Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Olinda Sol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Olinda Sol. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

UIVA VENEZUELA



UIVA VENEZUELA

Paguem
pelas crianças que não nasceram
e as que morreram ao nascer.
Paguem
todo o sofrimento das mães
sem alimentos para os filhos.
Paguem
pelas lágrimas dos médicos
sem meios para curar pacientes.
Paguem
pelos velhos abandonados
apodrecendo
nas calles quentes da capital.
Paguem
pelas hordas de refugiados
não sabendo para onde ir.
Paguem
os corações a parar,
o choro sufocado,
a dor sem medida,
na ausência de soluções.
Paguem
o roubo da esperança,
dos sonhos,
do porvir.
Paguem
a negrura de um país
desfalecendo
em redor de uma bandeira,
de um hino,
de uma pátria  a soçobrar.
Paguem
as mentiras descaradas,
dos governantes indecentes
pisando sem escrúpulos
um povo moribundo.

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

segunda-feira, 29 de abril de 2019

TRIBUTO AO 25 DE ABRIL



TRIBUTO AO 25 DE ABRIL

Nem a chuva tem já força
para te chorar, Abril !
Este tempo de chumbo,
de ignorância política,
de gritos pesados
e de silêncios globais,
não tendo a Pátria meios
para dominar o nojo
que é limpar o cu à Europa,
velha, gorda, doente!
Que tempo é este
que nos esgota
em novos despejos
e incidentes estranhos
com polícias armados!
Há um cheiro bafiento
erguendo - se da tumba do medo
vergando - nos até à chibata!
A Primavera tão fria
não traz o pão para a mesa,
a angústia penetra até ao umbigo,
os erros sucedem - se
fechando o portal da liberdade!
Não,
não cortem as raízes dos sonhos,
não destruam os recursos da esperança,
não desfigurem este país:
facho, luzeiro, lua,
caravela, nau, marinheiro,
mundo novo, mar presente,
namorados ensaiando
um beijo cheio.

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

sábado, 27 de abril de 2019

MÊS DE MARÇO, MAIS UM GRITO



MÊS DE MARÇO, MAIS UM GRITO

Também sei fazer bolo
de canela, lima e framboesas.
Animo a sala com uma boa fatia
e chá verde muito quente.
A conversa é mole
enquanto na televisão
o Brasil  explode
O povo interage, une a raiva
e grita nas ruas - fora, fora!
A catarse alivia
até que a poeira acalme
e venham mais encher a pança.
O povo esquece,
trabalha para levar o dia a dia,
paga impostos,
pragueja ao entrar na casa húmida,
benze-se,
pede a Santo António
uma mulher nova
e que o ajude a ganhar a lotaria.
Desta vez sirvo chá branco
e pãezinhos de queijo da ilha,
a televisão transmite
mais um reality show,
salta porcaria de todo o lado
é disto que o povo gosta,
é isto que o povo quer
para esquecer a realidade.

Maria Olinda Sol
Lido por Constância Nery

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

NATAL



NATAL

Era uma vez o Natal,
uma família singular:
S. José, a Virgem Maria,
e o Menino,
nascido numa gruta,
aquecido pelas palhas
duma manjedoura!
Fugitivos,
abrigaram-se
num curral,
Maria pariu ali
o Salvador do Mundo!
Em Lampedusa
não há Natal,
os meninos não nascem,
morrem em barcos a abarrotar!
Não há Europa,
não há gente
que os queira albergar!
Abandonados por todos,
são enterrados no mar!
Fogem da guerra,
do genocídio,
de governos autoritários,
da morte letal!
Em Lampedusa
riscam-nos da História,
acidentes na memória
de quem não os quer recordar!
Ah Europa decrépita,
sem Marselhesa,
sem Revolução Francesa,
resta-te reescrever a História,
acolher fugitivos,
fazer dos seus filhos,
nossos filhos,
R E N A S C E R!

