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quinta-feira, 30 de março de 2017

NAMORA A VIDA


NAMORA A VIDA

Namora a vida
não te esqueças de lhe sorrir
em cada manhã
fala-lhe com palavras inteiras
nunca tentes apagar
os dias de tormenta
e abraça o sol poente
para que renasça alegremente
Namora a vida
segue com ela de mão dada
e em cada hora que passa
acredita que há possibilidade
de refazer o mundo
depois de cada tempestade
Namora a vida
fala com ela respeitosamente
beija-a carinhosamente
escreve para lhe oferecer
poemas de paz, de esperança
de amar e de sofrer
de futuro e liberdade
de pão e fraternidade
Namora a vida
ama-a sem medida.
semeia , no seu ventre
cravos, trigo e perfume de abril
Passeia com ela, de mão dada
em cada praça, em cada rua...
Namora a vida e chama-lhe: TUA

Lourdes dos Anjos

lido por Alzira Santos

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

É ao fim da tarde


É ao fim da tarde
que as horas correm...
Correm velozmente
como se fossem gente
ansiosa por voltar a casa.
Acendem-se as luzes
e apaga-se a escuridão,
Abre-se o correio que
chegou
Põe-se a mesa e contam-se
os talheres…
Verifica-se se, para todos,
chega o pão
Fecham-se portas e janelas,
não vá entrar por alguma
delas
quem arranque o nosso
pedaço de chão.
É ao fim da tarde
que a vida anoitece de
repente,
e as horas correm
velozmente.
Ao pensamento, chegam as
memórias
do que se disse e do que não
se fez…
Matam-se os minutos um de
cada vez 
e sentimos mais forte o medo
da escuridão.
É ao fim da tarde, ao
anoitecer
que temos mais vontade de
viver,
de sorrir, de construir, de ser
feliz…
É no regresso ao nosso lugar
que fustigamos a noite
e construímos muitas
madrugadas
porque nelas ainda mora o
sonhar,
e a vontade de crescer, sorrir
e ficar
É ao fim da tarde, que somos
eterno raio de sol pronto a
renascer.

Lourdes dos Anjos
fevereiro de 2016

lido por Irene Silva

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O POUCO QUE SEI E QUE SOU...


O POUCO QUE SEI E QUE SOU...

Não vão comigo as minhas estórias
As minhas estórias... minhas!
como se elas fossem minhas...
São apenas retalhos de vidas, são memórias
que guardei num ninho vazio de andorinhas.
São lágrimas sufocadas de sofridos catraios
São gargalhadas ressequidas, tristes e velhas
São noites medonhas, iluminadas por raios
São chapas e tábuas que sonham ser telhas
São luto e lutas eternamente adiadas
São sonhos mortos na hora de nascer
São caminhos com saídas por romper
São um povo que devia ter renascido
depois de abril ser nome e ter crescido
As estórias que vivi, sem serem minhas,
são o vôo de regresso das andorinhas...
A flor do alecrim que desafia o nevoeiro
e a vida retalhada que amo por inteiro
São a alma feita de pequenos nadas
e a esperança d'inventar novas madrugadas
Não! Não vou levar comigo a fonte, o chão e a raiz
o sol, a flor e a semente que me fizeram feliz
Quero partilhar convosco o que o Povo me ensinou
e deixar-vos, a todos, o pouco que sei e o que sou.

