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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

NAMORA COMIGO!



NAMORA COMIGO!

Vai ser hoje, pensei. Tudo porque existes e em passar por mim persistes. Seja de manhã, seja de tarde! Quando por ti passo, quando para ti olho, não sei porquê, sinto que o meu coração se incendeia e por ti arde.
Não aguento mais. Há dias, decidi: vai ser hoje. Peguei numa folha A4, peguei numa pena e eis-me a escrever-te, não sei se em forma de prosa, se em forma de poema. Sei que quando por mim passas, e que em passar por mim persistes, quando isso acontece, vejo-te já como um poema e o dia fica cheio de poesia.
A razão de te escrever é para que saibas que fico ansioso à espera da tua resposta. E aqui eu te peço: namora comigo!
Quem sabe se depois de acompanhar a poesia do teu olhar, o teu doce menear, a tua serenidade corporal, não casamos e, depois, poemas de amor um ao outro recitamos? Talvez um poema, em coautoria contigo, passados alguns meses, editemos.
Foi hoje. Ficas a saber o que me provocas quando por mim passas.
Namora comigo. Quando me abraças? Casa comigo para, depois, eu, que sou escritor e poeta, ler no teu corpo, no teu olhar, no teu coração, amor para toda a vida. Fico à espera da tua resposta. Fico à espera do teu por mim novo passar. Será que posso acompanhar-te? Será um bom começo. Depois, bem, depois virá o resto...
Assina aquele que quando por ele passas persistes em o olhar e acabas, sempre, por o seu coração incendiar! Tu sabes quem.
Espero que passe a ser teu amor, teu bem.
Namora comigo!

Silvino Figueiredo

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Poesia na Galeria 16-02-2019

 Ester de Sousa e Sá
 Angela Loureiro
 Maria Camps
 Agostinho Costa
 Acilda Almeida
 Adolfo Castelbranco e Manuela Caldeira
 Manuela Caldeira
 Silvino Figueiredo
 Alice Santos
 Senza
 Senza
 Senza
Serigrafia de Ariosto Madureira para o sorteio da sessão
 Maria Teresa Nicho tira o número sorteado
 Fernando Santos o sorteado da sessão

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

MATAI-NOS



MATAI-NOS

Já olhamos por netos,
Contamos-lhes histórias d’embalar,
Já os levámos aos jardins infantis,
Aos parques urbanos,
Com eles brincamos
Levamo-los às festas de seus amigos,
À escola,
Às atividades dos tempos livres,
Ginástica, dança, basquetebol.
Agora matai-nos.

A dizer poesia ensinamos,
Levámo-los aos carroceis,
A serem bons meninos educamos,
Demos-lhes muitos abraços e beijos
Prendas e poemas em cada aniversário
Muitas refeições em nossa companhia,
Nós deles e eles nossa alegria
Mas, agora, matai-nos.

Nas doenças estivemos presentes,
Estão quase a namorar,
Mas, agora, matai-nos,

Ouvimos um político português
A condenar a peste grisalha,
Agora, foi a vez
Dum ministro japonês condenar os velhos
Em nome da saúde da economia,
Coisa que não percebo;
Pois se é graças aos velhos,
Que milhões de novos têm emprego!

Se matarem os velhos
Matam afetos dos netos
Que avós nunca chegarão a vê-los!

Onde ficarão as saudades dos netos
De cada geração?

Ao que chega a ingratidão
De querer matar quem ajudou e
Ainda ajuda muitos filhos a comerem pão?
Matai-nos
Como será a lei para matar velhos?
Quando? Como? Com que idade?

Foi essa desgraçada economia,
Em nome da qual puseram os velhos em
maioria,
Graças à inovação e total robotização!
Mas, coisa que não percebo,
É que tratar dos velhos, dar-lhes mais
longevidade,
Andarem por aí a turistar;
a comer e a passear,
Dá aos novos milhões d’empregos!

Acabar com os velhos é eliminar milhões
de postos de trabalho!
Quem os quer matar,
Quem diz que são peste grisalha,
Não é gente, é somente canalha!

Será que no futuro,
Após o casamento de filhos ou filhas
E após o nascimento do primeiro bebé;
Logo, sem piedade, sem dó,
Mata-se o avô e a avó?!!
Mata-se os afetos dos avós aos netos?
Matam-se beijos e abraços?
Mata-se a sabedoria da vida?
Mata-se a poesia de ver os netos a crescer?
Matai-nos

Por fim, será o reinado da economia,
Que chega ao ponto de,
Vejam só, logo que nasça um neto,
Mata-se a velha família!

