ANDA, Vem
Anda, vem... porque te negas,
Carne morena, toda
perfume?
Porque te calas,
Porque esmoreces,
Boca vermelha… rosa de
lume?
Se a luz do dia
Te cobre de pejo,
Esperemos a noite presos
num beijo.
Dá-me o infinito gozo
De contigo adormecer,
Devagarinho, sentindo
O aroma e o calor
Da tua carne, meu amor!
E ouve, mancebo alado,
Entrega-te, sê contente!
… Nem todo o prazer
Tem Vileza ou tem pecado!
António
Botto
Lido
por Maria Adelina Gomes
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