sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Colectânea Galeria Vieira Portuense 2017

PREFÁCIO

Sempre pelas 16 horas, ao terceiro Sábado de cada mês, a Galeria Vieira Portuense abre as suas portas para uma tertúlia de poesia. 
Pessoas do Porto ou de fora do Porto, conhecidas ou desconhecidas, habituais ou ocasionais, entram, inscrevem-se, tomam lugar na sala e aguardam o início do evento.  
Sem se dar por isso, o convívio começa. Trocam-se cumprimentos, apresentações, experiências poéticas, as últimas criações. De Aveiro a Viana do Castelo, são muitas as origens das pessoas que ali se deslocam para dizerem os poemas da sua escolha, da sua autoria ou retirados da história da literatura universal. 
A maior parte é gente prenhe de experiência, aposentada do ensino ou de outras actividades que lhe solidificaram os saberes, agora expressos em versos que espalham em sessões de poesia.
Os da casa põem na mesa vinho do Porto e biscoitos caseiros. 
Ao fim da tarde é o "até ao mês que vem", despedindo-se as pessoas com a sensação de uma tarde bem passada.
Tudo começou há 8 anos, mais mês, menos mês. Pelo meio, vão acontecendo eventos fora do Porto: Sousel, Chaves, Vila do Conde, Montalegre, Oropesa (Espanha)... e até já se deu o evento "Poesia no comboio das 10 e 15 h" a caminho de Guimarães. 
Da egrégora gerada por estes convívios, nasceu a iniciativa de se editar anualmente uma colectânea de poemas dos frequentadores da "Poesia na Galeria". A de este ano é a sétima Colectânea da Galeria Vieira Portuense!
Agostinho Costa

Jornal de Santo Thyrso

10-11-2017, in "Jornal de Santo Thyrso"

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

POETA ANÓNIMO


POETA ANÓNIMO

Uma tarde bem passada
Como há muito não vivia
Tanta obra recitada
Para mim foi primazia
Tanto poeta anónimo
Que sua obra trazia
Que é o sinónimo
Daquilo que escrevia...

Um muito obrigado

Cm.pt(maranus)

VIANA


VIANA

É sempre assim...
Todos te gabam a beleza
Outros dizem que és princesa
Ainda Rainha para mim
Que tens de belo
Que só vejo monte rio e mar?
Tens algo mais, eu sei
A luz e o vento
A cor e o cheiro
Mas o que todos dizem é que és bonita
Talvez a maior, a única
Porque em ti encerras
Não o que eu vejo
Mas o nosso desejo.
Tens o Lethes...
A sua alma.
Tens o monte
Que te acalma,
E o mar que nos leva...
Aí estás como Rainha,
Que bordada no linho e
Plantada no Minho
Ficas grande;
Ficas bonita...
O mar leva-nos...
E como encantados voltamos
Ao ouvir pelo mundo: que bonita!!!
E que trago para ti?
O que meus olhos vêm:
A beleza representada
Na flor mais amada
Que tão bem guardada está
Por seres assim... e bonita.

Luís Pedro Viana

28/05/2009

SONHO "UTÓPICO"


SONHO "UTÓPICO"

Sonho com o dia
Em que o mundo
Será coordenado
Por Mulheres, e Homens de
Todas as áreas.
Das Artes sem excepção.
Então haverá Humanismo
Como: a Santa Liberdade

Sem AMOS Cínicos Autoritários
Sem Eislcuidos
Nem Sem Abrigo
Tampouco Famintos
Assim será um novo Mundo
De SONHO

Autor Karlos Kosta Pseudónimo de
José Carlos Costa

Nota Final

Para Sonhar a Santa liberdade Real.

EM DESALINHO


EM DESALINHO

Em mim já não pulsa mais o frémito
das coisas por nomear e eu terei de partir
perdidas em meu corpo, como se perde o peixe esbatido
no dorso das vagas, todas as ânsias que me vestiram em segredo…
E quem vier não conhecerá as irregularidades,
os labirintos por onde me perdi, os atalhos por onde me arrisquei
erguendo solene e crepitante a voz que não se emudecia...
Quem vier não conhecerá como me perdi de amores,
como me despi em desalinho, como foram enormes
os sonhos que teci rentes à linha do mar
como enormes foram as noites de solidão e de amor...

