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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Eu queria escrever-te uma carta



Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim,
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura
da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kiesa
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...
Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajús e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero! - não sei escrever também!

António Jacinto
 lido por Vitor Cordeiro

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Poesia na Galeria Setembro 2019

 António Monteiro
 Manuel Maia
 Acilda Almeida
 Conceição Oliveira
 Fernanda Cardoso
 Manuela Caldeira
 Dina Magalhães
 Paraty
 Alice Santos
 Vitor Cordeiro
 Serigrafia de Avelino Rocha para sorteio
 Acilda Almeida retira o número sorteado
 Fernanda Santos a sorteada da sessão
 Fátima Ferreira, Manuela Caldeira, Maria Afonso Morais, Helena Duarte, 
Fernanda Santos e Acilda Almeida
Fernanda Cardoso e Maria de Lourdes Ferreira

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A MANHÃ TEM AVES E MULHERES LINDAS



A MANHÃ TEM AVES E MULHERES LINDAS,
e tem árvores e tem sonhos e varandas com flores...
Eu tenho tudo isto porque ando na rua
e porque me esqueci neste sol todo de que havia propriedade
e meti ao bolso aves e mulheres, árvores, varandas e sonhos...
Tenho tudo isto e não tenho nada.
Porque a noite em que tudo se apaga, já está dentro dos meus olhos,
porque bem sei afinal que as minhas mãos estão razias, e nos bolsos
só está o sonho de lá ter metido qualquer coisa...

A noite já veio e eu queria ainda acreditar nesta manhã,
queria por força que tudo fosse manhã, dentro de mim e dos outros...
Mas nem eu nem os outros ternos senão sonhos envenenados,
senão esta recordação atravessada na carne,
dum dia que não houve,
dum dia que mais urna vez nos foi roubado,
dum dia em que ia a haver realmente
a manhã de sol, de todos nós.

Nem paz, nem gritos, nem beleza, nem sonhos
se salvam dentro desta manhã em que me sinto intruso
e a mais, numa natureza tão longe do homem,
numa natureza que ainda ignora
termos ficado todos sepultados junto dos outros todos que morreram...
Porque a vida continua,
mas em vão caiu na terra o sangue,
em vão o sangue se misturou á lama das trincheiras,
escorreu das casas despedaçadas,
foi rio descendo as ruas das cidades mártires...
Em vão —
mas não sai dos meus ouvidos o último estertor dos nossos mortos,
a voz dos que morreram por nós em todas as latitudes,
crucificados para a nossa salvação,
dos que morreram para redimir as nossas cobardias quotidianas,
para vingar as nossas derrotas quotidianas,
para nos salvar da nossa miséria quotidiana...

Dos que morreram por nós, por vós, por todos,
dos que morreram mesmo pelos que não sabem,
mesmo pelos que fingem ignorar,
mesmo por todos os inimigos...

Adolfo Casais Monteiro
in “Canto da Nossa Agonia”
Lido por Vitor Cordeiro

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Poesia na Galeria Julho

 Conceição Oliveira
 Vitor Cordeiro
 Lourdes Alegria
 António Monteiro
 Acilda Almeida
 Manuela Caldeira
 Agostinho Costa
 Serigrafia para o sorteio da sessão
 Helena Maria Simões Duarte, a sorteada do dia
 Alice Santos e Alice Branco


 Alice Santos e Fernanda Cardoso



terça-feira, 25 de junho de 2019

MADRUGADA DE ABRIL



MADRUGADA DE ABRIL

Hoje, já não durmo,
(ainda é cedo),
Porque tarde se torna esta manhã.
Vou à procura da noite,
Sem ter medo,
Que a maré anda "viva", não está chã!
(E o meu país fenece, acorrentado,
dentro de grades sujas e servis.)
O que é feito de ti, ó terra minha,
ó povo inerte, ó Pátria adormecida?
Tão velha, tão cansada, tão perdida,
que sendo nossa és minha e, sendo minha,
acordarás numa poesia, de manhã!
(E o meu país fenece, acorrentado,
dentro de grades sujas e servis.)
Ergue os punhos de veias já escondidas,
os teus cabelos grisalhos numa febre.
Há um último grito à despedida,
que o tempo urge, porque é breve,
que o tempo é tão breve, sempre breve.
(E o meu país fenece, acorrentado,
dentro de grades sujas e servis.)
Como uma nau que rasga o mar por todo o lado,
Hás-de sulcar caminhos neste mar.
Hás-de soltar a voz da liberdade,
porque o que importa, agora, é acordar!
E o meu país que fenece, acorrentado,
Dentro de grades sujas e servis,
vai levantar-se numa bandeira de verdade,
porque é
de liberdade o meu País ... !!!

Eldad Mario Neto
in “Entre Margens”
lido por Vitor Cordeiro

VOLÚPIA



VOLÚPIA

Era já tarde e tu continuavas
entre os meus braços trémulos, cansados...
E eu, sonolenta, já de olhos fechados,
bebia ainda os beijos que me davas!

Passaram horas... Nossas bocas flavas,
Muito unidas, em haustos repousados,
Queimavam os meus sonhos macerados,
Como rescaldos de candentes lavas.

Veio a manhã e o sol, feroz, risonho,
entrou na minha alcova adormecida,
quebrando o lírio roxo do meu sonho...
Mas deslumbrou-se... e em rúbidos adejos
Ajoelhou-se... e numa luz vencida,
Sorveu... sorveu o mel dos nossos beijos!

Judith Teixeira
in 'Abril - Madrugada'
Lido por Vitor Cordeiro

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Poesia na Galeria 15-06-2019

José Oliveira Ribeiro
Guida Dias
Vitor Cordeiro
Artur Barrios
Dina Magalhães
 Angelino Santos Silva
 Arnaldo Teixeira Santos
 Alzira Santos
 Alzira Santos
 Eldad Mario Neto
Vitor Cordeiro e Eldad Mario Neto
 Vitor Cordeiro
 Constância Néry
Ana Paula Dória

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Poesia na Galeria 16 Dezembro 2017

 José Oliveira Ribeiro
 Luís Pedro Viana
 Kim Berlusa

 Vitor Cordeiro
Irene Costa
 José Guterres
 Dina Magalhães
 Alzira Santos
 Manuela Caldeira

 Alice Santos
Paraty
Luís Pedro viana
 Agostinho Costa faz o sorteio da gravura de Avelino Rocha
 Goreti Dias foi a sorteada da sessão

Manuela Caldeira, Helena Duarte, Maria Olinda Sol, Acilda Almeida e Alzira Santos