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sábado, 25 de outubro de 2014

As belas meninas pardas



As belas meninas pardas (Alda Lara - 1930-1962)

As belas meninas pardas
são belas como as demais.
Iguais por serem meninas,
pardas por serem iguais.

Olham com olhos no chão.
Falam com falas macias.
Não são alegres nem tristes.
São apenas como são
todos os dias.

E as belas meninas pardas,
estudam muito, muitos anos.
Só estudam muito. Mais nada.
Que o resto, trás desenganos...

Sabem muito escolarmente.
Sabem pouco humanamente.

Nos passeios de domingo,
andam sempre bem trabajadas.
Direitinhas. Aprumadas.
Não conhecem o sabor que tem uma gargalhada
(Parecem mal rir na rua!...)

E nunca viram a lua,
debruçada sobre o rio,
às duas da madrugada.

Sabem muito escolarmente.
Sabem pouco humanamente.

E desejam, sobretudo, um casamento decente...

O mais, são histórias perdidas...
Pois que importam outras vidas?...
outras raças?..., outros mundos?...
que importam outras meninas,
felizes, ou desgraçadas?!...

As belas meninas pardas,
dão boas mães de família,
e merecem ser estimadas...

Alda Lara
9 de Junho de 1930 – 30 de Janeiro de 1962
Lido por Lourdes dos Anjos

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

POESIA NA GALERIA

Manuela Carneiro
Teresa Gonçalves
Lourdes dos Anjos
Fernando Morais
Emília Costa
Manuel Maia
Irene Silva
Irene Costa
Bi Rodrigues
António D. Lima
Angelino Silva
Conceição Lages

quinta-feira, 26 de junho de 2014

PINTAR O PORTO



PINTAR O PORTO

Pintar o Porto
escrevê-lo em cor
é ser poeta e pintor.
É fazer do cinzento
um poema d’amor.
É cantar a saudade
É transformar o granito
num beijo terno ou num grito.
É fazer poemas na tela,
é abrir as portas da cela
onde mora a liberdade.
Pintar o Porto
é eternizar a minha cidade.
É fazer da pedra triste e dura
um poema de luz, uma pintura

Lourdes dos Anjos

segunda-feira, 23 de junho de 2014

POESIA NA GALERIA 21 de Junho 2014


 Kim Berlusa e Lourdes dos Anjos
 Paulo Fontes, João Pessanha e Luís Pedro Viana 

 Irene Silva  
 Agostinho Costa apresenta a obra para o sorteio da sessão: "Tempestade no Douro" de António-Lino

 Rita Braga retira o número sorteado
 Doroteia Vasconcellos é a sorteada da sessão




 Ester de Sousa e Sá, Doreteia Vasconcellos e Jorge Carvalho
 Manuela Caldeira e Adolfo Castelbranco

 Rogério Barbosa, Helena Duarte e Alice Queiroz



POESIA NA GALERIA 21 de Junho

 Maria Augusta da Silva Neves
 Fernanda Cardoso
 Maria de Lourdes Martins
 Rogério Barbosa
 Rogério Barbosa beija Alice Queiroz depois de lhe dedicar um poema
Fernando Morais 
 Silvino Figueiredo
José Carlos Moutinho
 Irene Costa
 Lourdes dos Anjos
 Kim Berlusa
 Helena Duarte

sábado, 5 de abril de 2014

OUTRAS VIOLÊNCIAS



OUTRAS VIOLÊNCIAS

Mãe… Olha-me nos olhos, em silêncio, com calma
Abre para mim, a janela da tua alma
Agora, diz-me, mãe,
Achas que mereço
Sempre que te convém,
Ser arma de arremesso?

Oh mãe, porque me fazes sofrer?
Porque te vingas e me proíbes de o ver?
Que fiz mãe, diz-me o que fiz,
Para não me deixares ser feliz?
Será que ainda não conseguiste entender
Que sou gente e não um objeto qualquer?!

