quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

NAS RUAS DA MINHA CIDADE!



NAS RUAS DA MINHA CIDADE!

A andar nas ruas da minha cidade,
vi a miséria de certas pessoas por uns
trocados a discutir,
rostos sem idade, tanta indignidade e
crianças pequeninas a pedir.

Nas ruas da minha cidade
vi meninas descaradas, pervertidas
e creio que mais de metade,
frustradas e convencidas.

Nas ruas da minha cidade,
ouvi histórias de paixões secretas,
encontros de desonestidade
e homens enciumados, autênticos bestas.

Nas ruas da minha cidade,
ouvi pessoas tristes e descontentes,
injustiça e tanta maldade
a serem maltratados por ignorantes.

Nas ruas da minha cidade abri horizontes,
vi esfarrapados em rixas de rua,
gente ao abandono a dormir debaixo das pontes
e sem destino a deambular como a lua.

Nas ruas da minha cidade,
agora as historias são bem diferentes,
há mais gente, mais mocidade
e os mais velhos são coerentes.

Nas ruas da minha cidade,
são discretos os marginais,
há muita luz e diversidade
e a falta de respeito é cada vez mais.

Já não sei andar nas ruas da minha cidade,
os transeuntes atropelam-se e não pedem
desculpa,
a mentira virou realidade
e ninguém é capaz de assumir a culpa.

Nas ruas da minha cidade,
os velhinhos caiem nas passadeiras ao atravessar,
já não existe amor por caridade
e se preciso for deixam-nos ficar.

Gostava de sair é noite a ver o mar,
andar descontraído em liberdade,
entrar num conhecido bar,
nas ruas da minha cidade.

Artur Cardoso
23-11-2018

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