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

sábado, 25 de agosto de 2018

PRESSÁGIO



PRESSÁGIO 

Um barco apinhado,
a sede transpira
nos rostos suados,
onde ides ó fugitivos?
a Europa não vos quer.
Olha apenas
a sua barriga farta,
o medo fica estático
detrás de muros medonhos
de indiferença recalcada.
A fome é maior que tudo,
um dia os muros cairão
à força dos desequilíbrios.
A Itália chorará, Chipre,
Grécia, Turquia, Áustria,
Polónia, República Checa,
vandalizados por vilipandiados
a quem retiraram tudo,
até a esperança.

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O MEU TRISAVÔ FERREIRO



O MEU TRISAVÔ FERREIRO 

Na cave um alambique,
o fedor a aguardente
espremida e embalada.
Os dedos arqueados
do trisavô António,
vergado pelo poder
do martelo e da bigorna.
O mata bicho
era ali à bica,
subindo à oficina
já não sentia
o calor da fornalha.
Alinhava enxadas,
foucinhas, gadanhos,
arados e grelhas.
E assim levava a vida
e sustentava tanta filharada.
Ao domingo fazia a barba,
penteava e encerava o bigode,
vestia o fato preto
e pedia a deus perdão dos pecados.

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

sexta-feira, 25 de maio de 2018

MISERERE DEI


MISERERE DEI

Foi anunciado
com alguma pompa
e circunstância,
em todos os jornais,
com letras garrafais:
viragem política,
ou seria voragem?
o partido ganhou as eleições!

Miserere Dei!
Perdeu-se o futuro
começou a destruição
de um país fragilizado,
querendo muito encontrar soluções!

Miserere Dei!
Tudo, segundo consta,
programado
por economistas iluminados,
neo-liberais,
político-europeístas convictos,
desejosos de um cadinho
para experimentar
a eliminação do Estado Social!

Miserere Dei!
Estávamos aqui em sossego,
expectante,
numa ajuda fraterna,
sem darmos por isso,
puseram-nos o açaime,
arrastaram-nos para o abismo,
esperando dar o pontapé final!

Miserere Dei!
Não há pão
para pôr na mesa,
nem trabalho
onde o ganhar,
os velhos em soluços
encostam-se aos muros,
temem que a esmola
mingue cada vez mais!

Miserere Dei!
Quanto tempo durará o degredo,
o apocalipse do medo,
o susto,
a pobreza?

Miserere Dei!
O que será preciso
para nos livrar da carraça
que nos dá bem que coçar!

Miserere Dei!
Portugal é um campo de batalha,
as nossas armas o grito,
a praça pública o eco
da nossa inquietação!

Miserere Dei!
Que filosofia política é esta,
cheira a bafio,
não é esta a Europa que queríamos,
da solidariedade fraterna!

Miserere Dei!
Anjos da Guarda nos acompanhem
e se Deus não ajudar,
não atrapalhe ao menos
os encontros ao luar,
a esperança que ainda temos!

Miserere Dei!
Geração das lousas e ardósias,
que viram os dois lados da vida,
inventem uma nova História
sem vendilhões,
antes que nos esmaguem
com o peso das suas botas cardadas!

Miserere Dei!

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

A TIA MARIAZINHA


A TIA MARIAZINHA

A minha tia Mariazinha
noite e serão
de agulhas e lãs
na mão
fazia um tapete colorido
para me ofertar.
Passados anos
o tapete não se concluía.
Tal como Penélope
que fazia e desfazia
o que a tia queria
era a ideia de presentear.

Maria Olinda Sol
Lido por Constância Néry

quarta-feira, 2 de maio de 2018

TRIBUTO AO 25 DE ABRIL



TRIBUTO AO 25 DE ABRIL

Nem a chuva tem já força
para te chorar, Abril!
Este tempo de chumbo,
de ignorância política,
de gritos pesados
e de silêncios globais,
não tendo a Pátria meios
para dominar o nojo
que é limpar o cu à Europa,
velha, gorda, doente!
Que tempo é este
que nos esgota
em novos despejos
e incidentes estranhos
com polícias armados!
Há um cheiro bafiento
erguendo-se da tumba do medo
vergando-nos até à chibata!
A Primavera tão fria
não traz o pão para a mesa,
a angústia penetra até ao umbigo,
os erros sucedem-se
fechando o portal da liberdade!
Não,
não cortem as raízes dos sonhos,
não destruam os recursos da esperança,
não desfigurem este país:
facho, luzeiro, lua,
caravela, nau, marinheiro,
mundo novo, mar presente,
namorados ensaiando
um beijo cheio.

