quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ESTILHAÇO


ESTILHAÇO

Repetidos os gestos
Descobrimos os corpos numa exigência de intimidade
A vertigem vai-se escrevendo, desenhada
Errar, é uma forma de repetir a surpresa dos primeiros instantes
Há um sentido quase subterrâneo neste encontro
uma ternura esquiva
um surto de afeto
uma partilha de lume num instante.
Em Agosto, visito a imagem dos grãos de areia na sombra fulva
      de um pôr do sol anunciado
Olharás para mim desfazendo o som deslizante das sílabas
pronunciando poemas, sustentando o olhar no percurso do meu corpo
Esvazia-se a evidência das palavras
A linguagem do querer sufoca a trágica servidão do estilo.


M.Manuela Caldeira VM.2016

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