A VARANDA DO MEU OLHAR
Da Varanda do meu
olhar...
Almejo a noite, minha
esperança
por ti perder-me no
esperar...
Às vezes penso ter tempo
para tudo
na vida
E ao acordar sinto que a
vida me passa
ao lado.
Como posso eu dormir se
te amo
e quero eternizar todos
os nossos
momentos mais íntimos
Se estou por ti
apaixonado até às mais
ínfimas profundezas do
meu ser.
Vá diz-me? Como posso eu
deixar
o tempo a passar
sem que nada faça para o
tempo
o nosso tempo, compensar.
E, nas labirínticas
vielas da minha alma
vai-me uma infinita angústia
que me devora as
entranhas sequiosas
amordaçadas por um tempo
de espera
que lentamente me vai
conduzindo
à loucura.
Da varanda do meu olhar,
sinto-me
enfermo acamado
preso à vida.
A vida que como todo o
tempo
te passou ao lado
suave e despercebida
e já não tens mais tempo
nem mais vida
Sobra-te um instante, um
só momento
entre a chegada e a
partida.
A distância e o tempo
suavizaram
a paixão.
E o belo sempre fora mais
simples
confuso será amar-te sem
te sentir
no coração.
E no tempo, no tempo
ninguém manda
nem no coração.
E a vida, a vida sempre
será um eterno
regresso a casa.
Da varanda do meu
olhar...
Almejo a noite, minha
esperança
de te poder sentir,
abraçar
como dantes fora eu uma
criança
na ânsia do meu desejar.
in “5 sentidos” - Colectânea de texto Poético, Contos e Cartas da
Lusofonia, 40 autores
João Nunes Carneiro
Sem comentários:
Enviar um comentário