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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

TUDO É NORMAL?



TUDO É NORMAL?

É muito cansativo saber do mundo.
O drama do seu conhecimento traz incertezas
às almas inquietas e inflama as mentes,
produz delírios e febres permanentes.

Os noticiários causam náuseas desabridas
em informações repetidamente repetidas.
Nas estações televisivas, cheias de criatividade,
é normal dar tudo igual à mesma hora,
até mesmo a publicidade.
Agressiva sintonia original, a que nada falhe
no cansaço repetido do trivial.
Assim nos vão habituando e no porvir,
será muito trabalhoso evoluir.
E não há que reparar, tudo é normal.

Terras e montes outrora sossegados
são pomares plantados a dar frutos errados.
É normal andar de faca ponta-e-mola
ou viajar munido de pistola.
E, por qualquer coisa, tudo ou nada,
atacar a tiro ou à facada.
Agora é tão normal ser-se malcriado,
passou, decerto, a ser um novo fado.
E para cúmulo das minhas esperanças
é normal abusar de velhos e crianças.

No inovado modo de não se refletir,
o desequilíbrio que nos habita, como gerir?

Se a desordem no mundo é um sentido
não sei mais o que penso ou o que digo.
Talvez, por muito estranho que pareça,
seja normal ficar maluco da cabeça!

Filomena Fonseca
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2019”
lido por Paula Nisa

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Poesia na Galeria 16 Novembro 2019


  
 José Faria


 Arnaldo Teixeira Santos
 Lourdes Alegria
 António Gonçalves
 Paula Nisa

 Manuel Maia
 Ester de Sousa e Sá
 Goreti  Dias
 Dionísio Dinis
 Conceição Freitas
 Marília Teixeira
Angelino Santos Silva

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Quem de nós

Quem de nós
Terá “a chave”
Para interpretar
Na sua totalidade
O SER HUMANO?!
Não raras vezes
Um olhar magoado
Nos dá a leitura possível
De traços anímicos
E de personalidade,
Tão íntimos,
Quanto enigmáticos.

Nasci
Na hora
Em que as aves
Desenhavam em voos
Percursos do meu
Caminhar!
Não podia eu
Conhecê-los
Acabado de chegar,
Cordão umbilical
Cortado,
Separado afinal,
Biologicamente,
De minha mãe
Alicerce do meu
Existir!
Já coabitava, em mim,
No entanto,
 A ânsia interpretativa
Da vida.
E assim cresci
Desenhando em voos,
Qual ave,
Percursos que me levassem
A horizontes sem fim!
Vivi assim,
Com encontros
E desencontros,
Ganhando
Perdendo!
Lutando, alegrando -me,
Sofrendo,
Mas sempre...
Vivendo!

Talvez por isso,
Hoje,
Desenhando 
Na minha imaginação
Voos de sentimentos,
Eu tenha tão presente,
A tua imagem,
Minha mãe!
Talvez e também
Ainda, porque,
Quando eu nasci
Nessa hora em que
As aves desenhavam
Em voos,
Percursos do meu caminhar,
Talvez, minha mãe,
Eu tenha desenhado,
Tal como as aves,
Em voos de busca infinda,
O teu rosto
A tua recordação
Tão viva e impressa
No meu afecto,
No pulsar
Do meu coração!
Vivo em paz,
Na busca possível
Do desenho
Que as aves
Imortalizaram,
Lá no Cosmos sem fim,
De traço tão intenso
Como este sentimento
Que agasalho
Dentro de mim!
                                                             Á memória
                                                             De um grande amigo
                                                             Eduardo Taveira da Mota,
                                                             Que um dia surpreendi,
                                                             Olhando o retrato
                                                             De sua mãe!