Em mim uma outra será quem sou e esquecida
como se tivesse adormecido o vendaval que fazia evolar
o perfume do jasmim, das acácias, da verbena e do tomilho
ficarei esperando.. .talvez alguém venha noite dentro
trazer-me de novo os perfumes voláteis que se haviam dissipado
talvez alguém saiba trazer-me de novo as coisas por nomear
o brilho canforado das estrelas que um dia me trouxeram ousar...
Eu acho que ainda saberei usar o meu longo véu rasgado
E partir de novo buscando tudo num outro lugar...
Mas se não vier também saberei assim estar...


Acilda Almeida

REPOUSA O DIA



REPOUSA O DIA

Repousa o dia
Por entre os raios de sol
Já deitados em lençóis
De alva espuma.

Espreguiça-se a noite
Em busca de um arco-íris perdido.
O cansaço consome o corpo exausto
Sucessão de medos e dores.

Abismos sem fim
Clamam, reclamam
Apoderam-se da aurora.

A madrugada espreita!

Só o silêncio está de pé!

Alice Santos 

in “A Arte pela Escrita Dez” - Colectânea de Prosa e Poesia

Dia 307


Dia 307.
Voltei a nascer. Hoje. De mim mesmo. Eu, que fui pássaro e fui réptil. E já fui tojo e andorinha. Durante oito séculos, oliveira. E fui irmão de todas as cegonhas. Também fui rato, minhoca, cão, raposa e tartaruga. E já fui figueira. E cedro. E fui um jovem loureiro. Por mais de cem anos, uma acácia. Por pouco tempo um barbo, brilhante e ruivo. E fui também a mais estouvada das medusas. E mirtilo. E musgo. E macieira. E gostei de ser um lobo. E um solitário castanheiro. Fui mais tarde, mirto, melro, molusco, gaivota, gato, lírio, giesta, medronheiro. No início fui alga. A seguir, albatroz. Depois escaravelho, pintassilgo, lebre e hortelã. Cheguei a acordar roseira. Mas igualmente plátano, boca-de-lobo, aloendreiro. E algumas vezes cardo e outras vezes trigo. Menos vezes, uma tília. Gostaria de ter sido laranjeira, mas nunca aconteceu. Mas já fui cerejeira por uns tempos. E abelha. Acreditem, fui abelha. E fui também perdiz, e pombo, e fui batráquio. Não gostei, por aí além, de ser um sapo. E também não gostei de ser um cacto. Mas adorei ter sido uma libélula. De quando fui louva-a-deus, pouco me lembro. E recordo vagamente os tempos de coelho e de cabra e de cavalo. E de cana e de carpa, de cigarra e cotovia. Jacinto, também fui. E fui morcego. E fui melro. E fui poejo. Fui até, vejam bem, uma buganvília. As últimas lembranças, no entanto, as mais claras, são de ter sido amendoeira, águia, aranha, bicho-da-seda e beija-flor. Por me ter recusado, não fui víbora. E por não ter feitio, camaleão.

JOAQUIM PESSOA
in ANO COMUM (Ed. Edições Esgotadas, 2a ed, 2013)

lido por Manuela Caldeira

CAMINANTE


CAMINANTE

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar…

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”
Golpe a golpe, verso a verso.


António Machado

Lido por ToniAntónio Nicodemos

A BAILARINA


A BAILARINA

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe,
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Cecília Meireles

Lido por Ana Maria Oliveira

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

fingir que está tudo bem


fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

José Luís Peixoto
in “A Criança em Ruínas”

lido por Maria de Lourdes Ferreira

CARTA DUM CONTRATADO


CARTA DUM CONTRATADO

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidências íntimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura
da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que a escondesse de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento.

