QUE SAUDADE!
Que saudade eu tenho de ver trigais doirados
alegres raparigas trigueiras
que saudade de ver os pardais a chilrear nos telhados
como dantes, entre as portas abertas, costureiras.
Tenho saudade de rir à gargalhada
despreocupado e quantas vezes imprudente
de ver a tua cara de zangada
que te fazia ainda mais atraente.
Tudo passou com o decorrer dos anos
e com algumas circunstâncias que me contrariaram,
que saudade de te ver frenética e cheia de flexibilidade (…)
Que saudade eu tenho até dos desenganos
que me aborreceram e me marcaram,
que saudade eu tenho! Que saudade.
Artur Cardoso
in Marés da Alma
lido por Amílcar Mendes
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