UM SONHO
DE NATAL
Encostado
a uma ombreira
Conta as
poucas moedas
Que tira
da algibeira
Devem dar
para um banquete
E cama
fofa na pensão.
Direito a
banho com sabonete
Roupa de
cama bem seca
Com
cheirinho a alfazema.
Mal sente
as penas do colchão
Tão
diferentes das pedras
Onde
estende o seu catão.
Fecha os
olhos e manda servir
Batatas,
grelos e bacalhau
E um ovo
pelo meio
Tudo bem
regado com azeite
E o copo
de vinho bem cheio.
Se o puré
estiver bem assado
Pode vir
um pedacinho
Com um
pouco de recheio.
Traga
agora sobremesa
Rabanada,
bolo rei… e queijo
Com
marmelada
Se quero
mais alguma coisa?
Não estou
cheio, não quero mais nada
Foi a sua
última refeição.
O bisturi
cortou, retalhou…
No
estômago nem sinais do belo repasto.
No
coração não detetou
Os maus
tratos da vida
E no
cérebro não encontrou
A vontade
de morrer
Como
quisera viver.
Maria
Pereira
Por Fernanda Pereira
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