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajús e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidas de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero! - não sei escrever também!

António Jacinto

Declamado por Fernanda Cardoso

PODEM TENTAR ENTENDER


PODEM TENTAR ENTENDER

Podem tentar entender a razão
porque escrevo, sobre o que não digo
mas essa razão de ser, é mais
do que certa
já nasceu comigo.

Escrevo o tempo, sem nome
e a fome que come
o seu próprio umbigo
todo o silêncio, a gritar
e um anjo a lavar
o céu por castigo.

Podem tentar entender
a razão porque escrevo
assim desta forma
mas se o faço, é regra geral
p’ra fugir à norma

Escrevo o conteúdo
que preenche o tudo
que há nas coisas vazias
e as ilusórias questões
das muitas razões
que há nas utopias.

Podem tentar entender
a razão porque escrevo
assim, desta maneira
mas se o escrevo, é porque
algo em mim
me impeles quer
eu queira, quer não
queira.


Kim Berlusa

UM DIA LEMBREI-ME


UM DIA LEMBREI-ME

Um dia/sentei-me/ lembrei-me do
jogar à bola/ dar e levar
porrada/roubar fruta/de ser
perseguido/ à sacholada/ o
lavrador queixar-se a meus pais e
eu levar/a dobrar!

Lembrei-me do fugir à escola/ não
tinha tempo para estudar! O
professor dizia que eu era bom
aluno! Eu faltava por não ter tempo
para os deveres/porque para meu
pai já trabalhava!
Não havia, ainda, a condenação do
trabalho infantil!! O trabalho/ que
eu fazia/ para meu pai era do baril/
que em Fátima vendia/juntamente
com cera/ prós milagres da santa!
Ena tantos!
Agora/ parece que menos!
Talvez por a senhora já um pouco
cansada!/com quebrantos! Uma
lástima.
Para compensar/continuam os
grandes milagres das rezas/ em
terços e rosários/ para as receitas
de santuários! Eu trabalhava/
trabalhava/ e já cidades/com ruas
escuras e claras visitava!
À noite/ estudava/aprendia falas
d'outros povos/ soube doutras
terras/ doutros costumes/ doutros
deuses/ d'outras religiões/doutras
filosofias/ das pregações dum só
Deus/mas logo vi que cada um
tinha o seu!
Estudava raízes da criação/
algumas já podres/outras que
para podres vão/que foram
verdades/ mas agora não!! porque
feitas por aldrabões/ em tempos de
escuridão. Na missa/ o padre
pregava/ pregava!/ Eu não nada
ouvia! Via que não fazia o que dizia!
Depressa detestei hipocrisia.
Continuei a trabalhar/ a estudar/
para dar asas a meus sonhos/ para
voar/voei!
Por continentes passeei meus
espantos! Fui tronco/dei rebentos/
Fui/ Sou feliz.
Tenho um jardim/com flores de
filhos e netos e os perfumes de seus
amores e afetos Nada me falta!
Fui menino/feito homem/
como rajada de vento/
que tudo eroda e sabe que/ um
dia/do tudo que foi ninguém se
recorda/ pois que desertos são
feitos por montanhas/ em areias
desfeitas!

Um dia, sentei-me/lembrei-me de
tudo/ de pais/ de amigos e dos
amores me lembrei!

Agora/sentado/quando vejo uma
criança/nela me revejo e a ela me
ligo/desejando que tenha asas/
para que seus sonhos possam voar/
e que nunca/nunca deixe ninguém
seus sonhos amarrar!/desejo-lhe
que levante voo.... e que me leve
consigo.
..........xxxxxxxx.......

