sábado, 23 de fevereiro de 2019

NAVEGANDO



NAVEGANDO

Hoje, andei no mar
Onde permaneci a noite inteira,
Sai e entrei pela foz, rumo há Ribeira,
Para ali o barco acostar;
Mas antes passei pela Afurada
Que não saudou a minha entrada
E eu ali, só vi estendal e paus no ar.
Com fraldas e lençóis feitos bandeira,
Não parei, porque o meu destino era a Ribeira.

No ar vinham gaivotas,
De viagens tão remotas,
Num oceano perdido.
Elas vinham a planar e a piar
Iam-me segredando ao ouvido
Que o Porto pela sua natureza,
Ele tem muita beleza
E no Porto tenho um bom amigo.

O barco ia navegando,
A corrente da maré ia rasgando
Que se desfazia em espuma branca,
Qual neve amontoada, depressa a quilha cortava,
O vestido da noiva desposada.

Quando a ribeira cheguei,
Depressa o barco amarrei
E logo se fez balouçar
É o Douro o meu amigo
Que tem no Porto um abrigo,
Onde o Turista gosta de estar.
Em seguida subi a calçada
E a esta galeria vim parar.

Encontro uma casa de pedra granítica
Que tem nas paredes molduras coloridas,
Por aqui passa a cultura de muitas vidas
Que gostam de apresentar
E eu tenho a certeza
Que a escrita traz beleza
A esta casa a este lugar.

Onde há abraços e beijinhos
Acompanhados com sorrisos e carinhos
Que sabem bem saborear
E cada um na sua fisionomia
Passa aqui um bom resto de dia
Pincelando o verbo amar.

A corrente inspirou o poeta
A musa é outra senhora
Qualquer dia se calhar
Voltarei aqui para declamar
Digo adeus e venho embora.

João Bernardo

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