MADRUGADA DE ABRIL
Hoje, já não durmo,
(ainda é cedo),
Porque tarde se torna
esta manhã.
Vou à procura da noite,
Sem ter medo,
Que a maré anda
"viva", não está chã!
(E o meu país fenece,
acorrentado,
dentro de grades sujas e
servis.)
O que é feito de ti, ó
terra minha,
ó povo inerte, ó Pátria
adormecida?
Tão velha, tão cansada,
tão perdida,
que sendo nossa és minha
e, sendo minha,
acordarás numa poesia, de
manhã!
(E o meu país fenece,
acorrentado,
dentro de grades sujas e
servis.)
Ergue os punhos de veias
já escondidas,
os teus cabelos grisalhos
numa febre.
Há um último grito à
despedida,
que o tempo urge, porque
é breve,
que o tempo é tão breve,
sempre breve.
(E o meu país fenece,
acorrentado,
dentro de grades sujas e
servis.)
Como uma nau que rasga o
mar por todo o lado,
Hás-de sulcar caminhos
neste mar.
Hás-de soltar a voz da
liberdade,
porque o que importa,
agora, é acordar!
E o meu país que fenece,
acorrentado,
Dentro de grades sujas e
servis,
vai levantar-se numa
bandeira de verdade,
porque é
de liberdade o meu País
... !!!
Eldad Mario Neto
in “Entre Margens”
lido por Vitor Cordeiro
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