Autor: Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque

Sou do Porto


sou do Porto, onde as gentes têm outra febre, um calor desigual que corre em veias de genuinidade.
sou do Porto, da cidade invicta, mística e feiticeira.
sou do Porto! das vielas estreitas que deixam passar grandes gentes: as suas e as que a si chegam, da cidade onde desaguam águas d’ouro que chegam em gargalhadas serenas por entre os socalcos traçados até a uma foz de sol d’ouro.
sou do Porto com um umbigo de Palácio de Cristal que bebo desde a infância até às páginas dos livros.
sou do Porto com sangue-vinho intenso, quente e prodigioso, néctar regalo de Baco.
sou do Porto onde a alegria mora no cume da Torre dos Clérigos e daí transborda em contágio para toda a cidade.
sou do Porto das cheio de pontes que nos ligam a outra margem como se fossem braços em colo estendidos de modo perpétuo.
sou do Porto e vivo com a retina carregada da luz sublime que irradia da Serra do Pilar onde voluntariamente se fica algemado por fascínio.
sou do Porto - dessa gente do "carago" que pega nos amigos e os aninha no coração, sou deste chão, deste sítio soberbo dos Aliados onde tantas vezes o sol nasce do chão.
sou do Porto que tem ao colo gente persistente e resiliente: das gentes que comem tripas à sua moda por amor — aos outros, de gente generosa, benigna, empenhada e trabalhadora, um coração de país que está na moda e a moda está em si.
sou do Porto das fontes, dos azulejos soberbos que babam arte da estação de S. Bento sou do Porto da força da Fé do Seminário e da Sé.
sou do Porto com um castelo de queijo em noites de lua cheia que nos paralisa o olhar sou do Porto onde há jardins com glicínias e todas as flores têm nome.
sou do Porto do sítio que alberga os "capa negras" nobres e da melhor universidade do Mundo.
sou do Porto das caves e dos barcos que sobem e descem o rio em rasgos brancos de espuma e fazem viagens cruzando um céu terreno.
sou do Porto do destino recomendável mundialmente para se ser feliz, das esquinas com pataniscas e pasteis de bacalhau, das tascas e o S. João.
do Porto! onde as ruas têm nome de poetas e os recantos são poemas, onde o cheiro a castanha assada se espalha, em vésperas de Natal, por entre a multidão da famosa rua de Santa Catarina.
sou do Porto, escolhi ser do Porto!

Carla Valente

Lido por Alzira Santos

AQUELA CRIANÇA!


AQUELA CRIANÇA!

Dlim dlão... dlim dlão, cabeça de cão (...),
aquela criança repetia o refrão,
cantilena repetitiva que cheguei a aprender,
saltitava com um brinquedo na mão
e repetia, repetia dlim, dlão (...),
sempre, sempre a correr.

Lembrei-me veemente de alguém,
de um passado ainda presente,
crianças são o melhor que o mundo tem
como digna honra de pureza decente.

Dlim dlão e repetia, repetia com alegria
cantiga que balbuciava repetidamente,
dlim dlão... dlim dlão, cabeca de cão (...),
no mundinho daquela criança que sorria,
brincava, saltitava e inocentemente,
repetia, dlim dlão... dlim dlão (...).

(ARTCAR) Artur Cardoso
20-10-2017

Lido por Fátima Cardoso

SENHORA MINHA!


SENHORA MINHA!

Aqui e ali, uma e outra ruga vão aparecendo,
sulcando a nossa pele com o decorrer da idade,
hinos de alegria, de tristeza e cá vamos andando,
uns de felicidade e outros porém de hostilidade.

Perfumados lençóis a cheirar a alfazema,
lembranças de tantas carícias e beijos,
incansável eficiência a dizeres um poema,
tão de mansinho aos meus modestos desejos.

Senhora minha do nosso acolhedor leito,
senhora merecedora dos meus abraços,
coração palpitante a bater no peito,
apertadinha na proteção dos meus braços.

Diz um poema de amor a sussurrar,
fá-lo voar, voar alto nas asas do vento,
sem pressa, pausadamente, tão devagar
que eu possa saborear o momento.

Quanta candura no teu dizer perfeito,
inocência de cor branca como o branco linho,
diz um poema com subtileza ao teu jeito,
como só tu o sabes dizer de mansinho.

Senhora minha virtuosa do meu ser,
faz-me fechar os olhos como antigamente,
diz um poema de amor para eu adormecer,
di-lo com paixão, serena e eficiente.