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

segunda-feira, 26 de março de 2018

ADMITO


ADMITO

Admito,
não estava na luta,
gritando na praça pública,
contra os cortes dos subsídios
de férias e de Natal!
Admito,
não me revoltei,
ouvindo o discurso
do nosso Primeiro Ministro,
achando que a dor de um povo,
era uma  triste pieguice!
Não disse basta
perante aumentos generalizados,
dos bens básicos!
Admito,
não fiz greve
quando baixaram os salários,
quando reduziram ajudas,
à miséria envergonhada!
Admito,
não acompanhei a marcha
dos indignados!
Estava já tão fraca,
desiludida, aturdida!
Admito,
estando eu exangue
quando nos chuparam
com colossais impostos,
não desci as escadas,
tão fracas estavam as pernas,
para lhes atirar pedras,
e morri,
fazendo um grande favor
a mim
e ao país,
que de cobardes está farto!

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A DEMOCRACIA QUE TEMOS


A DEMOCRACIA QUE TEMOS

A rua deserta.
Apenas um bêbado
deitado no meio do caminho.
Um bêbado meio adormecido
na noite fria de Outono,
tresandando a álcool e a solidão
Passou uma vendedeira
a caminho da Ribeira,
ourada e sorridente,
jamais esquecerá a ligeireza
com que a polícia
o varreu da rua,
livrando-se do empecilha,
acantonado agora
entre muros  do albergue
da rua da Liberdade.

Maria Olinda Sol

Lido por Agostinho Costa

PORTO D’OUTRORA


PORTO D’OUTRORA

No granito duro, cinza,
descendo até ao Douro
ergueu-se a Villa
cercada de barcos obreiros
onde o peixe bulia,
onde os produtos da terra
estendiam as suas cores,
os intensos cheiros
nos açafates empilhados.
Gente de sotaque fechado,
coração cheio,
ajuda a atracar
com mãos de paz,
a proa no cais das saudades.
Nas cabeças os cabazes,
nos pés descalços a ligeireza
de quem precisa ganhar
o pão nosso de cada dia.
Avé Maria, Avé Maria,
dizem os sinos às Trindades,
persignam-se as fressureiras
preparando as miudezas
na Rua do Sol,à tardinha.
Os gordos galos das cercanias
baloiçam na giga de vime
a caminho dos mercados.
Carros de bois chiando
poisam frente a S. Bento,
toros de pinho descarregados
levados pelo trem de ferro
a caminho da Europa.
O Porto era um frenesim,
barulhento, colorido,
agradecendo a Deus
o caldo do fim do dia.

Maria Olinda Sol
in “Coletânea Galeria Vieira Portuense 2017”

Lido por Alcino Amado 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Poesia na Galeria 16 Dezembro 2017

 José Oliveira Ribeiro
 Luís Pedro Viana
 Kim Berlusa

 Vitor Cordeiro
Irene Costa
 José Guterres
 Dina Magalhães
 Alzira Santos
 Manuela Caldeira

 Alice Santos
Paraty
Luís Pedro viana
 Agostinho Costa faz o sorteio da gravura de Avelino Rocha
 Goreti Dias foi a sorteada da sessão

Manuela Caldeira, Helena Duarte, Maria Olinda Sol, Acilda Almeida e Alzira Santos

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

SER


SER

Entre ser e não ser
há a sorte e o azar,
o jogo, a roleta,
a missa e o missal,
o saltinho de pardal
pronto a elevar a moral.
O ir e voltar,
o lago dos cisnes
na rua dos Clérigos,
o violoncelo e a espada,
o riso que se solta,
a alma que dói.
O mar, a largueza,
os dias que duram, duram.
Os deuses, as ilhas,
as promessas prometidas,
as falhadas, as perdidas,
o segundo que falta
o ânimo indo
no bico da águia velha.

