sexta-feira, 26 de outubro de 2018

SONHANDO SE VAI VIVENDO



SONHANDO SE VAI VIVENDO

Fiz meu fado, meu destino
E cantei-o em desatino
Pelas ruas da amargura
Onde chora quem o canta
E não cala sua garganta
Para contar tal desventura.
Cantando se vê o sofrer
De um fado que ninguém quer,
Mas que por contradição,
Como letra mal escrita,
Se torna em grande desdita
Quando nos vem cair à mão.
E é nesse choro a cantar
Que vamos desabafar
Esse destino tão duro
Onde a vida bate forte
E faz entrar em desnorte
Quem dela só vê o escuro,
Espera pela claridade
E anseia a felicidade
Porque acha ser seu direito
Poder cantá-lo em delírio
Muito longe do martírio
Que sempre trouxe em seu peito.
Se o fado é da nobreza
Por que será que a pobreza
Tem um fado ainda maior?
E por que é que a nobreza chora
Nesse fado e ignora
Nos pobres tanto valor?
Porque a guitarra ao trinar
Parece alguém a chorar
No seu feliz desatino
E ouve-se a voz de alguém
Que canta como ninguém,
Mas chora como um menino.

Conceição Freitas

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