ANOITECER
A luz desmaia num fulgor
de aurora,
Diz-nos adeus
religiosamente...
E eu que não creio em
nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia,
o fui ... outrora ...
Não sei o que em mim ri,
o que em mim chora,
Tenho bênçãos de amor pra
toda a gente!
E a minha alma, sombria e
penitente,
Soluça no infinito desta
hora ...
Horas tristes que são o
meu rosário...
Ó minha cruz de tão pesado
lenho!
Ó meu áspero e intérmino
Calvário!
E a esta hora tudo em mim
revive:
Saudades de saudades que
não tenho...
Sonhos que são os sonhos dos que eu tive...
Florbela
Espanca
in “Sonetos”
Lido
por Fernanda Rosas
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