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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

SONETO DE TODOS OS CORNOS


SONETO DE TODOS OS CORNOS

Não lamentes, Alcino, o teu estado,
Corno tem sido muita gente boa;
Corníssimos fidalgos tem Lisboa,
Milhões de vezes cornos têm reinado.

Siqueu foi corno, e corno de um soldado:
Marco António por corno perdeu a c'roa;
Anfitrião com toda a sua proa
Na Fábula não passa por honrado;
Um rei Fernando foi cabrão famoso
(Segundo a antiga letra da gazeta)
E entre mil cornos expirou vaidoso;
Tudo no mundo é sujeito à greta:
Alcino, não fiques mais duvidoso
Que isto de ser corno é tudo peta.

Bocage

Lido por Lourdes dos Anjos

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Poesia na Galeria 19 de Setembro

 Helena Duarte
 Alice Branco
 Lourdes dos Anjos
 Dina Magalhães
 Eduardo Roseira
 Acilda Almeida
 Alice Santos
 Helena Duarte, a sorteada, da sessão, com a serigrafia de Ariosto Madureira

quinta-feira, 21 de maio de 2015

DEMOCRACIA


DEMOCRACIA

Fui dar com a democracia embalsamada, como
o cadáver do Lenine, a cheirar a formol e aguarrás,
numa cave da Europa. Despejavam-lhe por cima
unguentos e colónias, queimavam-lhe incenso
e haxixe, rezavam-lhe as obras completas do
Rousseau, do saint-just, do Vítor Hugo, e
o corpo não se mexia. Gritavam-lhe a liberdade,
a igualdade, a fraternidade, e a pobre morta
cheirava a cemitério, como se esperasse
autópsias que não vinham, relatórios, adêenes
que lhe dessem família e descendência. Esperei
que todos saíssem de ao pé dela, espreitei-lhe
o fundo de um olho, e vi que mexia. Peguei-lhe
na mão, pedi-lhe que acordasse, e vi-a tremer
os lábios, dizendo qualquer coisa. Um testamento?
a última verdade do mundo? «Que queres?»,
perguntei-lhe. E ela, quase viva: «Um cigarro!»

Nuno Júdice
in A Matéria do Poema, Dom Quixote
lido por Lourdes dos Anjos

terça-feira, 19 de maio de 2015

sábado, 3 de janeiro de 2015

MENINO JESUS TRIPEIRO



MENINO JESUS TRIPEIRO

No Porto, o Natal
É exatamente igual
A outro Natal qualquer:
Veste-se uma Maria de mulher,
Inventa-se um S. José
E celebra-se a missa do galo na Sé.
Enchem-se as ruas de vaidade,
Mil luzes iluminam a cidade,
Faz-se, em Dezembro, um outro carnaval.
Mente-se ao velho, ao jovem, à mãe
E não se pensa que a prostituta também
Sonhou ter uma noite de Natal.
Mas, no Porto, o presépio está incompleto.
O Menino Jesus não quis lá ficar.
Foi brincar com os meninos da Ribeira
E quis consoar à sua beira.
Comeu bacalhau cozido e rabanadas.
Não tinha prendas embrulhadas,
Mas teve uma noite especial
Com o calor do verão em tempo de Natal.
Este Menino Jesus
É como a minha cidade:
É nobre, leal e solidário.
É um anjo revolucionário.
É um catraio forte e muito matreiro.
Este menino jesus é nosso e é Tripeiro!

Lourdes dos Anjos

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

POESIA NA GALERIA 20 de Dezembro

 Francisco Ferreira
 Dionísio Dinis
 Angelino Silva e Conceição Lages
 Emília Costa
 Lourdes dos Anjos
 Paraty
 Jorge Braga
 Fátima Cardoso
 João Pessanha
 Ricardo Braga
 Helena Duarte
 José Oliveira Ribeiro

Poesia na Galeria 20/12/2014







 Luís Pedro Viana




Agostinho Costa dá inicio à sessão de apresentação da
Colectânea Galeria Vieira Portuense 2014
 Helena Duarte

 Lourdes dos Anjos
 Lourdes dos Anjos
 Fernanda Cardoso

 Luís Pedro Viana


 Amílcar Mendes
 Aires Barros
 Manuel Maia
 Lourdes Alegria
 Alice Queiroz
 António D. Lima
 Leonor Reis
 Ester de Sousa e Sá
 Ana Maria Oliveira
 Fernando Morais
 Fernanda Cardoso
Maria Lourdes Ferreira

 Goreti Dias
Fátima Ferreira