Outrora, quantas e quantas vezes brincamos,
aos serões, sentados na nossa cama,
vezes sem conta e tanto como nos afagamos,
como os passarinhos no arvoredo entre a rama.

Tenho saudade de tais momentos e foram tantos,
dos longos serões a ouvir a tua doce voz,
senhora minha de todos os meus encantos,
diz um poema, um poema baixinho só para nós.

As rugas não são a minha maior preocupação,
nem sequer a idade a que estamos condenados,
a minha grande preocupação é um senão,
vivermos o resto das nossas vidas preocupados.

A idade vai passando e sempre, sempre a contar,
o novelo da velhice a desenrolar e a ficar sem linha,
agora, vamos andando, andando mais devagar,
tu e eu, vamos andando (…), senhora minha.

(ARTCAR) Artur Cardoso

25-08-2017

Sem título (180)


Sem título (180)

No lugar onde se
Fabrica a claridade, existem
humanas impaciências,
tangentes à quietude dos ascetas.
Existe o complexo algoritmo da construção do universo.

As revelações, que são as coisas ansiadas pelos
místicos e por outros incréus,
“são apenas epifanias iluminadas",
diria o poeta com um tinteiro na cabeça
e com a cabeça do poema a morder os artelhos do próprio,
ou com os pés sobre o coração de mármore
no peito fugitivo do vate desertor.
A luz, a fuga e pensamento na alma mater do diletante.

Concretizaria, então, o poeta, com a cabeça na mão e o
Poema lubrificado com olhos magros gordos de pranto e refulgires,
Que o pensamento faz da alma coisa plausivelmente poética.

Dionísio Dinis

in “A Arte pela Escrita Dez” - Colectânea de Prosa e Poesia

NOS JARDINS DA EMOÇÃO


NOS JARDINS DA EMOÇÃO

Nos jardins da emoção, salvam-se as bétulas e os unicórnios. A
aventura afasta-se numa traição de gigantes e o perigo da magia
pinta amor em todas as nuvens. A nobreza prende as estrelas
castigando as infrações que a nostalgia e a virtude habilmente
cometeram no almejar do riso subtil.
Eis a poesia pintada no silêncio, o sussurro inquieto de presenças
cogitadas.
O secreto se dissimula no casulo de um amor impresso em peles
de apuros sedentos e amores inquietos.
Estimule-se o brilho dos astros que os instantes estão para além
dos alicates da preguiça e da solidão.

Goreti Dias

in “A Arte pela Escrita Dez” - Colectânea de Prosa e Poesia

E POR VEZES


E POR VEZES

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos, E por vezes,

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que/por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites, não dos meses
lá no fundo dos copos, encontramos

E por vezes sorrimos, ou choramos
E por vezes, por vezes, ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira

Lido por Dulce Morais

GATO SOBREVIVENTE


GATO SOBREVIVENTE

Ao jantar os filhos
perguntam quanto tempo falta para o mundo acabar.
- Os filhos perguntam quanto tempo falta
para o pai acabar. Perguntam
quanto tempo lhes falta para acabarem.
Em resposta faço-lhes o prato
com vegetais e peixe e hidratos de imprecisão
dou-lhes palavras que nunca mais acabam palavras
oleosas, emaranhadas nas facas, nos garfos
que deixam marca nos copos e nos guardanapos.
Digo-lhes que se despachem
que já falta pouco para fecharem os olhos
e poder mergulhar em cada um dos peitos minúsculos
para lhes polir o coração que nunca acaba.

Os filhos perguntam qual é o rating da vida
perguntam qual é o spread do amor
em que clube joga o fmi
quando entrará em erupção o primeiro-ministro
por que é que os vulcões não pagam portagem
de que lado ficam o máximo e o mínimo do oriente médio
se algum dia as estrelas serão condenadas
por trazerem cancro à alma dos meninos condenados
e que investigador descobrirá uma cura a sério
ou que cura descobrirá um investigador a sério, porque
os filhos gostam de brincar com as palavras
que nunca acabam. Perguntam se
algum dia lhes comprarei as possibilidades
que viram anunciadas no intervalo das certezas.