Pára, mãe! Não me tentes mais manipular
Dá-me espaço e tempo para pensar…
Se o vosso amor, precocemente, acabou
Se, de repente, o nosso lar se desintegrou…
Eu quero continuar a ter Pai e Mãe.
Amo um e amo o outro também.
Quero sentir os dois a meu lado
Mesmo sabendo que sois um casal separado.
Tenho direito a ser feliz, a ser criança...
Não admito servir como reles vingança...
E, não me ameaces nunca, nunca mais
Com polícias, juízes e tribunais
Porque apenas sei que nenhum de vós quis saber
Que a vossa liberdade se fez à custa do meu sofrer
E, não me voltes a perguntar qual dos dois eu amo mais

E já agora, por favor, poupem-me da guerra das visitas quinzenais
E, até aquela conversa:
Ele que pague porque tem obrigação
Sabes! Faz-me pensar que sou um simples imposto de circulação
Estou cansado de tanto egoísmo, tanta cegueira
Só peço que me amem, cada um à sua maneira
Tu, mãe, a quem confiaram o poder paternal
Não faças da minha vida, um tempo quase infernal
E tu, pai… Pai não te esqueças das vezes que adormeci
Chorando a saudade imensa de estar longe de ti
Se vocês fizessem ideia do peso do meu sofrer
Percebiam porque desejo, para vos magoar, morrer!

Os filhos não guardam sempre este verbo infantil
Crescem e, de repente, são bandos de delinquência juvenil
E porque não têm raízes nem laços de união,
São a revolta que vagueia nas celas duma prisão
É urgente, é urgente soletrar, devagar, algumas palavras:
Família, Tolerância, Sacrifício, Humildade,
Pai, Mãe, Amor, Futuro, Felicidade…
É urgente, repensar nestas diferentes formas de AMAR

M. Lourdes dos Anjos
lido por Bi Rodrigues

MANHÃ



MANHÃ

-Bom dia. Diz-me um guarda.
Eu não ouço...apenas olho
das chaves o grande molho
parindo um riso na farda.

Vómito insuportável de ironia
Bom dia, porquê bom dia?

Olhe, senhor guarda
(no fundo a minha boca rugia)
aqui é noite, ninguém mora,
deite esse bom dia lá fora
porque lá fora é que é dia!

Luís Veiga Leitão
in NOITE DE PEDRA, Porto, 1955
lido por Lourdes dos Anjos

quarta-feira, 26 de março de 2014

Encontrei-te assim



Encontrei-te assim
desfalecido
todo perdido
num mar de pedras
comias lágrimas
gemias dores
corpo de horrores
num mar de trevas

Pregos nos olhos
boca desfeita
na rua estreita
sem fim à vista
nenhuma mão
nenhum amigo
nenhum abrigo
nenhuma pista

Saí de mim
corri p'ra ti
e estremeci
de comoção
toquei teu corpo
beijei-te as mãos
como irmãos
de coração

Ergueste os olhos
viste os meus
fixos nos teus
e deste um salto
Nunca ninguém
te olhara assim
amor sem fim
vida em mar alto

Deixaste o luto
a noite foi dia
foi Poesia
num mar de abraços
Passou o Vento
arrancou-te o medo
quebrou teu degredo
fê-lo em pedaços

Não mais te vi
havias partido
do Vento amigo
p'rá Insurreição
Segui meu caminho
pois sou caminheiro
sou companheiro
da Revolução!

De quem está caído
na berma da estrada
vida esmagada
na contra-mão
faço-me próximo
desperto-lhe a Mente
quebro a corrente
ergo-o do chão

Maldigo o Poder
a Teologia
sem Profecia
a Religião
Bendigo quem luta
dia após dia
com valentia
p'la Libertação

De rezas não sei
só sei acolher
só sei viver
em Liberdade
A quem me odeia
dou meu sorriso
porto-de-abrigo
fraternidade

Padre Mário Oliveira
lido por Lourdes dos Anjos

quarta-feira, 19 de março de 2014

POESIA NA GALERIA 15 de Março

 Emília Costa
 Emília Costa
 Zé Neto
 Zé Neto
 Lourdes dos Anjos
 Lourdes dos Anjos
 Angelino Silva
 Angelino Silva
 Conceição Lages
 Conceição Lages
 Miguel Leitão
 Miguel Leitão
 Alice Queiroz
 Alice Queiroz
 Rogério Barbosa
 Rogério Barbosa
 Maria Augusta da Silva Neves
 Maria Augusta da Silva Neves
 Irene Costa
 Irene Costa
 Manuel Maia
 Manuel Maia
 Luís Pedro Viana
Luís Pedro Viana