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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

fingir que está tudo bem


fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

José Luís Peixoto
in “A Criança em Ruínas”

lido por Maria de Lourdes Ferreira

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Poesia na Galeria 21 de Outubro

 Manuela Carneiro
 Dulce Morais
 Goreti Dias
 Dionísio Dinis
 Artur Cardoso
 Fátima Cardoso
 Silvino Figueiredo
 Alzira Santos
 Kim Berlusa
 Fernanda Cardoso
 Maria de Lourdes Ferreira
Ana Maria Oliveira

quinta-feira, 27 de abril de 2017

VIVEM NA MINHA MEMÓRIA


VIVEM NA MINHA MEMÓRIA

Sou o tempo que a minha memória guarda
viajei na lonjura dos sentimentos
continuo a viajar na certeza da minha finitude,

Por vezes, chama-me a saudade,
que, embora serena, me arde o peito
fazendo-me respirar o ar cansado da nostalgia!

Abraçado pela melancolia,
sento-me nas margens da minha maresia,
encho os meus olhos com a luz do horizonte
e levo-me a navegar no mar das recordações!

Esmoreço calmamente o meu desassossego,
relembrando o marulhar das águas quentes
daquele longínquo mar,
onde tantas e tantas vezes mergulhei ilusões,
nadei em sonhos que se desfaziam em espuma
na areia da praia da minha ansiedade!

A lonjura do tempo acampou em mim,
mas só os sonhos e as ilusões vivem na minha memória.

José Carlos Moutinho
in “Colectânea Galeria Vieira Portuense 2016”

lido por Maria de Lourdes Ferreira

sábado, 22 de abril de 2017

VAZIO


VAZIO

Provavelmente
não te será raro acontecer
o que me acontece com frequência
andar perdido de pensamento vazio
no seio da multidão
procurando-me no meio do nada
e dar comigo
no teu pensamento ocupado

Então questiono-me
como podemos andar perdidos
se ocupados de um pensamento ocupado
Eu em ti
e Tu no meu pensamento
coisa invisível mas palpável
como se fosses ali
ali no meio da multidão
no teu pensamento vazio
ocupado no meu pensamento ocupado

Quando me deito
levo comigo este pensamento
mergulho num caos de sombras e luz
de rostos e vozes
de anjos e demónios
aflito agito-me no sonho
flutuando acima do caos
vendo-te ocupada no meu pensamento ocupado

De manhã
piso de novo o chão
o chão do meu pensamento
e dou comigo a pensar
que afinal a procura do dia anterior
é pão nosso de cada dia
o sonho… a realidade
a vida
… a ficção

Provavelmente
não te será raro acontecer…
se assim for
quando na multidão vira-te para trás
estende o braço e dá um olá

Eu sou o de pensamento vazio
ocupado no teu pensamento ocupado

Angelino Santos Silva
in “Colectânea Galeria Vieira Portuense 2016”

lido por Maria de Lourdes Ferreira

terça-feira, 18 de abril de 2017

Poesia na Galeria - Abril

 Maria Teresa Nicho
 Maria de Lourdes Ferreira
 Maria Paulina
 Rosário Lemos
 Luís Pedro Viana
 Dionísio Dinis
 Mafalda Lopes
 Manuela Caldeira
 Mário Anselmo
 Arnaldo Teixeira Santos foi o sorteado da sessão


 Isabel Moura e Alice Branco




 Su Sam e Manuela Caldeira
 Lourdes Alegria e Luís Pedro Viana
 Daniela e Mário Anselmo
Manuela Caldeira, António Gonçalves, Helena Duarte e Ester de Sousa e Sá

quarta-feira, 15 de junho de 2016

TEMPESTADE


TEMPESTADE

Eu sou pedra, sou rocha sou granito
Sou ferro sou aço, eu sou estanho
Em mim o sofrimento é tamanho
E ninguém, ninguém me escuta quando grito

Eu sou a montanha adormecida
Sou o mar em fúria, a tempestade
Sou a sombra que passa nesta vida
A minha vida é feita de saudade

Eu sou a noite escura o céu cinzento
Eu sou o vento que grita a sua dor
Eu sou do rio calmo o lamento
Eu sou do povo lágrimas e suor

Eu sou a terra morta abandonada
Eu sou a fonte triste que secou
Olho as minhas mãos cheias de nada
E pergunto mil vezes quem eu sou.

M Georgina Pontes
in Na Mesma Viagem

lido por M Lourdes Ferreira

sábado, 4 de junho de 2016

XXI


XXI

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
E que se assim é, é porque é assim.

Alberto Caeiro
in O Guardador de Rebanhos

lido por Maria de Lourdes Ferreira

terça-feira, 24 de maio de 2016

POESIA NA GALERIA 21 de Maio

 Amílcar Mendes
 Amílcar Mendes
 Miguel Leitão
 Miguel Leitão
 Maria de Lourdes Ferreira
 Maria de Lourdes Ferreira
 João Pessanha termina com um fado
 João Pessanha
 Agostinho Costa apresenta a serigrafia para o sorteio da sessão
Serigrafia de autoria de Luís Pedro Viana, oferecida por este

 Paraty tira o número sorteado
 Dina Magalhães foi a sorteada do dia