Ao jantar os filhos perguntam se o destino também
é corrupto, se aceita subornos.
Cercados pela imagem de uma ambulância incandescente
debruçada sobre um curioso gato que não morreu
os filhos perguntam
depois da morte o que há de sobremesa?

Renato Filipe Cardoso
in “Aprendiz de dourado”

lido por Manuela Carneiro

Mãe


Mãe que saudade
Que tristeza sinto
No meu peito
Faltam os teus carinhos
Os teus conselhos
os teus desejos.
Onde estiveres
Abençoa-me,
protege-me por todo o mal
Ajuda-me a ver
com clareza o meu rumo
o meu destino
e nele colocar a tua
presença e sabedoria
e sentir a triste
realidade de te ter
perdido um Dia
Eu sofro por
não saber onde
mora a minha Mãe
se mora lá
nas estrelas.


Paraty

LAGRIMAS DE MAR


LAGRIMAS DE MAR

Oh! Mar quão desse largo manto
são as gotas do meu pranto!
- Quantas lágrimas (minhas) jorraram,
e tuas ondas engrossaram!

Quantas as vezes foram que viste
incertezas neste olhar triste!
- Quantas, perante a tua imensidão
sentiste a minha desilusão!

E as vezes lânguido em ti prostrado
ó mar, me viste só e abandonado!
- E o sal que à vida desse tempero...

...pedi para mim em desespero!
- Mas ficaste com as ondas a brincar,
eu, sem ninguém para amar...

Concluído definitivamente dia 15/1/2013

Adolfo Castelbranco

TU ESTÁ AQUI


TU ESTÁ AQUI

Estás aqui comigo à sombra do sol

Escrevo e oiço certos ruídos domésticos

E A luz chega-me humildemente pela janela
E dói-me um braço
e sei que sou o pior aspecto do que sou.

Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano

E tudo o que faço ou sinto, como que me veste de um pijama
Que uso para ser também isto

Este bicho de hábitos, manias, segredos, defeitos
Quase todos desfeitos, quando depois ia fora na vida profissional ou social,… só sou um nome
e sabem o que sei o que faço      ou então sou eu que julgo que o sabem
E sou amável, selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
E sei que afinal posso ser isso, talvez porque aqui sentado dentro de casa
Sou outra coisa,
Esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior a manifestação
desta dor neste braço que afecta tudo o que faço.
Bem entendido, o que faço com este braço.

Estás aqui comigo e à volta são as paredes
E posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
E dizer aqui é a sala de estar, aqui é o quarto, aqui é a casa de banho
E no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer

Estás aqui comigo, e sei que só sou este corpo castigado
Passado nas pernas de sala em sala.
Sou só estas salas, estas paredes
Esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
Essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol

Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
Diante dos dias.

Que ninguém conheça este meu nome
Este meu verdadeiro nome, depois talvez encoberto
Noutro nome embora no mesmo nome
Este nome de terra, de dor, de paredes,... este nome doméstico.

Afinal fui isto nada mais do que isto.

As outras coisas que fiz, fi-las para não ser isto ou dissimular isto
A que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das outras coisas.

Estás aqui comigo      e tenho pena, acredita, de ser só isto
Pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
Uma coisa para além disto que não isto

Estás aqui comigo,     deixa-te estar aqui comigo
É das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
Mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
Tu és em cada gesto todos os teus gestos
E neste momento eu sei,     eu sinto ao certo      o que significam certas palavras
Como a palavra paz.

