SONHANDO SE VAI VIVENDO
Fiz meu fado, meu
destino
E cantei-o em desatino
Pelas ruas da amargura
Onde chora quem o canta
E não cala sua garganta
Para contar tal desventura.
Cantando
se vê o sofrer
De
um fado que ninguém quer,
Mas
que por contradição,
Como
letra mal escrita,
Se
torna em grande desdita
Quando
nos vem cair à mão.
E é nesse choro a
cantar
Que vamos desabafar
Esse destino tão duro
Onde a vida bate forte
E faz entrar em
desnorte
Quem dela só vê o
escuro,
Espera
pela claridade
E
anseia a felicidade
Porque
acha ser seu direito
Poder
cantá-lo em delírio
Muito
longe do martírio
Que
sempre trouxe em seu peito.
Se o fado é da nobreza
Por que será que a
pobreza
Tem um fado ainda
maior?
E por que é que a
nobreza chora
Nesse fado e ignora
Nos pobres tanto valor?
Porque
a guitarra ao trinar
Parece
alguém a chorar
No
seu feliz desatino
E
ouve-se a voz de alguém
Que
canta como ninguém,
Mas
chora como um menino.
Conceição
Freitas
Sem comentários:
Enviar um comentário