O
MEU IMPOSSÍVEL
Minh'alma
ardente é uma fogueira acesa,
É
um brasido enorme a crepitar!
Ânsia
de procurar sem encontrar
A
chama onde queimar uma incerteza!
Tudo
é vago e incompleto! E o que mais pesa
E
nada ser perfeito. É deslumbrar
A
noite tormentosa até cegar,
E
tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...
Aos
meus irmãos na dor já disse tudo
E
não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi
tudo o que entendi e o que pressinto...
Mas
se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar,
não a chorava como agora,
Irmãos,
não a sentia como a sinto!...
Florbela Espanca
in “Sonetos”
lido por António D. Lima
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