terça-feira, 25 de junho de 2019

MADRUGADA DE ABRIL



MADRUGADA DE ABRIL

Hoje, já não durmo,
(ainda é cedo),
Porque tarde se torna esta manhã.
Vou à procura da noite,
Sem ter medo,
Que a maré anda "viva", não está chã!
(E o meu país fenece, acorrentado,
dentro de grades sujas e servis.)
O que é feito de ti, ó terra minha,
ó povo inerte, ó Pátria adormecida?
Tão velha, tão cansada, tão perdida,
que sendo nossa és minha e, sendo minha,
acordarás numa poesia, de manhã!
(E o meu país fenece, acorrentado,
dentro de grades sujas e servis.)
Ergue os punhos de veias já escondidas,
os teus cabelos grisalhos numa febre.
Há um último grito à despedida,
que o tempo urge, porque é breve,
que o tempo é tão breve, sempre breve.
(E o meu país fenece, acorrentado,
dentro de grades sujas e servis.)
Como uma nau que rasga o mar por todo o lado,
Hás-de sulcar caminhos neste mar.
Hás-de soltar a voz da liberdade,
porque o que importa, agora, é acordar!
E o meu país que fenece, acorrentado,
Dentro de grades sujas e servis,
vai levantar-se numa bandeira de verdade,
porque é
de liberdade o meu País ... !!!

Eldad Mario Neto
in “Entre Margens”
lido por Vitor Cordeiro

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