quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A VARANDA DO MEU OLHAR


A VARANDA DO MEU OLHAR

Da Varanda do meu olhar...
Almejo a noite, minha esperança
por ti perder-me no esperar...

Às vezes penso ter tempo para tudo
na vida
E ao acordar sinto que a vida me passa
ao lado.

Como posso eu dormir se te amo
e quero eternizar todos os nossos
momentos mais íntimos
Se estou por ti apaixonado até às mais
ínfimas profundezas do meu ser.

Vá diz-me? Como posso eu deixar
o tempo a passar
sem que nada faça para o tempo
o nosso tempo, compensar.

E, nas labirínticas vielas da minha alma
vai-me uma infinita angústia
que me devora as entranhas sequiosas
amordaçadas por um tempo de espera
que lentamente me vai conduzindo
à loucura.

Da varanda do meu olhar, sinto-me
enfermo acamado
preso à vida.
A vida que como todo o tempo
te passou ao lado
suave e despercebida
e já não tens mais tempo
nem mais vida
Sobra-te um instante, um só momento
entre a chegada e a partida.

A distância e o tempo suavizaram
a paixão.
E o belo sempre fora mais simples
confuso será amar-te sem te sentir
no coração.

E no tempo, no tempo ninguém manda
nem no coração.
E a vida, a vida sempre será um eterno
regresso a casa.

Da varanda do meu olhar...
Almejo a noite, minha esperança
de te poder sentir, abraçar
como dantes fora eu uma criança
na ânsia do meu desejar.

in “5 sentidos” - Colectânea de texto Poético, Contos e Cartas da Lusofonia, 40 autores

João Nunes Carneiro

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