O PESCADOR DA LENDA
Agarrado ao leme
vai o pescador da lenda,
no coração forte as
quimeras da noite
na alma triste a
incerteza do rumo.
Gerações após gerações
viram-no passar firme
no tombadilho da nau.
Hoje, os reflexos do rio
são pingos de sangue nos
grilhões do seu povo.
Furou-se a felicidade nas
malhas da rede,
os panos velhos da velha
lorcha
são fantasmas do
infinito.
Quantos destinos vão
presos
no rumo da quilha, no
fluxo da maré.
Nas mãos calosas
traz o pescador da lenda
filigranas de estrelas.
No coração forte o sol da
esperança
a raiar no tombadilho da
nau,
a fundir na madrugada do
rio
os grilhões do seu povo
os pingos de tragédia.
José Silveira Machado
in “Rio de Pérolas”
lido por Alice Santos
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