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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Poesia na Galeria 20-01-2018

 Ricardo Santos
 Beatriz Maia
 Carlos Gomes
 João Pessanha
 Isabel Moura e Luís Pedro Viana
 Isabel Moura
 Rosário Lemos
 José Faria
 José Oliveira Ribeiro
 Maria Antónia Ribeiro
 Helena Duarte
 Artur Cardoso
 Fátima Cardoso
 Artur Cardoso e Fátima Cardoso
 Guilherme Andrade

quarta-feira, 12 de julho de 2017

LITANIA HERÓICA


LITANIA HERÓICA

Entrem, entrem os ventos, os chuveiros, as estrelas,
No palácio inabitado
Sem telhado, sem-vidraças nas janelas...
Que os vidros se me estalaram,
O telhado me voou,
E, pelas, mil caminhos que ante mim se desdobraram,
Os meus passos me levaram,
E eu lá vou (nem sei se vou…)!

Sem preferir, sem definir, sem restringir, avanço
De renúncia em renúncia, luta em luta.
Não sou para ter descanso,
Não para ser redimido...

Também não sou para vencer ou ser vencido.
Lutei, e luto, e lutarei...
Do Nenhum-Reino é que sou rei!

Também não sou para dormir nas estalagens.
Venho de trás, vou para a frente...
Como bastar-me o presente?
Lucidamente delirante, o meu olhar é um rastro ardente
Incendiando todas as paisagens...

Por tudo isto sou profundamente só,
E me debato na ansiedade,
E nada sei ver só dum lado,
Porque, pairando em tudo corno a luz ou corno o pó,
Transbordo de humanidade,
Vivo desumanizado...

Vivo na heróica Tortura,
E viva a magna Aventura!
Minha Grandeza é sem cura...,
Renego a felicidade.

Entrem, entrem, os ventos, os chuveiros, as estrelas,
No palácio inabitado
Sem telhado, sem vidraças nas janelas...

Entrem as aves nocturnas,
Os animais sem dono, as feras brutas,
Os fantasmas peregrinos,
E os lunáticos, os párias, os ladrões, os assassinos,
Que têm olhos como furnas,
Bocas mudas como grutas...

Tudo em que mais vasto for,
(Sei-o! bem no sei, Senhor!)
Pagá-lo-ei demasiado caro.

Faça-se, pois, em mim toda a vossa Vontade,
Emudeça em meu lábio o vão reparo...

Em mim se cumpra a vossa Imensidade!

... E a vida me persiga
Com as misérias mais subtis e menos gloriosas,
As decepções mais insólitas,
Humilhações mais recônditas
E raras,
Para que enfim se extinga em mim a veleidade
De também ir atrás de nem sei que felicidade...

Entrem, entrem os ventos, os chuveiros, as estrelas,
No palácio inabitado
Sem telhado, sem vidraças nas janelas...

E de misérias, decepções, humilhações,
E apelos de velhos vícios,
E virtudes ignoradas,
Farei látegos! cilícios
Para me modelar às chicotadas!

Assim não pare, nem descanse,
Seja em que lar ou seja em que deserto.
Sem preferir nada a nada,
Fugindo sempre da estrada,
De contínuo avance!
Avance, sempre mais longe e mais perto...

Porque não é em mim que me sonhei viver!
Meu ser-eu só me aperta, e só sonho esmagá-lo.
Livre, sou tudo que é, foi, há-de ser,
Vivo em tudo que vive, há-de viver, viveu...

E então, quando eu disser: «eu...»,
Já direi: «Não! não é de mim que falo!»

Entrem, entrem os ventos, os chuveiros, as estrelas,
No palácio inabitado
Sem telhado, sem vidraças nas janelas...

José Régio
in “Poemas de Deus e do Diabo”
Lido por Rosário Lemos

terça-feira, 20 de junho de 2017

POESIA NA GALERIA 17 de Junho

 Rosário Lemos
 Maria Alice Branco
 Conceição Oliveira
 Alzira Santos
 Graça Silva
 Ester de Sousa e Sá
 Manuela Caldeira
 Lúcia Martins
 Maria Irene Costa
 Guilherme Andrade
 Mafalda Lopes
 Luís Pedro Viana

quinta-feira, 1 de junho de 2017

INUNDAR DE INFÂNCIA


INUNDAR DE INFÂNCIA

Hoje acordei sem dia,
a casa sem lar,
a cama sem leito.

Hoje acordei sem mim.

Saí à rua,
para me deixar possuir
pela simples leveza de existir.

Crianças passaram por mim,
aos bandos de espantar,
com folias e desmandos,
nessa fabricação de milagres
que é o absoluto brincar.

Dentro de mim
o universo se dissolveu
e um respirar de céu
em meu peito se inundou.

Seria a Vida,
seria o Tempo sem nostalgia,
ou seria, apenas, a poesia?

Sei que havia um fluir de rio
lavando antiquíssimas dores.

E do cristal de tristeza
que antes me negava o ar,
desse nó de vazio,
voltou a nascer o mar.

Mia Couto
in “Vagas e Lumes”

Lido por Rosário Lemos

terça-feira, 23 de maio de 2017

Poesia na Galeria - Maio

 Vitor Cordeiro
 Rosário Lemos
 Angelo Vaz
 Manuela Nobre
 Angelo Vaz
 Silvino Figueiredo
 José Carlos Costa
 Mafalda Lopes
 Manuela Caldeira
Agostinho Costa
Alberto Silva

sábado, 22 de abril de 2017

A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS


A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

MEYSER ANDRESEN
in “Verbo - Deus como interrogação na poesia portuguesa”

lido por Rosário Lemos

terça-feira, 18 de abril de 2017

Poesia na Galeria - Abril

 Maria Teresa Nicho
 Maria de Lourdes Ferreira
 Maria Paulina
 Rosário Lemos
 Luís Pedro Viana
 Dionísio Dinis
 Mafalda Lopes
 Manuela Caldeira
 Mário Anselmo
 Arnaldo Teixeira Santos foi o sorteado da sessão


 Isabel Moura e Alice Branco




 Su Sam e Manuela Caldeira
 Lourdes Alegria e Luís Pedro Viana
 Daniela e Mário Anselmo
Manuela Caldeira, António Gonçalves, Helena Duarte e Ester de Sousa e Sá