Lourdes dos Anjos
in “Colectânea Galeria Vieira Portuense 2014”

lido por Lourdes Alegria

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Colectânea Galeria Vieira Portuense 2016




PREFÁCIO

Mais ao menos onde hoje começa a Rua dos Clérigos, na embocadura do actual Largo dos Lóios, existia rasgado na muralha Fernandina, um postigo denominado das Hortas, ou de Santo Elói, e nele principiava um pouco em diagonal, para a Rua do Souto (Caldeireiros) uma rua que se chamava de Mendo Afonso - sujeito que não sabemos quem fosse. A rua de Mendo Afonso, segundo Horácio Marçal, desapareceu na 1ª década do séc. XVII, abrindo-se no lugar dela um Terreiro que junto ao rossio já existente deu origem ao L. dos Lóios de hoje. Na planta de Costa Lima denomina-se Rua de santo Elói, a parte mais estreita do largo, entre as Ruas de Trindade Coelho e dos Caldeireiros, e que talvez seja último vestígio da velha Rua de Mendo Afonso ou Postigo de Men Afonso. (Toponímia Portuense de Andrea da Cunha e Freitas)
Aqui, no coração do Porto, fica a galeria Vieira Portuense. E de onde veio este nome?
Francisco Vieira, escolheu o nome artístico de Vieira Portuense foi um pintor português, um dos introdutores do neoclassicismo na pintura portuguesa.

Um dos maiores pintores da sua geração, ocupando lugar destacado juntamente com Domingos Sequeira, Francisco Vieira Portuense, terá aprendido a pintar com o pai, dedicado à pintura de paisagens a par do ofício como drogueiro, e com os pintores João Glama Strobërle (1708-1792) e Jean Pillment (1728-1808). Presume-se ainda que terá frequentado a Aula de Debuxo e Desenho do Porto, antes de rumar a Lisboa, onde frequentou a Casa Pia e a Aula Régia de Desenho. A seguir prosseguiu os estudos em Roma, financiado pela família e pela Feitoria Inglesa ou, muito provavelmente, pela Companhia Geral de Agricultura e das Vinhas do Alto Douro. Viajou por Itália, Alemanha, Áustria e Inglaterra antes de regressar a Portugal em 1800.

Contraiu tuberculose e mudou-se para a Madeira, onde morreu com apenas 39 anos.

Aqui, no coração do PORTO, nasceu uma galeria que herdou este nome GRANDE. A escolha é explicada desta maneira, pelos responsáveis da galeria:
"Não foi sem ousadia que decidimos invocar o nome de Vieira Portuense para o apadrinhamento desta galeria. Figura ímpar, entre os grandes mestres da pintura setecentista, Vieira Portuense é um exemplo a seguir pela persistência da sua actividade artística e pelo estudo aturado que o levou a todos os lugares da Europa onde a arte se sacralizava, e fez dele o maior pintor do Século XVIII, com méritos reconhecidos em Itália, Alemanha e Inglaterra, bem como em Portugal, onde D. João VI o chamou à Corte, nomeando-o primeiro pintor da Real Câmara. Para nós almejamos tão somente qualquer reflexo do brilho imenso do sagrado Mestre, como na caverna de Platão, a resgatar-nos da escuridão do nosso apagamento. Para os nossos artistas, pretendemos um patrono à altura dos seus talentos e das suas ambições."

Aqui, no coração do Porto, numa casa de artes que honra a cidade, na GALERIA VIEIRA PORTUENSE, abrem-se as portas á poesia no terceiro sábado de cada mês, pelas 16 horas.

Por tudo o que ficou dito, a responsabilidade cultural desta casa é por AQUI... grande, MUITO GRANDE.

Por isso, por Aqui, ouvem-se as palavras de poetas que da lei da morte se foram libertando.

Aqui, saboreamos SOPHIA DE MELLO BREYNER:

Nesta hora limpa de verdade,
é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
e lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade
Meia verdade é como habitar meio quarto
ganhar meio salário
como só ter direito
a metade da vida
O demagogo diz da verdade, a metade
e o resto joga com habilidade
porque pensa que o povo só pensa metade
porque pensa que o povo não percebe nem sabe
...
Aqui partilhamos a poesia de ARY DOS SANTOS:
...
Entre os animais falantes
o poeta é o que mais
diz coisas interessantes
aos colegas racionais
Diz-lhes que o espaço vazio
está todo por alugar
e que há poemas vagos
de inspiração limitada
em prédios de antologia
bem situados nas letras
com duas assoalhadas
e porteira analfabeta
que serve de vazadouro
é bem falante e discreta
...
Assim disfarça a miséria
fingindo que tem fartura
que a poesia é coisa séria
e se não for deletéria
poderá ser mordedura
que lhe inocule no sangue
não só veneno de cobra
mas três cruzes de lirismo
que virão minar-lhe a obra
e tolher de reumatismo
a pena com que depena
os patos de modernismo
que podem valer-lhe a pena