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Poesia na Galeria Nov 2017

 Agostinho Costa e José Martins Pereira
 Agostinho Costa
 Conceição Oliveira
 Eunice Amorim
 José Martins Pereira e Luís Pedro Viana
 Agostinho Costa com a serigrafia para o sorteio


 José Carlos Costa foi o sorteado da sessão
Fátima Cardoso, Helena Duarte, Acilda Almeida, Manuela Caldeira, Fátima Ferreira, Maria Teresa Nicho, Maria Olinda Sol, Isabel Moura, Irene Costa

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

ACTRIZ



ACTRIZ 

Prestes a entrar em palco,
as pernas tremem,
afina-se a voz:
RRRRRR  RRRRRR PRRRRR,
abre-se a cortina,
os holofotes iluminam
um rosto ainda cansado!
A cena está bem estudada,
o monólogo é intenso,
a velha senhora, na cochia,
puxa o lenço,
limpa uma lágrima furtiva!
Os olhos famintos da plateia
querem mais,
mais acção, mais emoção,
mais sensações, mais poesia,
mais magia,
um saco cheio de girassóis,
distribuídos, de graça,
pela actriz
comunicando com o público!
Um sortilégio raro
toca fundo a alma,
nasce Páscoa, amêndoas
e fogaça,
a actriz em transe
arranca da garganta
mensagens de vida,
há tempos silenciadas!
Renasce a esperança
no calendário do nada,
irrompem palmas vibrantes,
a actriz agradecida,
vem três vezes à boca da cena,
o sonho renasce cada dia,
no quentinho do teatro,
limpando desilusões e mágoas!

Maria Olinda Sol

Lido por Alzira Santos

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A MINHA CIDADE


A MINHA CIDADE

É de granito molhado
magoado pelas chuvadas
violentas
sedentas de frutos e arados!
Que estranho é este silêncio
dormente,
onde faltam correrias,
tacões que ficam
no empedrado da calçada!
Crianças que aos bandos
deixavam gritos
escritos
nas casas de ferro forjado
adornadas!
Pregões carimbados em vozes
roucas
que de manhã teciam vida
a caminho dos velhos mercados!
Notícias que passavam
repetidamente no fundo da Avenida,
enquanto se tomava um café
ali ao pé, no mítico Guarani!
Nota-se uma certa tristeza
nesta cidade negra
esperando melhor sorte,
outro Norte!

Maria Olinda Sol
Lido por Agostinho Costa

sábado, 26 de agosto de 2017

ARTE


ARTE

Toda a Arte é uma impressão
diante do nosso olhar
são as cores
as que existem e as inventadas
pela espátula dos pintores,
as texturas, as colagens,
as formas geométricas
e as criadas pela imaginação,
a harmonia, a desconstrução,
o sentimento sereno, a exaltação,
o mistério dos materiais,
a fluidez do pincel
enchendo de luz a tela,
o cinzel rasgando a pedra,
o fogo dando a forma pretendida,
a paixão encaminhando a mão,
o ardor quebrando o corpo,
de repente, eis a obra
inspirando-nos,
alegrando-nos,
fazendo de nós
que gostam de Arte
pessoas melhores

Maria Olinda Sol

Lido por Lourdes Alegria

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

POESIA NA GALERIA

 Fernanda Cardoso
 Eunice Amorim



 Eunice Amorim tira o número do sorteado da sessão
 Oliveira Ribeiro foi o recebeu a serigrafia, do sorteio, de Ariosto Madureira



 Maria Olinda Sol, Helena Duarte, Maria Afonso Morais, 
Maria Adelina Gomes e Maria Augusta da Silva Neves

Agostinho Costa e Fernanda Cardoso