quinta-feira, 21 de abril de 2016

TEMPO


TEMPO

O tempo de Abril se foi
Lento no seu devir
Já esmaiaram as rosas
Que em seu pleno rubor
Se propunham florir
Já esmaiaram as rosas
Que em sua virilidade
Teciam sua rubra tez
Sobre o mundo a construir...

E em acenar moribundo
E numa serviçal entrega
Se maculam viris rosas
Esmaidas e esbatidas
Acorrentando duras vozes
Algemadas e doridas
Pobres rosas sufocadas
Que se vêem tão perdidas...

Sobre um tempo de vileza
Com tão pouco mascarado
Aos poucos sufocam rosas
Em seu anil esmaiado
Rosas que haviam erguido
Em toda a sua pujança
Todo o seu ser alentado
Rosas que também quiseram
Redondo o mundo esmaltado
Rosas que não julgaram
Haver jugo no seu estar
Que nunca o iriam erguer
Em seu redil soletrado
E não viram ser seu sangue
Em seu vermelho profanado…

Ó rosas que vos perdeste
Em vosso estar descuidado…


Acilda Almeida

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