Deixa-te estar aqui, perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
Perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
Perdoa eu revelar que na muito pagas tão alto preço por estar aqui.
Prossegue nos gestos não pares, procura permanecer sempre presente.
Deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
E eu saber que aqui estas, de maneira a poder dizer
Sou isto é certo,.....mas sei que tu estás aqui

Ruy Belo

Lido por Nelson Neves

NUNCA TE ENCONTREI


NUNCA TE ENCONTREI

A vida inteira andei
Desvairada à tua procura
Não sei se por ti passei
E não te vi
Não sei se te encontrei
E te perdi

Louca paixão desenfreada
Se amar quem nunca existiu
De amores platónicos estou cansada
E da vida, que sempre me mentiu.

Desta ânsia de sonhos desmedidos
Adormeço sem saber se vou acordar
Ouço ao longe o eco dos meus gemidos
E dou, por mim a soluçar

E tudo se há-de acabar
Num sonho breve pela vida comandado
E eu eternamente, hei-de ficar
A espera do amor
Nunca encontrado.


Maria Teresa Nicho

AMOR FALA-ME DE TI


AMOR FALA-ME DE TI

Fala-me de ti
Dos vestidos das bonecas, dos brinquedos
Do teu sentir, dos teus sonhos, dos teus medos
Desses livros infantis que eu nunca li.

Fala-me de ti
Da inocência com que buscas a beleza
Da educadora que te chama de princesa
Da felicidade do amigo que sorri

Fala-me de ti
Das birras pela manhã, tão frequentes
Da perrice para lavar os dentes
Dessa vontade de seres tu, em tudo e em ti

Fala-me de ti
Talvez me ensines algo que eu nunca aprendi
Tenho o ar de um avô bem comportado
Mas afinal, eu sou mesmo igual a ti.

António Faria
in “Nós”

lido por Carlos Gomes

ABOMINO O SILÊNCIO


ABOMINO O SILÊNCIO

O silêncio
vestido de bruma
surgiu sorrateiro
e sentou-se a meu lado
tinha um ar absorto

Com um sorriso amargo
tomou o meu corpo
e o meu pensamento
e sem consentimento
sorveu tudo de um só trago

Depois
lançou um olhar
aos meus desabafos
fragmentos esparsos
de amor vida e pena
arrumados em palavras
nas pontas dos meus dedos
para serem poema

Então
com ânsia e desdém
sugou-os também

AH! Abomino o silêncio!

Alice Queiroz
in “Colectânea Galeria Vieira Portuense 2015”
Lido por Isabel Moura


A POETA É MORTA


A POETA É MORTA

A solidão lhe transtornava os dias
lhe apertava o coração em secreta nostalgia
E a matou lentamente
aquela dor latente
dor que ninguém sente.
Morte, porque demoras?
Encosta-me na parede
E mata-me em poucas horas
Fecha a janela e a porta
Puuummm... puuummm... puuummm.
Um último estertor,
a poeta está morta.
Sangra já o seu peito em flor
Atirem-lhe rosas
De todas as cores
Dobrem os sinos num lamento
Por aquela que se foi
Qual pomba branca
De asas abertas ao vento
Finalmente
Em paz

Adelina Charneca
in “Poesia de Silêncios”

lido por Beatriz Maia

ESTOU AQUI


ESTOU AQUI

Num imaginário te vejo
Sereia dos meus sentidos
Um sonho dou-te um beijo
Loucamente estamos vivos.

Estou aqui não te peço
Testemunho teu dormir
Algo me diz que mereço
Esse teu corpo sentir

Não me abandones amor
Tu razão de eu viver
Eternidade jardim flor
Não te vou esquecer

És melodia soneto
Pauta da minha paixão
Estou aqui prometo
Fazer de ti canção


João Pessanha

As palavras


As palavras vêm do outro lado da parede
E caem uma a uma no chão
E na volúpia da essência formam frases
Que se diluem e formam emoções
Numa razão sem razão, que não entendo
Em cada segundo nasce, um novo mundo
Pairando dentro de mim.

Como eu queria que esta parece
Tivesse uma porta
Uma porta aberta para acolher
Todas as palavras que vou juntando
Será sonho, utopia não sei
O que sei é que queria tanto
Ter uma porta nesta parede
Ou somente entre aberta
Pois dessa forma eu poderia ver
A origem das palavras
E talvez, talvez
As nossas palavras se olhassem.

