quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

UM SONHO DE NATAL



UM SONHO DE NATAL

Encostado a uma ombreira
Conta as poucas moedas
Que tira da algibeira
Devem dar para um banquete
E cama fofa na pensão.
Direito a banho com sabonete
Roupa de cama bem seca
Com cheirinho a alfazema.
Mal sente as penas do colchão
Tão diferentes das pedras
Onde estende o seu catão.
Fecha os olhos e manda servir
Batatas, grelos e bacalhau
E um ovo pelo meio
Tudo bem regado com azeite
E o copo de vinho bem cheio.
Se o puré estiver bem assado
Pode vir um pedacinho
Com um pouco de recheio.
Traga agora sobremesa
Rabanada, bolo rei… e queijo
Com marmelada
Se quero mais alguma coisa?
Não estou cheio, não quero mais nada
Foi a sua última refeição.

O bisturi cortou, retalhou…
No estômago nem sinais do belo repasto.
No coração não detetou
Os maus tratos da vida
E no cérebro não encontrou
A vontade de morrer
Como quisera viver.

Maria Pereira
Por  Fernanda Pereira

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