terça-feira, 3 de janeiro de 2017

ÀS XII BADALADAS...


ÀS XII BADALADAS...

Vão os tempos de hoje, Senhor
semelhantes aos tempos da tua dor,
tempos que esmagam e magoam
como pé de velho dorido na calçada
arrastando-me no gemido da exclusão
percorro a mesma via
dois mil anos depois
a mesma dor
a mesma aflição!

Nada mudará por um dia, Senhor
ainda que seja natal,
a boca se encha de amor,
os lábios se confessem de crença,
dois mil anos depois,
percorro a mesma via,
arrasto a mesma cruz
ainda que festa por um dia,
as ruas se transformem de luz,
os sinos repiquem de alegria,
sofro a mesma injustiça,
esmaga-me a mesma aflição,
às doze badaladas
gritarei a minha dor:
estou farto, farto Senhor
do homem, do ódio e da exclusão,
da fome, da miséria e da guerra
de um mundo de mão no canhão,
da indiferença, falsidade e solidão
da hipocrisia de um dia de caridade,
do negócio do peditório nacional,
dos votos de saúde, de paz e amor
da mensagem de paz em dia de natal
estou farto, farto Senhor!

Angelino Silva

Lido por Marília Teixeira

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