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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Sou ilha


Sou ilha, nasci de uma ilha
Uma ilha derramada em campos de oceano
Perdida… entre os verdes e azuis
E penedos… e neblina

Uma ilha princesa
Serpenteando lagoas
Espelhos de água…
Liberta em velas de luar

Os meus caminhos são de água
E a minha cidade… de mar

Um mar… que me envolve…
E me penetra o corpo e a alma
Um mar que me enrosca…
E me dilui… na busca do seu
Próprio infinito!

Um mar manso… e tépido… e doce
Em tonalidades de prata e azul
Um mar de águas levianamente arrepiadas
Que guarda no sei seio, grutas de sonho
E florestas de algas… e crateras virgens de lava
E sal… e sombra… e vida!
Dum mar que se causa do seu doce
Marulhar monótono e triste…
E de repente… em rebeldia…
Se ergue em vagalhões de arrepio e de irrequietude

Ana Maria Neto Viveiros

Lido por Luísa Colaço

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Poesia na Galeria: Fevereiro

 Luísa Colaço
 Maria Teresa Nicho
 Amândio Vasconcelos
 César Carvalho
 António Gomes
 Artur Cardoso
 Fátima Cardoso
 Marília Teixeira
 Angelino Silva
 José Oliveira Ribeiro
José Efe

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A BRIGA


A BRIGA

Afirmas que brigámos. Que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão.
Que vais deixar aí a tua chave
E vais à cave içar o teu malão.

Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembranças? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo - é minha -- a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,
Não sei se o queres levar, já está no fio.
E o teu casaco roto, aquele vermelho
Que eu costumo vestir quando está frio?

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

E a planta que eu comprei e tu regavas?
E o sol que dá no quarto de manhã?
E meu o teu cachorro que eu tratava?
É teu o meu canteiro de hortelã?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?
De quem é esta briga? Não me lembro.      

Rosa L. Faria

Lido por Luísa Colaço

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

POESIA NA GALERIA Janeiro 2016

 Fernando Zagalo
 Beatriz Maia
 Carlos Gomes
 Leonor Reis
 Irene Costa
 José Oliveira Ribeiro
 Irene Silva
 Fátima Cardoso
 Luísa Colaço
 Artur Cardoso
 Dina Magalhães
 Amilcar Mendes
 João Pessanha

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

NATAL


NATAL

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.

No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre
lido por Luísa Colaço

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Poesia na Galeria Dezembro 2015

 Emília Costa
 Maria Almeida
 Ana Maria Oliveira
 Helena Duarte
 Lucinda Miranda
 Luísa Colaço
 João Nunes Carneiro
 Cristina Maya Caetano
 Ester de Sousa e Sá
 Leonor Reis
 Maria Augusta da Silva Neves

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A DEFESA DO POETA


A DEFESA DO POETA

Senhores jurados, sou um poeta.
um multipétalo, uivo, um defeito.
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível, um lápis
de armazenado espanto, e por fim,
com a paciência dos versos,
espero viver dentro de mim...

Sou em código o azul de todos,
(curtido coiro de cicatrizes)
uma avaria cantante,
na maquineta dos felizes.

Senhores banqueiros sois a cidade,
o vosso enfarte, serei.
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição,
de raptar-me, em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição...

Senhores tiranos, que do baralho
de em pó volverdes sois os reis,
sou um poeta... jogo-me aos dados!
ganho as paisagens que não vereis...

Senhores heróis, até aos dentes.
puro exercício de ninguém.
minha cobardia é esperar-vos...
umas estrofes mais além.

Senhores três, quatro, cinco, e sete
que medo vos pôs por ordem?
Que pavor fechou o leque
da vossa diferença, enquanto homem?

Senhores juízes, que não molhais
a pena na tinta da natureza,
não apedrejeis meu pássaro,
sem que ele cante minha defesa.

Sou um instantâneo das coisas...
apanhadas em delito de perdão.
a raiz quadrada da flor,
que espalmais em apertos de mão.

Sou uma impudência. A mesa posta,
de um verso, onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
A poesia, é para comer!

Natália Correia, "Poesia Completa", Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2000, pág. 330 e seg.

N.B. Nesta edição, o poema leva a seguinte nota, do punho da autora: "Compus este poema para me defender no Tribunal Plenário de tenebrosa memória, o que não fiz a pedido do meu advogado que sensatamente me advertiu de que essa minha insólita leitura no decorrer do julgamento comprometeria a defesa, agravando a sentença.".


Lido por Luísa Colaço

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Poesia na Galeria 21 de Novembro









 Irene Silva
 Irene Silva
 João Nunes Carneiro
 Lourdes Alegria
 Maria Augusta da Silva Neves
 Maria Afonso Morais
 António Gonçalves
 Leuna
 Fernando Morais
 Lucinda Miranda
 Luísa Colaço
 Luísa Tavares
 António D. Lima