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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Poesia na Galeria Vieira Portuense Nov 2017

 Adelina Gomes
 Maria Graço Melo
 Adolfo Castelbranco
 Agostinho Costa
 César Carvalho
 Nelson Neves
 Alzira Santos
 Helena Duarte
 Helena Duarte e José Lacerda Megre
 António D. Lima
 João Bernardo
 Bi Rodrigues

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

TU ESTÁ AQUI


TU ESTÁ AQUI

Estás aqui comigo à sombra do sol

Escrevo e oiço certos ruídos domésticos

E A luz chega-me humildemente pela janela
E dói-me um braço
e sei que sou o pior aspecto do que sou.

Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano

E tudo o que faço ou sinto, como que me veste de um pijama
Que uso para ser também isto

Este bicho de hábitos, manias, segredos, defeitos
Quase todos desfeitos, quando depois ia fora na vida profissional ou social,… só sou um nome
e sabem o que sei o que faço      ou então sou eu que julgo que o sabem
E sou amável, selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
E sei que afinal posso ser isso, talvez porque aqui sentado dentro de casa
Sou outra coisa,
Esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior a manifestação
desta dor neste braço que afecta tudo o que faço.
Bem entendido, o que faço com este braço.

Estás aqui comigo e à volta são as paredes
E posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
E dizer aqui é a sala de estar, aqui é o quarto, aqui é a casa de banho
E no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer

Estás aqui comigo, e sei que só sou este corpo castigado
Passado nas pernas de sala em sala.
Sou só estas salas, estas paredes
Esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
Essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol

Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
Diante dos dias.

Que ninguém conheça este meu nome
Este meu verdadeiro nome, depois talvez encoberto
Noutro nome embora no mesmo nome
Este nome de terra, de dor, de paredes,... este nome doméstico.

Afinal fui isto nada mais do que isto.

As outras coisas que fiz, fi-las para não ser isto ou dissimular isto
A que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das outras coisas.

Estás aqui comigo      e tenho pena, acredita, de ser só isto
Pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
Uma coisa para além disto que não isto

Estás aqui comigo,     deixa-te estar aqui comigo
É das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
Mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
Tu és em cada gesto todos os teus gestos
E neste momento eu sei,     eu sinto ao certo      o que significam certas palavras
Como a palavra paz.

Deixa-te estar aqui, perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
Perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
Perdoa eu revelar que na muito pagas tão alto preço por estar aqui.
Prossegue nos gestos não pares, procura permanecer sempre presente.
Deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
E eu saber que aqui estas, de maneira a poder dizer
Sou isto é certo,.....mas sei que tu estás aqui

Ruy Belo

Lido por Nelson Neves

terça-feira, 24 de outubro de 2017

POESIA NA GALERIA - Outubro

 Graça Silva
 José Oliveira Ribeiro
 Mayke
 Helena Duarte
 Mário Anselmo
 João Pessanha
 Isabel Moura
 Beatriz Maia
 Carlos Gomes
 Maria Teresa Nicho
 Nelson Neves
 Adolfo Castelbranco
Paraty

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Poesia na Galeria

 Lúcia Martins
 Graça Silva
 Ângela Carvalho
 Alice Santos
 Conceição Oliveira
 Isabel Moura
 Conceição Ruivo
 Anselmo Simões
 João Pessanha
 Mayke
 Nelson Neves
Dionísio Dinis

quarta-feira, 12 de julho de 2017

ATÉ DEPOIS


ATÉ DEPOIS

Depois da noite, o dia chega-me sempre como uma nova ameaça, despido de esperanças, mas resisto a deixar-me levar pelas ondas do abandono em que a minha fraqueza física me quer lançar. Espero, como sempre, por ti, agora mais do que nunca, porque não me sobra tempo para esperar. E, por fim, chegas, reconheço os teus passos cuidadosos e ternurentos. Trazes contigo aquele ar de falsa normalidade com que me queres salvar e então renasço novamente. As palavras, essas saem-te obliquadas entre o receio de dizeres algo a mais ou a alegria incontida de me trazeres qualquer coisa nova. Como te leio da primeira à última página e te pressinto a caminhares em mim há demasiado tempo! Mas não o suficiente, anseio pelo menos por mais uma metade de tudo o que já demos um ao outro.

Então, inventámos jogos de palavras para aprender a dizer medo, raiva, tristeza, angústia, saudade, morte, amor...cancro... Deus, mesmo naquelas alturas em que coragem me morre por dentro e sei que a presença da minha ausência te marcará um dia. E aí, ao pé de ti, não anoiteço e estas manhãs são sempre descobertas de coisas que ainda preciso de saber sobre ti para levar comigo e de coisas sobre mim que quero deixar contigo.

Por vezes, ousas perguntar se tenho medo. Na altura própria dir-te-ei, mas não te quero assustar e viro-te as costas para que o teu sorriso me venha abrir a porta da esperança. Agarras-me as mãos e calaste para me proteger da dor, minha e tua. E, no incómodo do silêncio as palavras ganham, outra dimensão, ficam, coxas, enfraquecidas e cheias de dores, numa cumplicidade com este meu corpo que se vai entregando. Mas, sabes, a Vida é possível mesmo com dores e com a morte logo ali à espreita. E nesse mesmo silêncio tornamos legítimo o espaço à tristeza, à angústia e ao medo.

Por vezes sufoco com as saudades que irei ter de ti, do teu toque, do teu cheiro. Como vou dormir sem aquele teu abraço protector sobre mim? Com quem vou passear de mãos dadas ou dedos entrelaçados? E já não conto os dias que marcam a minha vida, deixaram de querer acreditar, porque é tarde demais para voltar atrás. Os meus olhos, esses riem para que os teus não detectem, sofrimento.

Não pergunto os porquês, mas questiono por vezes se tudo não passa de um sonho. Olha, vamos comprar uma viagem, mesmo que saibamos que só tu a irás realizar, eu partirei contigo mas noutra direcção. Vamos viver um momento de eternidade, um segundo de esperança, para que quando eu acordar tu ainda estejas aqui. Sim, porque eu não quero adormecer com saudades na escuridão ou acordar cedo demais e dizer, vou morrer hoje. Não, não quero que deixes morrer a vida em que estivemos vivos, quero isso sim que escrevas no meu obituário - Ela me amou.

- E tu, vais-me amar? Antes ou depois?

Sempre, em qualquer instante! Responder-te-ei - e durante toda a minha vida.

Nelson Neves

terça-feira, 20 de junho de 2017

POESIA NA GALERIA - Junho

 Maria Adelina Gomes
 António D. Lima
 Agostinho Costa e António D. Lima
 José Oliveira Ribeiro
 Maria Teresa Nicho
 João Pessanha
 Nelson Neves
 Marília Teixeira
 Angelino Santos Silva
Isabel Moura
Vitor Cordeiro
Dina Magalhães