NÃO TENDO NADA, TINHA
TUDO!
Aquele menino, hoje um
homem, sempre teve tudo.
Não tinha televisão,
nem rádio,
nem roupas nem calçado
novos,
nem brinquedos,
nem guloseimas,
nem livros,
nem cadernos,
nem lápis,
nem esferográficas.
A televisão via-a na
casa de um tio onde todos os meninos da aldeia
viam televisão.
As roupas e o calçado
vinham, usados, das famílias mais abastadas que
ele depois remendava e
consertava.
Os brinquedos
construía-os ele próprio.
As guloseimas estavam
fora do seu alcance.
Os livros, cadernos,
lápis e esferográficas eram substituídos pela
ardósia e lápis de
lousa onde escrevia vezes sem conta as palavras que
queria reter.
A leitura fazia-a
através dos livros que requisitava na biblioteca
itinerante.
Este menino que
aparentemente não tinha nada, tinha tudo!
Tinha amor,
carinho,
harmonia,
paz,
tranquilidade.
Este menino que
aparentemente, e só aparentemente, não tinha nada,
tinha tudo!
E era feliz!
Cândido
Arouca
in
“Escolhi ser feliz”
lido
por Graça Silva
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