terça-feira, 3 de janeiro de 2017

VARIAÇÃO CELESTE


VARIAÇÃO CELESTE

Colhi a flor de um relâmpago
de entre os teus seios juntos, e quando
estremeceste foi como se uma estrela
tivesse vacilado nos ombros
da manhã.

Pus essa flor no negro
lago dos teus olhos, e as suas
raízes estenderam-se pelo fundo
da tua memória até esse dia em que
a lava do início te inundou.

E percorri com o tempo
de uma vela de moinho o arco
das tuas sobrancelhas, procurando
na sua margem o pórtico
dos teus lábios.

Nuno Júdice
A Convergência dos Ventos
N. 29 de 1949, Portimão
in “Livro de Marcadores – Amar, Amar Perdidamente”

Lido por Maria do Céu

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