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sábado, 27 de outubro de 2018

EUROMILHÕES



EUROMILHÕES

Ó sorte, que andas à sorte
tão longe de mim na vida,
não vislumbras o meu norte,
sinto-te para mim perdida.

Por mais que busque, te chame,
não respondes, emudeces;
faço um auto-exame,
vejo que me não conheces.

Não sei evidenciar-me,
despertar tua atenção,
como poderás achar-me
se rodas em contramão?

Ai sorte, se tu quisesses
tocar-me com o teu poder,
com o bem que me fizesses
ia a outros socorrer.

Maria de Lourdes Martins
in “Rubras eram as Pedras”
Lido por Ana Maria Oliveira

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A MENINA HÚMIDA


A MENINA HÚMIDA

Eis a húmida menina
na frieza do cinzento!
A brancura Diamantina
solitária contra o vento!...
Ai que triste estás agora,
cresceu a tua nudez,
sem a moldura de outrora
não conheces o que vês.

Aonde estão as flores
que te emprestavam ternura?
Arraial de multicores
com tamanha formusura!
As árvores cheias de vida,
as reuniões de estorninhos,
o cheiro a terra mexida,
ao amanho dos ancinhos.

Os bancos sabiam estórias
para quem as soubesse ler…
Vidas tristes, inglórias,
que eles sabiam entender…
Minha húmida menina,
tão solitária e tão bela
não tinhas ares de grã-fina,
sempre bateste a chinela.

Lá ao fundo, atrás de ti,
parece já mais distante…
quase não o conheci,
não fora o jeito elegante,
está Almeida Garrett!
Sumiu o brilho do bronze,
e até perguntam. – quem é,
nesta solidão de monge?

Minha húmida menina,
conheci-te em carne viva,
velhinha, com dor felina,
tão amarga, tão sentida,
pensar que foste rainha
deste império que é o Porto,
onde a Avenida sozinha
prenuncia um burgo morto!

Pelo sangue desta menina
que tão jovem se ofereceu
e por Santa Catarina,
pelo antigo Coliseu,
pela joia de São Bento,
pela urbe, o meu conforto!
por este granito ao vento,
não deixem morrer o Porto!

Fevereiro 2008
Maria de Lourdes Martins

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Poesia na Galeria - 15 de Novembro



 Silvino Figueiredo e João Pessanha



 Agostinho Costa dá início à sessão



 Alzira Santos
 Aires Barros
 João Nunes Carneiro
 João Nunes Carneiro
 António D. Lima
 António D. Lima
 Jorge Carvalho

 Jorge Carvalho
 Ester de Sousa e Sá
 Ester de Sousa e Sá
 Helena Duarte
 Helena Duarte

 Ana Maria Roseira
 Ana Maria Roseira
 Maria de Lourdes Martins
 Maria de Lourdes Martins
 Irene Costa
 Irene Costa
 Manuel Maia e Goreti Dias
 Manuel Maia e Goreti Dias

terça-feira, 28 de outubro de 2014

GENTE COMO EU



GENTE COMO EU

Nas rotas das vidas perpétuamente
há portas que abrem, ciclos que se fecham;
há braços que repelem, vozes que aleijam,
perturbando-nos alucinadamente!

Mãos que se agitam, ó que pobre gente,
correndo prá morte sem que a prevejam,
árduos caminhos que se não desejam…
São lutas de sangue permanentemente.

Hoje há um pedinte, ontem foi um rei…
gente igual a mim, tanto quanto sei,
carne putrefacta que se torna em pó!

Mas quem atingindo a maturidade,
que sabedoria!... Em boa verdade,
ganhou várias vidas numa vida só!

Maria de Lourdes Martins

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

POESIA NA GALERIA - 18 de Outubro







 Agostinho Costa dá inicio à sessão de poesia
 Irene Silva
 Irene Silva
 Aires Barros
 Aires Barros
 Lourdes Alegria
 Lourdes Alegria
 Helena Duarte
 Helena Duarte
 Leonor Reis
 Alice Queiroz
 Ana Maria Oliveira
 Rogério Barbosa
 Kim Berlusa
 Luís Pedro Viana
 Alice Branco
 Maria de Lourdes Martins
 Fernanda Cardoso