magalhães

FÁBULA DAS QUATRO ESTAÇÕES



FÁBULA DAS QUATRO ESTAÇÕES

Fiz amor com a Primavera
o Verão soube e não gostou
foi fazer queixa ao Outono
e este, logo ao Inverno contou.

E logo os três, nesse dia
sem mais delongas, ou espera
condenaram-me a ousadia
de ter amado a Primavera.

O Verão falou então
do castigo a aplicar
a canícula, eu te dou
três meses sem parar.

O Outono, logo a seguir
sua sentença ditou
verás o Sol, a sorrir
mas frios dias, te dou.

Mas o Inverno, foi dos três
o pior a condenar
deu-me três meses, de algidez
noite e dia, sem parar.

Mas se uma andorinha, vier
dizer-me que a Primeira
ainda me quer
eu estou pronto, p’ra quimera.

E não me importam, os castigos
que possa voltar a sofrer
pois, quem se sujeita a amar
sujeita-se a perecer!

Kim Berlusa
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2018”
lido por Marília Teixeira

SELFIE



SELFIE

… e se eu fosse água, enxurrada seria, presidente
e da vontade que me vai, da sede de justiça
que me fica, afogava espúria gente,
antro de rufias, clube iníquo e cobiça
infame gente que mente
em jardim sedento de justiça.
Justa, a denúncia seria
excelência, antes da selfie do dia.

… e da vontade que me vai,
da fome de justiça que me fica, presidente,
fogo eu seria neste jardim,
e fogo pegaria a bastarda gente,
cadinho de mentira, espólio sem fim,
bando decrépito feliz e contente
na (in)justiça que cala e consente.
Urgente, a denúncia seria
excelência, antes da selfie do dia.

... e se eu fosse espada, presidente, cortava
a língua que engana,
decepava a cabeça que mente,
e da vontade que me vai,
da mingua de justiça que me fica, calava
a voz iníqua a infame gente,
trupe desprezível que agrava
a vida de quem sofre e consente.
Justa, a denúncia seria,
excelência, antes da selfie do dia.

Angelino Santos Silva

MINHA TERRA ERA PEQUENA



MINHA TERRA ERA PEQUENA

A minha terra era ainda tão pequena
Quando certo dia de Junho, nasci
Era uma manhã ensolarada e amena,
Nessa alvorada a luz do mundo eu vi

Na escassez nasci num belo palácio
Talvez por desígnio do destino,
Naquele dia foi traçado o prefácio
Da história da vida desse menino…

Com o passar do tempo a aldeia cresceu
Tal como eu que um certo dia a abandonei
cumprindo a ordem que o destino me deu

Quando voltei era vila, a minha aldeia
D’África o sol que lá longe deixei
Na saudade, minha alma é agora cheia

8/3/18
José Carlos Moutinho
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2018”
lido por Carlos Gomes

POEMA PERFEITO



POEMA PERFEITO

Um dia hei-de criar o poema perfeito,
digam que é presunção, talvez seja
mas é assim, neste meu singelo jeito
que transmito o que minh'alma deseja

Nem sei se o poema perfeito existe,
é uma simples ideia que me ocorreu
porém, quem teima e nunca desiste
fará acontecer o que nunca aconteceu

A poesia até se permite à aleivosia,
e desta maneira eu vou escrevendo
palavras sentidas e com harmonia,
porque somente delas, eu dependo

Se no tal dia este meu anseio acontecer,
e o poema criar, não deixarei de ser eu,
o prémio será a felicidade de o conceber
depois, o poema será de quem o leu

José Carlos Moutinho
24/3/18

AMANHECI




AMANHECI

Manhã gélida de inverno caprichoso,
Iluminada por sol morno envergonhado,
A deus Jano mês consagrado,
Na salutar retomba dum eco perdido.

Atravessei espessas nuvens na via láctea,
Galáxias de estrelas cintilantes,
Deixei-me levar nas asas do tempo...

Maravilhada sobrevoei mares e oceanos,
De homéricas lendas desvendadas,
No sobressalto dum ai de dor e pranto,
Estremeci!

Arrebatada pela força da gravidade,
Sussurrei ao vento que tinha chegado...
Desprendi-me do ventre de minha mãe,
Aconchegado ninho com amor lavrado.

Ainda envolta em véu de seda transparente,
Agarrei-me ao sopro de vida em mim insuflado,
Nos braços de meu carinhoso pai fui aparada.

Com amor e carinho delicadamente me libertaram,
Do invólucro por anjos de Deus, tecido
Não sei se do pó das estrelas ou nada,
Quem sabe?
No amor dum grito amanheci para a vida,
Abri os olhos para o mundo extasiada!