Aqui se dá voz a MÁRIO PINTO DE ANDRADE:

Tenho mais passado do que futuro
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando os seus lugares, talentos e sorte
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
que apesar da sua idade cronológica... são imaturas
...
O essencial faz a vida valer a pena.
E, para mim, basta-me o essencial.

Aqui encontramos o amigo que , ao longo dos seus 80 anos de vida , publicou 30 livros e continua humilde e nobre, leal e solidário FERNANDO MORAIS
...
Hoje,
porque foi só hoje que isso aconteceu,
ninguém fugia pelas ruas
o ambiente respirava muito leve
transparências de cobre e de argila
e as casa riam-se pelas frestas
das janelas
O tom era de azul enchendo as avenidas
e o bombeiro Guilherme na praça
de seu nome
tinha três ciscos de canela
no bigode farto.

E é também AQUI, NO CORAÇÃO DO PORTO que temos ainda a voz da nossa FERNANDA CARDOSO com mais uns "trocos" acima dos 90, que nos acorda lágrimas ou gargalhadas se diz A MÃE de EUGÉNIO DE ANDRADE ou A MÃEZINHA de GEDEÃO.
E é AQUI que descansa um coração real oferecido a este POVO TRIPEIRO.

PORTO, CORAÇÃO REAL
Um rei deu seu coração
A este povo tripeiro
Para dizer que o amor
No Porto, é mais verdadeiro

O Porto é verde e cinzento
E o seu povo não se cansa
De mostrar aos do poder
Que cinza é LUTA e ESPERANÇA

Antes quebrar que torcer
É o lema que o Porto tem
Aqui, a palavra medo
Não mete medo a ninguém

Somos alma que se vê
Temos vida que se sente
Somos humildes mas damos
PÃO E PAZ A TODA A GENTE.

in O PORTO NAS NOSSAS MÃOS

E por aqui vamos continuar a dar voz a este PORTO levando a POESIA até outras paragens onde a cultura tenha vida depois de ABRIL ter aberto algumas portas.
E por aqui me fico, deixando um sincero agradecimento ao Dr. Agostinho Costa e a todos os seus colaboradores que tornam possível esta seara de artes aberta a quantos se atrevem a colher e partilhar a cultura com humildade e generosas mãos... AQUI, NO CORAÇÃO DO PORTO.

Fernanda Cardoso e Lourdes dos Anjos
PORTO, 1 de OUTUBRO de 2016

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

NACIONALISTA


NACIONALISTA -

E querem saber uma coisa, meus senhores?
Querem saber o que mais me enerva,
Revolta e azucrina?
É saber que toda a roupa, os sapatos,
as bugigangas
e mais um milhão de coisas, vem tudo
da China!
Vem tudo da China aquilo que usamos
Relógios e louças, tecidos e camas
Cuecas e lenços, blusas e calças
E até "sutiens" p'ra tapar as mamas
É tudo chinês, meus ricos senhores
E como se isto fosse coisa pouca-
Ele são miudezas e coisas maiores
E até chupa-chupas metemos na boca-
São vestidos de noite, plásticos e velas
Cintos e carteiras e bijutaria
Tesouras e facas, tachos e panelas
E milhares de outras merdas para o dia a dia
E até nas camisas para o truca-truca
Desde a mais comprida à mais pequenina
Lá está o carimbo que me põe maluca
A dizer que é tudo "made in China"
E como não bastasse o que nós passamos
Por mais que s'insista e por mais que se tente
Os sacanas não falam como nós falamos
Mas põem cem olhos em cima da gente
Por isso é que eu digo: assentem os pés
E tenham cautela meus bons Portugueses
Por que no futuro os vossos bebés
Vão ser todos feitos pelos Chineses