E essa porta imaginária abre-se
Ouço foguetes lá fora
Comemora-se mais um ano
Neste dia festivo
E nesse momento
As palavras envolvem-se em suaves beijos
Que fervilham como o champanhe nas taças
Num texto ainda por escrever
Será ficção, romance, um poema…
Não sei o que sei
É que estas palavras
Uma história irá contar
No alvorecer desta manhã…


Mário Anselmo

"O MEU ACTO DE ESCREVER"


"O MEU ACTO DE ESCREVER"

"O meu acto de escrever",
faz "o meu Ser viver
na expressão dos valores da civilidade..."
e conjuntamente, nesta harmonia...
"o meu acto de escrever",
também, faz "o meu Ser viver
no pleno renascer da alegria..."
por gestos de fraternidade... na Comunidade!

Mas, "o meu acto de escrever",
também, faz "o meu Ser sofrer".
- De Corpo e Alma! -
"Entrego-me, empenho-me, anulo-me..."

Porém, é através "do meu acto de escrever",
que expresso "a mensagem do valor do "SER!..."
No exemplo "do fraternal AMOR!"
E como é "tão gratificante AMAR!"
O meu AMOR partilhar...

"E neste feliz proceder,
mais eu fico "a receber!..."
Por sentir... e ver,
o sorriso... do meu IRMÃO!
E apenas... por lhe dar,
um pouco de AMOR...
do meu coração!"

É neste "meu sentir de consciência"
que estou, e quero viver!
E assim, nesta serena harmonia,
se DEUS quiser, e eu merecer...
vou querer, em paz morrer...

Mas, "em DEUS voltarei a renascer!"
E talvez... volte a viver... para "o meu acto de escrever".
E assim, outra vez expressar "a mensagem do valor do "SER!..."

"A riqueza do Ser Humano" não está no "ter", está no "SER!..."

Helena Duarte

in “Luz...na voz do pensamento”

MEUS PAIS... O SEU SONHO


MEUS PAIS... O SEU SONHO

Sou filha de gente boa e humilde...
Personalidades de elevados valores,
Pais astutos, labutos e empreendedores,
Que ao longo deste tempo tudo fez...
Nunca deixaram de ser sonhadores...
Realizando seu lindo sonho sem dores.
Cujo fruto é uma menina de nome Inês.

Sei que tenho os melhores papás do mundo,
E tudo farei para nunca vos desiludir!..,
Pelos pais que tenho, sinto grande orgulho,
E do vosso amor e carinho, nunca vou desistir.

Sim, sou uma menina privilegiada…
Não que seja mais que alguém?...
Eu me sinto uma filha acarinhada,
Por todos que amo e pela vovó também.

Sou saudável, mexilhona e magrinha...
Recebo amor e carinho de toda a gente,
Estudo, brinco, salto, sou dançarina...
Quero ser o vosso orgulho, simplesmente.

Para que saibam...
Não sou o fruto do acaso…
Sou a semente e o fruto de uma flor,
Os meus pais...
De um gesto lindo e um abraço…
Nasceu a Inês, fruto desse lindo amor.

Mayke

28.JUN.2015

MULHER


MULHER

Tinha um rosto tão lindo
Olhos negros como breu
Seus lábios sempre sorrindo
Escondidos num chapéu
Muito esbelta, e tão formosa
Com um lindo caminhar
Pode sentir-se vaidosa
Pois é olhada ao passar
Já está na meia idade
E nunca perdeu sua graça
Sempre linda, é verdade
Para quem o tempo não passa
Tanto homem a olhar
Porque lhes chama atenção
Cobiça no seu olhar
Ainda acende muita paixão..

Cm.pt
06/04/17
08,45 horas
Para alguém o seu retrato....

Celso Miranda

lido por Graça Silva

QUEM ME QUISER


QUEM ME QUISER

Quem me quiser há de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há de saber os beijos e as uvas
há de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

Rosa Lobato de Faria

Lido por Regina Bacelar