Ester de Sousa e Sá

POR VEZES…



POR VEZES…

Por vezes nem sei quem sou
E desejo ser gaivota
Que se levanta, se solta
E num instante voou.

Outras, lágrima a cair
Daquela nuvem que passa
E, para minha desgraça,
Me vem roubar meu sorrir.

Por vezes sou neblina.
Que o vento vem dissipar
E que vai até ao mar
Dar o seu ar de menina.

Mas, quando sou poesia,
Então, vivo em cada instante,
Tal qual musa, eterna amante,
Num mundo de fantasia.

Rosa Maria Santos
in “Rosa Jasmim”
lido por Beatriz Maia

NUM GRITO...“SILENCIADO E AMARFANHADO DE DOR...”



NUM GRITO...“SILENCIADO E AMARFANHADO DE DOR...”

MULHER... “caminhas n’angústia da vida” quase, “não a viver...”
mas, no anseio de paz... “em prol “do amor pela Família”
aceitas essa vivência “meramente, por sobrevivência...”

MULHER... “num Abraço de afago...”suavizas a dor
pela dádiva “do teu “berço” inculcado de Amor...”
porém, “o teu conviver é com o sofrer”.

MULHER...“transpareces Vida” em entusiasta alegria
porém, “no teu sentir de agonia”
apenas, “tens solidão... por companhia”.

MULHER... “sofres carente de amor...”na solidão...
a ninguém, “abres o teu magoado coração”
sobrevives isolada, desamparada, amargurada
Num GRITO... “Silenciado e Amarfanhado de Dor...”

MULHER... “caminhas num horizonte sem norte...”
sobrevives entre um misto “de Luz... e de Esperança”
a desabrochar “o teu doce coração de Criança!...”

MULHER... “beijas as lágrimas”perfumadas de dor...
“num coração a florescer de Amor!...”

MULHER... “doce apaziguadora... de Amor geradora...”
sempre, “a perdoar... a amar...”

MULHER... “mereces “um Mundo de Amor e civil...”
jamais, “este Mundo tão ignóbil...”

Jamais, “uma vida magoada...
em fragmentos despedaçada...”
Num GRITO... “Silenciado e Amarfanhado de Dor...”

Helena Maria Simões Duarte
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2018”

À MINHA AVÓ



À MINHA AVÓ

Minha santa velhinha
De olhos azuis cor do céu,
Duma infinita bondade,
Era a minha avozinha
Aquela santa velhinha
De quem tenho tanta saudade.
- Canta para mim aquela canção
Para eu adormecer,
E aquela melodia entrava no meu ouvido
E com um misto de emoção
Olhavas para mim
E eu, já tinha adormecido.
Minha avozinha querida
Como eu esperei toda a vida
Para ser avó também,
Mas fosse pelo que fosse
Eu fui apenas mãe.

Leonor Reis
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2018”
lido por Céu Guedes

O NOSSO LIVRO



O NOSSO LIVRO

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
— «Versos só nossos, só de nós os dois !...»

in “Sonetos de Florbela Espanca”
lido por Fernanda Rosas

PONTINHO DE VISTA



PONTINHO DE VISTA

Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!

Pedro Bandeira
Lido por Inês Lima

AMOR/AMANTES



AMOR/AMANTES

Nascida no meio do mar
Na ilha dos seus Amores
Tanta beleza a mostrar
Arquipélago dos Açores

Para a escrita nasceu
Para a política também
Tanta coisa escreveu
Que tanta beleza contém

De Salazar seu inimigo
Que a mandou prender
A escrita seu abrigo
Poesia seu saber

Muitas lutas travou
Pelos seus ideais
No Parlamento deixou
Amigos e muito mais

Muitos foram seus amores
Seus amantes também
Seu amante os Açores
Que tanta beleza têm

Seu País, seu ideal
A S. Miguel mil amores
Tanto amor a Portugal
Sem esquecer os Açores.

27/08/2018
Celso Miranda

SONHANDO SE VAI VIVENDO



SONHANDO SE VAI VIVENDO

Vou aonde posso ou quero.
Às vezes quero e não posso.
Outras posso mas não quero.

Sei que o querer é poder.
Mas leva a posse também.
Se ela não existir
Só o querer não chega a ir.
Mas o poder não vai também.

Falta às vezes a capacidade
Para aquilo que se faz.
Vai-se querendo e sabendo
Que só andando e podendo
Se chega onde se é capaz.

Quando não quero e não posso
Também não faço esforço,
Não contrario o meu querer,
E se não posso porque não quero
E às vezes quero e não posso
Deixo-me ficar e espero
Pelo quero, mas sem esforço.

