ACTRIZ
Prestes
a entrar em palco,
as
pernas tremem,
afina-se
a voz:
RRRRRR RRRRRR PRRRRR,
abre-se
a cortina,
os
holofotes iluminam
um
rosto ainda cansado!
A
cena está bem estudada,
o
monólogo é intenso,
a
velha senhora, na cochia,
puxa
o lenço,
limpa
uma lágrima furtiva!
Os
olhos famintos da plateia
querem
mais,
mais
acção, mais emoção,
mais
sensações, mais poesia,
mais
magia,
um
saco cheio de girassóis,
distribuídos,
de graça,
pela
actriz
comunicando
com o público!
Um
sortilégio raro
toca
fundo a alma,
nasce
Páscoa, amêndoas
e
fogaça,
a
actriz em transe
arranca
da garganta
mensagens
de vida,
há
tempos silenciadas!
Renasce
a esperança
no
calendário do nada,
irrompem
palmas vibrantes,
a
actriz agradecida,
vem
três vezes à boca da cena,
o
sonho renasce cada dia,
no
quentinho do teatro,
limpando
desilusões e mágoas!
Maria
Olinda Sol
Lido
por Alzira Santos
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