sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

CANTIGA, PARTINDO-SE


CANTIGA, PARTINDO-SE

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes
Tão fora d’esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo-Branco
in “800 anos de poesia portuguesa”

lido por Maria do Céu

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