Tantos na vida quiseram
Mas viram que nada puderam
E também não fizeram por ter
Aquele posso e quero.
Deixaram-se ficar no espero
E passou o poder e o querer

Juntinho ao seu nariz
E era só agarrá-los na raiz
E plantá-los no saber
Que sempre vou onde quero.
Outras até onde posso,
Mas outras posso e não quero.

Conceição Freitas

ESPINHO VAREIRO



ESPINHO VAREIRO

Espinho vareiro
virado pró mar
reluzente
olhado de frente
de face erguida
olhar apontado
catedrais de sonhos
feitos de mar
encantos tamanhos
irás deslumbrar
tocam sereias
concertos de saudade
 dos filhos
que ficaram no mar
mar de sangue
mar de fogo
trofeu de braveza
e de coragem são
homens do povo
são amantes do mar.

Manuel Fernando
in “Quase um poema”

ALMA



ALMA

Vive cada instante com intensidade.
Absorve cada sopro, cada aragem.
Alegre saboreia a mocidade,
Que a vida é quase uma miragem!

Abre as asas e livre voa,
Mesmo que seja um leve planar.
Procura a Estrela-guia e o luar
Que retirem do teu caminho o que magoa!

Sê tu, sempre tu, autêntica e pura.
Afasta os espinhos, a terra dura.
Amanheça de alegria o teu riso!

Possas ser, dos tristes, arrimo e encanto.
Esconde rosas vermelhas no teu manto
E faz do solo que pisas um Paraíso!...

Irene Costa
in “O Livro da Nena”
lido por Lourdes Alegria

ESPALHAM-SE AS PALAVRAS



ESPALHAM-SE AS PALAVRAS

Rompeu da terra um fio de cultura,
Regato de palavras que correndo;
É arte de comunicar bem mais madura,
É saber do porvir se promovendo.

Ansiando crescer em sã candura,
Frases e versos se vão lendo;
Deslizam da fonte que perdura,
E voltam à terra, não morrendo.

Espalham-se palavras, letras, poesia!
Aromáticas pétalas no ar que nos rodeia,
De origem d'alma e do pensamento.

Suaves, dóceis e de euforia,
São do poeta, são da veia;
Que as declama sem fingimento.

José Faria
in “Atalhos”

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Ilustração: Luís Pedro Viana


É lançada hoje, 15 de setembro de 2018, a Coletânea de Poesia da Galeria Vieira Portuense, contendo cerca de 70 poetas, com, sensivelmente, 200 páginas. 
Esta Coletânea exprime e corresponde à sensibilidade dos participantes, dos leitores, dos diseurs e dos autores, num total de, aproximadamente, 50 militantes mensais que enchem de orgulho e de satisfação as reuniões do terceiro sábado de cada mês, pelas 16:00h. 
Este ano, a Coletânea de Poesia sai de portas e vai até Guimarães, dia 22 de setembro, onde será feita uma apresentação mais distendida com almoço à lamanière, apropriado em leituras poéticas que tratam do palato e da alma. 
A Galeria Vieira Portuense está de parabéns por mais esta edição e os seus participantes merecem todo o reconhecimento por darem corpo a este encontro cultural que dignifica o Porto e o Norte.
Se esta manifestação cultural está já enraizada numa matriz temporal, a qualidade também se encontra patente em cada edição. O conteúdo poético é fruto do empenho dos autores que, seguindo a sua formação, se esmeram em trabalhos de tema, de palavra e de som.
Com efeito, começamos mais cedo, no mês de setembro, mês das colheitas, contrariamente ao usual portuguesismo da última hora.
Parabéns e que seja um futuro promissor em leituras e poesia.

Luís Pedro Viana
Condado de Moreira
Porto 15 de setembro de 2018

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Foto de Grupo Setembro 2018




Poesia na Galeria 15-09-2018

 Arnaldo Teixeira Santos
 Maria Teresa Lopes
 Alice Branco
 Acilda Almeida
 António Monteiro
 Adolfo Castelbranco
 Isabel Moura
 Manuela Caldeira
 Irene Costa
 Céu Guedes
 Eunice Amorim
 Eunice Amorim
 Manuela Caldeira e Adolfo Castelbranco a dançar ao som de Eunice Amorim
 Dina Magalhães e Maria Teresa Nicho a dançar ao som de Eunice Amorim


 Alice Branco a sorteada da sessão


Poesia na Galeria Setembro 2018

 Inês Lima
 Fernanda Rosas
 Helena Duarte
 Beatriz Maia
 Ester de Sousa e Sá
 João Pessanha
 José Carlos Moutinho
 Carlos Gomes
 Angelino Silva
 Marília Teixeira
 Dina Magalhães
 Conceição Oliveira