Paula Nisa
in "Coletânea Galeria Vieira Portuense 2019"

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Poesia na Galeria 19-10-2019

Conceição Freitas
 Manuel Fernando
 Aida Duarte
 José Faria
 José Oliveira Ribeiro
 Céu Guedes
 Fernanda Rosas
 Ester de Sousa e Sá
 Paula Nisa
 Donzília Martins
 Angelino Santos Silva
 Fernanda Cardoso

sábado, 28 de setembro de 2019

A TI, MULHER TRANSMONTANA



A TI, MULHER TRANSMONTANA

Vi-te
No umbral da tua pobre casa
Quando numa postura
Quase de joelhos
As tábuas do chão esfregavas!
Vi-te
Naquela tarde de Domingo
Quando sentada
Numa pausa da labuta,
As roupas velhas e rotas
De teus filhos,
Consertavas!
Vi-te
Lá longe no campo,
Em qualquer dia,
Ao acaso,
Quando com pesada enxada
A terra trabalhavas!
Vi-te
Várias vezes, todos os dias,
Quando com expressão cansada,
Às vezes doente, até,
Os chicharos para cozinhar
Tu preparavas!
Que ceia melhorada
Nunca havia em tua casa!
Vi-te
Cheguei-te a ver mesmo descalça
Com os pés arroxeados
Pelo frio do Inverno!
Vi-te
Triste e sozinha
Quando em dias de festa
Na Procissão não podias figurar
Porque não tinhas roupa adequada
Para poderes trajar!
Vi-te
Vi-te tantas vezes,
Ao Sol intenso
Ou à chuva,
No rio teus farrapitos a lavar!
A água límpida
Reflectia o teu rosto puro,
Mas amargurado!
E eu com o coração contristado
Pensava:
— Os tempos hão-de mudar... —
Vi-te!...
Tu eras o reflexo pálido
D'um século gélido,
Acorrentada a engrenagens
Que resultavam, quem sabe,
Das miragens malditas
De algum possível monstro,
Dono e senhor,
de algum possível lugar!...
Vi-te
Eras o engano no tempo,
O sofrimento,
Momento a momento,
Que não tinha direito a nada,
Ou a muito pouco,
Quase nada,
Que te fizesse
Verdadeiramente feliz!...
Eras afinal ainda,
Uma certa forma,
mulher-escrava!...

Mas os tempos mudaram,
Obedecendo às implícitas
alterações históricas!...

"Porque, enquanto houver vida sobre a terra,
os tempos sempre hão-de mudar!..."

E eu senti com alegria
Que a verdade venceria,
A verdade da tua condição
De mulher, apenas...
O direito total
Que te deve permitir
Viver a vida
E não apenas,
Passar ao lado dela!...

Por isso,
Mulher amiga,
Sorri
Sorri feliz,
Pois qualquer coisa me diz
Que será uma realidade
A verdade
De te ver,
Limpando sim
Mas o chão bem assoalhado,
Até quem sabe, alcatifado
De tua casa bem cuidada!...
E que os teus filhos
Hão-de ir arranjadinhos,
Com roupas asseadas, à escola...
E que tu largarás de vez a enxada
E a substituirás por actividades
Que possas suportar,
Sem que o teu corpo murche
E se mirre dia-a-dial...
Tu terás ainda o direito a comer
Arroz, massa, carne, peixe,
Com tua família ao jantar...
E não envelhecerás
Cozinhando apenas chicharos,
Fatalmente,
Como o repetir d'uma necessidade
Ou o enfartar
D'um hábito doentio!

Sentirás então
Que os tempos mudaram
E quer seja Inverno ou Estio,
Tu terás condignamente
O teu calçado,
Vestindo requintada,
Com roupas novas até,
Por ocasiões de festa,
Pressentindo que,
A máquina de lavar roupa
Será também para ti, amanhã...
Uma realidade...

Então voltarás ao rio,
Irás ao rio como d'antes,
Mas apenas para descansar,
Deixando que a água límpida,
Reflita teu rosto feliz,
Teu rosto de Mulher,
Pensando que é no tempo
Que mergulha a raiz
Desta verdade que nos diz:
— Enquanto houver vida sobre a Terra,
Os tempos sempre hão-de mudar!... —

Paula Nisa
in “Rostos de Terra”
Academia de Letras de Trás-os-Montes

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Poesia na Galeria 21 de Setembro 2019

 Fernanda Rosas a ver a exposição de Novais





 Arnaldo Teixeira Santos
 Francisco Ferreira
 Rosa Valente
 Fernando Santos
 Maria Teresa Nicho


 José Carlos Costa
 António Gonçalves
 Céu Guedes
 Fernanda Rosas
Goreti Dias
 Dionísio Dinis
 Paula Nisa