Fernando Campos de Castro

Lido por Lourdes dos Anjos

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

POESIA NA GALERIA 20 de Agosto 2016

 Jorge Carvalho
 Fátima Cardoso
 Artur Cardoso
 Angelino Santos Silva
 Marília Teixeira
 Fernanda Cardoso
 Fernanda Cardoso

 João Pessanha
 Helena Duarte
 Lourdes dos Anjos
 Kim Berlusa
Carlos Lacerda
 Sebastião Oliveira

Manuela Caldeira

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

EU, O SEM ABRIGO


EU, O SEM ABRIGO

A noite está fria...gelada
a chuva miudinha que tomba docemente
desliza entre as pedras da calçada
O sol esconde-se por detrás do denso nevoeiro
e, como se ficasse envergonhado
apaga-se o tímido candeeiro.
A calçada fica ás escuras
Na entrada de um velho prédio que ameaça ruir
alguém fez aí a sua casa
o seu quarto de dormir.
Apagou-se o candeeiro...são horas de abalar
ao contrário da chamada vida normal
que apaga a luz para se deitar!
Levanta-se e arruma os seus haveres
um cobertor amarelo, sujo e já rasgado
uma caixa de cartão onde põe tudo arrumado
uma velha mochila...de marca
e uma ponta de cigarro!
O pouco que o seu corpo veste
foi o seu agasalho durante a noite
Está tudo húmido, mollhado...
Enfia uns velhos sapatos rotos
e umas luvas sem dedos
de tom avermelhado.
As pessoas começam o seu dia
sempre em grande correria
Os guarda chuvas abertos e de várias cores
fazem lembrar nenúfares
no grande lago da avenida
Lentamente, como quem pisa algodão
ele inicia o seu caminho
evitando tocar na multidão!
A roupa que veste durante o dia
é a mesma que durante a noite
lhe serve de agasalho
e ele não quer que ninguém leve
o seu cheiro de pobreza para o trabalho
Desce a calçada e pára à porta de um bar
Á surrapa, sem ninguém ver
apanha uma varona ainda a arder
e lava-a á boca para fumar!
Encosta-se num lugar que não incomode
e ali fica parado ...
para sentir o calor de um ar condicionado.
É assim o dia de um sem abrigo
que dorme na porta de um prédio abandonado
e se sente cada dia, cada vez mais rejeitado.
ESTA É A SOCIEDADE EM QUE VIVEMOS
A SOCIEDADE ONDE NÃO VEMOS
QUEM VAI MORRENDO AO NOSSO LADO...

FERNANDO SILVA
Lido por Lourdes dos Anjos

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Poesia na Galeria: Dezembro 2015

 Paraty
 Manuela Caldeira

 Adolfo Castelbranco declama um poema de Constância Néry
 Maria Teresa Nicho
 Alice Santos

 Lourdes dos Anjos e Luís Pedro Viana
  Lourdes dos Anjos, Conceição Lages e Luís Pedro Viana
 Irene Costa, Conceição Lages, Luís Pedro Viana, Paraty e Alice Santos 



Poesia na Galeria - Dezembro

 Sebastião Oliveira
 Ricardo Braga
 Jorge Braga
 Toniantonio
 Alice Branco
 Beatriz Maia
 Adolfo Castelbranco
 José Efe declama um poema em conjunto com Adolfo Castelbranco
 Irene Costa
 Lourdes dos Anjos
 Angelino Santos Silva
 Luís Pedro Viana
 José Efe
Dina Magalhães