Um foda-se meu para o japonês,
Um foda-se meu para o político português!

Matai-nos.   Que fique o amor
De eterna peste grisalha.

Quem diz o contrário
Deixai-o dizer,
Não ligueis. É ainda canalha!

Silvino Figueiredo
(O figas de Saint Pierre de Lá-Buraque)

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

TRAGAM-ME PALAVRAS



TRAGAM-ME PALAVRAS

Tragam-me palavras
Daquelas com que se pintam paisagens
Daquelas com que se pintam retratos.
Um poeta precisa de tintas
E telas para desenhar
E pintar traços nelas
Onde encontrar palavras,
Com colorações, para retratar
Os olhos verdes do seu amor?
Onde encontrar palavras,
A três dimensões
Para distinguir
A ligeireza da profundidade?

Que palavras realçam emoções?
Quais as que exalam perfumes?
Com quais pintar mares azuis?
Tragam-me palavras,
Que preciso delas, urgentemente,
Para fazer um poema, uma obra de arte
Que se destaque
Tragam-me palavras,
De pintura e escultura diferente,
Inacessíveis a qualquer exposição
Incapazes de ficarem dependuradas
Ali, numa parede ou no chão,
À mercê de qualquer um.
Tragam-me palavras que fiquem
Somente
Cravadas no peito do meu amor
Guardadas no seu coração
Por favor, Tragam-me palavras

Silvino Figueiredo
Figas de saint pierre de lá buráque,
Gondomar
Lido por Lourdes Alegria

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Poesia na Galeria 17-11-2018



 Silvino Figueiredo e Fernanda Cardoso

 Agostinho Costa


 Lourdes Alegria
 João Bernardo
 António Gonçalves
 Ester de Sousa e Sá
 João Nunes Carneiro
 Silvino Figueiredo
 Regina Bacelar
 Conceição Freitas
 Helena Duarte

sábado, 25 de agosto de 2018

ATE UM DIA



ATE UM DIA

Quantos kms faz com um litro?
Quanto gasta aos cem?

Eis a preocupação da relação
entre o gasto e a produção,
mas, eis uma nova questão:
quantos poemas se fazem
apenas com uma sopa
ou com um simples pão?

Um carro não anda sem energia!

Barriga vazia faz poesia
da boa?

Quanta poesia
não se faria só com um quilo de broa?

Por acaso,
sim por acaso,
sabeis vós da poesia
das barrigas vazias
dos poetas esqueléticos da Etiópia,
da Eritreia ou do Sudão?

Que poesia há e se lê nesses corpos,
que se arrastam pelo chão?

As pontas dos seus ossos
são lanças
que se cravam nos nossos corpos!

Terão falta de canetas?
falta de tinta?
falta de papel?
informação sobre a rima dos sonetos?

Não,
se desses esqueléticos corpos,
pretos,
o espírito
ainda tivesse força de expressão,
a primeira palavra,
o primeiro verso que diria seria;
-"dai-nos pão"

Povos que vivem de rastos,
sem restos do nosso pão,
enquanto nós;
poetas de barrigas cheias,
fazemos poesia
sobre quem tem barriga vazia,
na Eritreia, Etiópia ou Sudão!

Até um dia,
até um dia.

Até que povos,
que nesse estado estão,
dêem tareia aos poetas de barriga cheia"

Mas,
voltando à questão inicial;
da preocupação da relação
entre o gasto e a produção,
pergunto:
quantos versos os poetas da Etiópia,
da Eritreia ou do Sudão,
não fariam com uma simples sopa,
com um simples pão?

Silvino Figueiredo
in “Pedaços de mim”

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Poesia na Galeria - Agosto

 Maria Augusta Monteiro
 Silvino Figueiredo
 José Guterres
 Helena Duarte
 Isabel Moura
 José Faria
 Maria Afonso Morais
 Maria Augusta da Silva Neves
 Adolfo Castelbranco
 Alice Branco
 Maria Teresa Lopes

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Poesia na Galeria Julho 2018

 Maria da Glória
 Maria da Glória
José Oliveira Ribeiro
 António D. Lima
 Maria Teresa Nicho
 Dina Magalhães
 Isabel Moura
 João Pessanha
 Manuel Maia
 Silvino Figueiredo
 Conceição Oliveira
 Conceição Oliveira

 Fernanda Santos